Até agora, Goiás não tem pré-candidatas ao Senado e ao Governo

Em comparação, nomes de homens cotados para os principais cargos na política não param de aparecer

Com a aproximação das eleições de 2022 no segundo semestre do ano, um fenômeno tem sido notado mais uma vez: o baixo número da participação feminina para concorrer ao pleito. Enquanto isso, o número de homens cotados para diversos cargos na política não para de subir. Marina Santana (PT), uma das poucas candidatas a deputada estadual, justifica o pequeno número de mulheres ao preconceito vivido por essas. “Vivemos em uma estrutura machista e misógina que empurra as mulheres para fora da política”, opina.

De forma geral, o Brasil não tem avançado de forma rápida e igualitária quando o assunto a quantidade de mulheres na política. A professora titular aposentada de ciência política da Universidade Federal de Goiás (UFG), Denise Paiva, analisa a participação das mulheres na política como um tipo de “semi sub-representação”, tanto nas câmaras municipais, assembleias estaduais, prefeituras, quanto no Congresso Nacional. “Se nós olharmos para dentro dos partidos políticos, as instâncias decisórias são controladas por homens e não por mulheres”, afirma.

Candidata a deputada federal à convite do ex-presidente Lula, Adriana Accorsi (PT) tem uma extensa carreira política e acredita que o pequeno número de mulheres no pleito também é em decorrência da dificuldade de aceitarem figuras femininas no poder. “Esses espaços (políticos e de poder) geralmente são controlados por grupos econômicos e políticos poderosos que tradicionalmente são liderados por homens e que tem dificuldade em compartilhar esses espaços com as mulheres. Por outro lado, uma grande parte da sociedade, inclusive mulheres, tem dificuldade em aceitar a mulher como líder, a mulher no espaço público, de realmente acreditar na sua capacidade e competência”, finaliza.

Um exemplo disso é que o estado de Goiás nunca elegeu nenhuma mulher para governadora e, sua capital nunca teve nenhuma prefeita. A partir disso, expostas a diversas violências de gênero, mulheres que conquistam cargos de poder encaram diariamente o desafio de se fazerem ouvidas e respeitadas. O caso mais recente de violência de gênero dentro da política foi o vivenciado pela vereadora Camila Rosa (PSD), de Aparecida de Goiânia, que teve seu microfone desligado, e seu local de fala cortado pelo presidente da Câmara de Vereadores, André Fortaleza (DEM) – exatamente em um momento em que se discutia sobre cotas de gênero na Casa legislativa.

Quando a situação é analisada mais de perto, nota-se ainda mais um problema: a falta de mulheres pretas, indígenas e transexuais. O espaço ainda é limitado para a diversidade, e essa limitação começa ainda nas campanhas eleitorais, como aponta a professora Paiva. “Sem maior visibilidade nas campanhas, não adianta muitas mulheres se candidatarem”, frisa. A criação de cotas para mulheres conseguirem entrar na política, além de fundo partidário e recursos para a campanha eleitoral é um assunto que tem gerado muita polêmica. Muitos políticos homens, inclusive, alegam que isso seria desigual, pois daria às mulheres maiores chances de serem eleitas que Aos homens.

“É obrigatório que a gente tenha cota num país que é desigual em todos os aspectos. Não há políticas públicas que facilitem a participação da mulher”, afirma Marina Santana. O ambiente tradicional e machista de Goiás também dificulta a criação dessas políticas públicas destinadas às mulheres. “Em Goiás, por se tratar de um estado tradicionalista, conservador, patriarcalista e muito ligado ainda a tradições relacionadas a agricultura, ao coronelismo, faz com que nós tenhamos mais dificuldades”, explica Accorsi.

Prova disso, é que enquanto nomes masculinos surgem com cada vez maior constância para disputar a Presidência da República, Governadorias, Senado, Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas, mulheres ocupam um espaço tímido e difícil nas eleições de 2022. Pensando Nisso, o Jornal Opção levantou a quantidade de mulheres que, até o momento, se declararam pré-candidatas no pleito deste ano.

Confira a lista de mulheres goianas confirmadas para as eleições deste ano:

  • Sabrina Garcêz: Pré-candidata a deputada federal (partido em discussão)
  • Aava Santiago: Será candidata a deputada federal ou estadual (PSDB)
  • Adriana Accorsi: Pré-candidata a deputada federal (PT)
  • Marina Santana: Pré-candidata a deputada estadual (PT)
  • Dra. Cristina: Pré-candidata a deputada federal (partido em discussão)
  • Flávia Morais: Pré-candidata a reeleição como deputada federal (PDT)
  • Lêda Borges: Pré-candidata a deputada federal (PSDB)
  • Manu Jacob: Em discussão se irá se candidatar a deputada estadual, senadora ou governadora (PSOL)
  • Lucíula do Recanto: Pré-candidata a deputada estadual (PSD)

2 respostas para “Até agora, Goiás não tem pré-candidatas ao Senado e ao Governo”

  1. Avatar David Oliveira disse:

    Esqueceu de citar a Rosângela Rezende do MDB, pré candidata a Deputada Estadual, Filha do ex Governador Agenor Rezende. Fortissíma no sudoeste Goiano, foi secretária de saúde de Mineiros por 12 anos, em 4 mandatos diferentes. Hoje uma das candidatas mais fortes do MDB.

    • Avatar João Eduardo disse:

      Como não citaram Rosângela Rezende ? Pré candidata pelo MDB ? Atual 1ª suplente de Deputada Estadual , aqui na Região Sudoeste só se fala o nome dela , e creio que vai ganha por todo estado .
      Rosângela Rezende , gravem esse nome !!!

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