“Esse álbum não é sobre religião, ele é sobre um estado de espírito.” Assim Anitta, maior artista brasileira da atualidade, descreveu seu novo trabalho, “Equilibrivm”, que, horas depois de ser lançado, chegou ao topo das paradas mundiais como a principal estreia global da Spotify na última semana de abril.

Nas primeiras 24 horas após o lançamento, o álbum acumulou 8,2 milhões de streams. Nove faixas entraram no Top 50 Brasil e 14 no Top 100 nacional. O disco mais improvável, pelo critério de fórmula global, gerou os maiores números no Brasil e no mundo.

A cantora ficou à frente de “konnakol”, novo trabalho do cantor Zayn, ex-One Direction. Esta é a segunda vez que Anitta chega ao topo do Spotify. Em 2022, ela ficou em primeiro lugar na plataforma com o álbum “Versions of me”.

“Equilibrivm” chegou ao topo do mundo sem pedir licença. Não teve de explicar a origem brasileira, muito menos se desculpar por ser brasileira, porque a referência se diluiu e tornou-se mundial. Durante o lançamento, Annita evitou tratar o novo trabalho como um projeto centrado em religião. Preferiu descrevê-lo como um “estado de espírito” lapidado a partir de experiências pessoais e de uma transmutação interna que afirma estar vivendo nos últimos anos.

Álbum “Equilibrivm” chegou ao topo do mundo sem pedir licença | Foto: divulgação

Ao falar de “Equilibrivm”, Anitta prefere focar em espiritualidade, autoconhecimento e polarização social. “É sobre coisas que eu acredito não no sentido apenas religioso, mas a sensação de se sentir inteiro por dentro”, sublinhou.

Anitta global e o Times

Durante o lançamento do novo trabalho, Anitta foi o destaque da primeira semana de maio no jornal americano “New York Times” e “Mandinga” entrou na lista seleta da publicação.

A música, um feat com Marina Sena, foi selecionada e entrou na página “10 músicas sobre as quais estamos falando nesta semana” do NYTimes. Escreveu o jornal: “ A compositora brasileira Anitta construiu um público internacional através de crossovers determinados: colaborações diversas, cantando em espanhol, inglês e português, e explorando estilos que vão do reggaeton à música eletrônica. Mas seu novo álbum, ‘Equilibrivm’, está enraizado na música e cultura brasileira. Apresenta ritmos brasileiros e presta homenagens a canções e estilos clássicos; suas letras são repletas de referências ao panteão afro-brasileiro dos orixás”.

Anitta e Marina Sena dividem os vocais em Mandinga | Foto: reprodução

“Mandinga” sampleia um afrosamba dos anos de 1960, “O canto de Ossanha”, de Baden Pawel e Vinícius de Moraes, e fala sobre o fascínio a respeito do orixá Ossanha. O “NYTimes” acrescenta que, nesta faixa do álbum, Anitta e Marina Sena invertem a situação, cantando sobre “não cair na mandinga de ninguém”, mas admitindo sentir uma tentação considerável em fazê-lo.

Anitta brasileira e renovadora

Chega um ponto na carreira dos artistas em que, sem renovação, a fórmula que os lançou ao sucesso se esgota. “Equilibrivm” é onde Anitta chegou e virou na direção contrária: menos global, mais Brasil, mais identidade. O resultado foi a maior estreia de um álbum latino feminino de 2026 no Spotify.

Anitta conseguiu a maior estreia de um álbum latino feminino de 2026 no Spotify | Foto: divulgação

O primeiro ato do novo trabalho da cantora é inteiramente em português — axé, ijexá, samba, referências diretas ao Candomblé, participações de Liniker, Marina Sena, Luedjii Luna e Rincon Sapiência.

Numa coletiva, Anitta disse que não estava preocupada se o álbum iria ter alcance internacional. Ela estruturou o disco mais caro da carreira a partir dessa premissa.

Foi a autenticidade que deu credibilidade à cantora — fórmula que a artista já havia dominado com seus últimos trabalhos.

Durante anos ela focou no acesso ao mercado global e pra isso teve que aprender a falar inglês e espanhol, captou e entendeu os ritmos que funcionavam lá fora soube fazer as parcerias musicais corretas.

Ao dominar a fórmula, que a tornou uma artista global, Anitta entendeu que, para fazer diferente e se manter no topo, tinha que voltar às origens. Mas com uma leitura cheia da bagagem cultural-musical e existencial que havia acumulado ao longo da carreira de sucesso que fez dela uma incontestável artista de quilate mundial.

O segundo ato inclui versões em inglês e a collab com Shakira. A sequência em dois atos sugere que a identidade da marca da cantora começa no que acredita que seu trabalho representa.

Anitta levou três anos “de autodescoberta” — após problemas de saúde e o esgotamento físico por trabalhar sem pausas — para concluir “Equilibrivm”. Ela passou anos sendo a referência internacional da MPB.

Com o novo trabalho, Anitta usa a relevância conquistada para trazer o Brasil de volta ao centro. A identidade resgatada é a base de sustentação do novo trabalho. Anitta foi lá fora e desvendou o mistério, agora volta às origens para resgatar o que havia esquecido ou guardado em algum lugar de suas origens que precisou buscar para então avançar. Ela acreditou no diferencial e soube aproveitar aquilo só ela sabe que representa.

“Equilibrivm” já está cotado como o grande vencedor do Grammy Latino.

“Equilibrivm” já está cotado como o grande vencedor do Grammy Latino | Foto: divulgação

Anita na Copa 2026

A Fifa confirmou Anitta como uma das atrações do show de abertura da Copa do Mundo de Futebol, nos Estados Unidos, daqui a três semanas. A artista sobe ao palco em Los Angeles ao lado de outras estrelas internacionais — como Kate Perry, Future, Lisa Rema, Tyla.

Nesta semana, Anitta anunciou nas redes sociais sua música oficial da Copa do Mundo intitulada “Goals”, a faixa reúne a brasileira ao lado de Lisa, do Blackpink, e Rema. A canção pode virar o hino da Copa.

Aos 33 anos, Larissa de Macedo Machado, mais conhecida como Anitta, segue fazendo história. Pode já ter ido além de Carmen Miranda? Quem sabe.