Goiânia já retirou 100 toneladas de fios dos postes, mas volume pode chegar a 1,3 mil toneladas
23 junho 2026 às 16h55

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Mais de 100 toneladas de cabos abandonados já foram retiradas dos postes de Goiânia, mas o volume representa apenas uma fração do problema. A estimativa da Prefeitura é que cerca de 1,3 mil toneladas de fios sem utilização ainda estejam espalhadas pela rede aérea da capital. Diante do cenário, a administração municipal iniciou nesta terça-feira, 23, uma operação concentrada na Região da Rua 44, uma das áreas com maior acúmulo de fiação irregular da cidade.
A escolha da região não foi por acaso. Além de reunir milhares de lojas e receber diariamente um intenso fluxo de consumidores, trabalhadores e comerciantes, o principal polo de moda do Centro-Oeste convive há anos com postes sobrecarregados por cabos de telefonia e internet, muitos deles abandonados após a desativação de serviços.
Em coletiva o prefeito Sandro Mabel (UB), a retirada dos fios faz parte de um processo que pretende reorganizar a ocupação da rede aérea e aumentar o controle sobre as empresas responsáveis pelos cabos instalados na cidade.
“Essa da 44, pela quantidade de imóveis que tem aqui, de lojas e tudo mais, tem uma quantidade de fios abandonados muito grande. Então, nós precisamos dar uma limpada nisso tudo e, daqui para frente, organizar. As placas têm que estar todas identificadas e nós vamos fazer fiscalizações constantes”, afirmou.
Desde o início das ações, cerca de 3,2 mil postes passaram por regularização. Atualmente, 15 equipes atuam simultaneamente em diferentes regiões de Goiânia. Apenas na Rua 44, aproximadamente 30 trabalhadores participam da força-tarefa, entre servidores municipais e equipes técnicas das operadoras.
Prefeitura ameaça suspender empresas
Apesar das centenas de notificações e autuações já realizadas, o município avalia que as multas não foram suficientes para obrigar as empresas a manterem a rede dentro das normas estabelecidas.
De acordo com Mabel, cerca de R$ 6 milhões em penalidades já foram aplicados e mais de 300 autos de infração emitidos. Mesmo assim, o problema persiste em diversos bairros da capital.
Por isso, a prefeitura estuda endurecer as medidas contra as empresas que mantiverem cabos abandonados ou em situação irregular. Entre as possibilidades está a suspensão temporária das atividades.
“Então nós estamos dando uma regulada um pouco mais firme, porque é multar, nós já multamos, já cansamos de multar e não virou nada. O que precisa agora é interditar a empresa, não pode trabalhar, não pode colocar mais internet e aí eles vão ver, vão parar”, declarou.
Pela legislação municipal, empresas de energia, telefonia, internet e TV por assinatura podem ser multadas em R$ 20 mil por irregularidade identificada. Em caso de reincidência, o valor dobra. Persistindo o descumprimento, a administração poderá suspender as atividades da empresa por até dez dias e abrir processo administrativo para cassação do alvará de funcionamento.
Região da 44 terá 10 quilômetros de rede vistoriados
A fiscalização ficará sob responsabilidade da Agência de Regulação de Goiânia (AR), que acompanhará a ocupação dos postes pelas concessionárias e operadoras de telecomunicações.
Segundo o presidente da agência, Hudson Novaes, os trabalhos na Região da Rua 44 devem abranger aproximadamente 10 quilômetros de vias, incluindo avenidas e ruas transversais. A expectativa é retirar cabos sem utilização, identificar redes clandestinas e organizar a infraestrutura já existente.
Após a remoção, todo o material recolhido é encaminhado à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), responsável pela destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
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