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Jornal Opção Online errou sobre reunião de peemedebistas com Iris Rezende

Um repórter do “Pop” envia algumas correções para a reportagem “Vereadores do PMDB não foram convidados para reunião com Iris”: 1 — “O Jornal Opção Online diz que ‘os cinco parlamentares do partido em Goiânia estariam sendo negligenciados nas discussões sobre a aliança à prefeitura em 2016’. Como se sabe, o PMDB tem seis vereadores na capital: Célia Valadão, Paulo Borges, Mizair Lemos, Clécio Alves, Denício Trindade e Izídio Alves”. 2 — “O título da reportagem é peremptório: ‘Vereadores do PMDB não foram convidados para reunião com Iris’. O texto complementa: ‘Os outros três, Izídio Alves, Denício Trindade e Paulo Borges também não teriam comparecido à reunião’. Como se sabe, Paulo Borges e Denício Trindade compareceram à reunião. Eles foram apresentados como representantes dos demais vereadores, e de todo o Estado.” Para verificar a informação do repórter do “Pop”, o Jornal Opção ouviu dois peemedebistas —  Agenor Mariano, vice-prefeito de Goiânia, e o vereador Paulo Borges — e todos confirmaram a presença de Paulo Borges e Denício Trindade na reunião. “Eu e Denício Trindade participamos da reunião com Iris”, afirma Paulo Borges (foto acima).

Morre guerrilheiro que sequestrou o embaixador americano Charles Burke Elbrick

O repórter Mário Magalhães, do UOL, autor da biografia “Marighella — O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo” (Companhia das Letras), publicou na terça-feira, 24, a notícia da morte de Cláudio Torres, de 70 anos, o guerrilheiro que participou do sequestro do embaixador Charles Burke Elbrick [foto acima], em 1969. O corpo de Torres foi encontrado na segunda-feira, em São Paulo. “É provável que tenha morrido por causa de acidente vascular cerebral — ela já havia sofrido dois”, relata Magalhães. Torres era militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, e participou diretamente do sequestro, ao lado de Virgílio Gomes da Silva, Manoel Cyrillo de Oliveira Neto e Paulo de Tarso Venceslau, da Ação Libertadora Nacional (ALN). Torturadíssimo pelos militares, Torres ficou sete anos preso.

Morre Herberto Helder, espécie de segundo Fernando Pessoa de Portugal

O poeta Herberto Helder morreu na segunda-feira, 23, ao 84 anos, em Cascais, de causas não relevadas pela família. Nascido no Funchal, em 1930, faleceu em sua casa. Isabel Coutinho, Hugo Pinto Santos, Isabel Lucas e Luís Migue Queirós, do jornal “Público”, publicaram um texto, “Morreu Herberto Helder, o poeta dos poetas”, no qual ouviram intelectuais sobre o bardo. “Era considerado por muitos o maior poeta português da segunda metade do século 20”, escrevem. Em junho de 2014, Herberto Helder publicou o livro “A Morte Sem Mestre” (Porto Editora), considerado uma obra-prima. A obra esgotou-se imediatamente. “Servidões” saiu em 2013. “A Faca Não Corta o Fogo” é tido como o livro que o tornou “um caso de consenso crítico quase absoluto”, anotam os jornalistas. O crítico António Guerreiro diz que “Herberto Helder foi um poeta poderoso, a sua obra foi um centro de atração e um horizonte em relação ao qual todos os seus contemporâneos tiveram de se situar. Como antes tinha acontecido com Fernando Pessoa, também houve um ‘efeito Herberto Helder’”. Maria Velho da Costa seguiu pela mesma seara: “Morreu o maior poeta português depois de Luís de Camões”. Note-se que a escritora o coloca acima de Fernando Pessoa. “A Morte Sem Mestre”, ressalta, “é um longo poema, belíssimo. Se as minhas palavras tivessem alguma influência, eu propunha um dia de luto nacional”. Basta saber, talvez, que os poetas estão de luto — assim como os leitores de Herberto Helder. O poeta madeirense José Tolentino Mendonça, ouvido pelo “Público”, sublinhou que, “quando morre um poeta com a dimensão de Herberto Helder, o que sentimos é que não apenas morreu um poeta mas a poesia”. José Tolentino Mendonça acrescentou que, no caso de um poeta como Herberto Helder, “o luto se torna insuportável e, ao mesmo tempo, este luto faz-nos perceber que Herberto Helder é imortal com a sua obra. Daqui a mil anos, se subsistir um falante de língua portuguesa a poesia de Herbert Helder subsistirá”. O trecho de um poema do livro “A Colher na Boca”, de 1961, vem à memória de José Mendonça Tolentino quando se lembra dos versos de Herberto Helder: “Não sei como dizer-te que a minha voz te procura”. Há uma certa “insularidade” na poesia de Herberto Helder, afirma José Mendonça Tolentino. A insularidade “está talvez mergulhada a muitas léguas de profundidade do que é essa palavra. Não é uma dimensão muito explícita, mas ler Herbert Helder na Ilha da Madeira tem uma ressonância e uma vitalidade que não se esquece. Quando se ouvia Herberto Helder falar, mesmo muitos anos depois de ter saído da ilha, continuava com a pronúncia de um habitante do Funchal. Era um funchalense claramente identificável. E isso era uma nota afetiva de grande impacto”. O crítico e poeta Pedro Mexia, ouvido pela agência Lusa, frisa que “o lugar de Herbert Helder na literatura portuguesa equivalerá ao de Fernando Pessoa na primeira metade do século 20”. Isto, destaca, “se começou a dizer há pouco tempo e se tornará, com o tempo uma coisa pacífica, sem prejuízo dos grandes poetas da geração dele que houve em Portugal”. Herberto Helder não quis receber o Prêmio Pessoa, em 1994, um dos mais importantes de Portugal. O poeta sugeriu que o entregasse a outro escritor.   Poemas de Herberto Helder       Sobre um Poema Um poema cresce inseguramente na confusão da carne, sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, talvez como sangue ou sombra de sangue pelos canais do ser.   Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência ou os bagos de uva de onde nascem as raízes minúsculas do sol. Fora, os corpos genuínos e inalteráveis do nosso amor, os rios, a grande paz exterior das coisas, as folhas dormindo o silêncio, as sementes à beira do vento, - a hora teatral da posse. E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.   E já nenhum poder destrói o poema. Insustentável, único, invade as órbitas, a face amorfa das paredes, a miséria dos minutos, a força sustida das coisas, a redonda e livre harmonia do mundo.   - Em baixo o instrumento perplexo ignora a espinha do mistério. - E o poema faz-se contra o tempo e a carne.   As musas cegas V Esta linguagem é pura. No meio está uma fogueira e a eternidade das mãos. Esta linguagem é colocada e extrema e cobre, com suas lâmpadas, todas as coisas. As coisas que são uma só no plural dos nomes. - E nós estamos dentro, subtis, e tensos na música.   Esta linguagem era o disposto verão das musas, o meu único verão. A profundidade das águas onde uma mulher mergulha os dedos, e morre. Onde ela ressuscita indefinidamente. - Porque uma mulher toma-me em suas mãos livres e faz de mim um dardo que atira. - Sou amado, multiplicado, difundido. Estou secreto, secreto- e doado às coisas mínimas.   Na treva de uma carne batida como um búzio pelas cítaras, sou uma onda. Escorre minha vida imemorial pelos meandros cegos. Sou esperado contra essas veias soturnas, no meio dos ossos quentes. Dizem o meu nome: Torre. E de repente eu sou uma torre queimada pelos relâmpagos. Dizem: ele é uma palavra. E chega o verão, e eu sou exactamente uma Palavra. - Porque me amam até se despedaçarem todas as portas, e por detrás de tudo, num lugar muito puro, todas as coisas se unirem numa espécie de forte silêncio.   Essa mulher cercou-me com as duas mãos. Vou entrando no seu tempo com essa cor de sangue, acendo-lhe as falangetas, faço um ruído tombado na harmonia das vísceras. Seu rosto indica que vou brilhar perpetuamente. Sou eterno, amado, análogo. Destruo as coisas.   Toda a água descendo é fria, fria. Os veios que escorrem são a imensa lembrança. Os velozes sóis que se quebram entre os dedos, as pedras caídas sobre as partes mais trêmulas da carne, tudo o que é úmido, e quente, e fecundo, e terrivelmente belo - não é nada que se diga com um nome. Sou eu, uma ardente confusão de estrela e musgo.   E eu, que levo uma cegueira completa e perfeita, acendo lírio a lírio todo o sangue interior, e a vida que se toca de uma escoada recordação.   Toda a juventude é vingativa. Deita-se, adormece, sonha alto as coisas da loucura. Um dia acorda com toda a ciência, e canta ou o mês antigo dos mitos, ou a cor que sobe pelos frutos, ou a lenta iluminação da morte como espírito   nas paisagens de uma inspiração. A mulher pega nessa pedra tão jovem, e atira-a para o espaço. Sou amado. - E é uma pedra celeste.   Há gente assim, tão pura. Recolhe-se com a candeia de uma pessoa. Pensa, esgota-se, nutre-se desse quente silêncio. Há gente que se apossa da loucura, e morre, e vive. Depois levanta-se com os olhos imensos e incendeia as casas, grita abertamente as giestas, aniquila o mundo com o seu silêncio apaixonado. Amam-me; multiplicam-me. Só assim eu sou eterno.   Em silêncio descobri essa cidade no mapa Em silêncio descobri essa cidade no mapa a toda a velocidade: gota sombria. Descobri as poeiras que batiam como peixes no sangue. A toda a velocidade, em silêncio, no mapa - como se descobre uma letra de outra cor no meio das folhas, estremecendo nos olmos, em silêncio. Gota sombria num girassol. - essa letra, essa cidade em silêncio, batendo como sangue.   Era a minha cidade ao norte do mapa, numa velocidade chamada mundo sombrio. Seus peixes estremeciam como letras no alto das folhas, poeiras de outra cor: girassol que se descobre como uma gota no mundo. Descobri essa cidade, aplainando tábuas lentas como rosas vigiadas pelas letras dos espinhos. Era em silêncio como uma gota de seiva lenta numa tábua aplainada.   Descobri que tinha asas como uma pêra que desce. E a essa velocidade voava para mim aquela cidade do mapa. Eu batia como os peixes batendo dentro do sangue - peixes em silêncio, cheios de folhas. Eu escrevia, aplainando na tábua todo o meu silêncio. E a seiva sombria vinha escorrendo do mapa desse girassol, no mapa do mundo. Na sombra do sangue, estremecendo como as letras nas folhas de outra cor.   Cidade que aperto, batendo as asas - ela - no ar do mapa. E que aperto contra quanto, estremecendo em mim com folhas, escrevo no mundo. Que aperto com o amor sombrio contra mim: peixes de grande velocidade, letra monumental descoberta entre poeiras. E que eu amo lentamente até ao fim da tábua por onde escorre em silêncio aplainado noutra cor: como uma pêra voando, um girassol do mundo.   Seis poemas de Herberto Helder O “Público” selecionou seis poemas decisivos de Herberto Helder. A seleção foi feita pelo coordenador editorial da Editora Assírio & Alvim, Vasco David, e pelos críticos do jornal português António Guerreiro e Hugo Pinto Santos. Eles usaram como base o livro “Poemas Completos” (Porto Editora, de 2014).   AOS AMIGOS Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado. Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos, com os livros atrás a arder para toda a eternidade. Não os chamo, e eles voltam-se profundamente dentro do fogo. — Temos um talento doloroso e obscuro. Construímos um lugar de silêncio. De paixão. de Lugar (Escolha de Vasco David’) alguém salgado porventura te toca entre as omoplatas, alguém algures sopra quente nos ouvidos, e te apressa, enquanto corres algumas braças acima do chão fluido, leva-te a luz e subleva, tão aturdidos dedos e sopros, até ao recôndito, alguma vez te tocaram nas têmporas e nos testículos, alto, baixo, com mais mão de sangue e abrasadura, e te cruzaram nesse furor, e criaram, com bafo ardido, ásperos sais nos dedos, e te levaram, a luz corrente lavrando o mundo, cerrado e duro e doloroso, acaso sabias a que domínios e plenitudes idiomáticas de íngremes ritmos, que buraco negro, na labareda radioactiva, bic cristal preta onde atrás raia às vezes um pouco de urânio escrito de A Faca não Corta o Fogo (Escolha de Vasco David’)   BICICLETA Lá vai a bicicleta do poeta em direcção ao símbolo, por um dia de verão exemplar. De pulmões às costas e bico no ar, o poeta pernalta dá à pata nos pedais. Uma grande memória, os sinais dos dias sobrenaturais e a história secreta da bicicleta. O símbolo é simples. Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais — lá vai o poeta em direcção aos seus sinais. Dá à pata como os outros animais. O sol é branco, as flores legítimas, o amor confuso. A vida é para sempre tenebrosa. Entre as rimas e o suor, aparece e des aparece uma rosa. No dia de verão, violenta, a fantasia esquece. Entre o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce sabiamente. E a bicicleta ultrapassa o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa no instante da graça. De pulmões às costas, a vida é para sempre tenebrosa. A pata do poeta mal ousa agora pedalar. No meio do ar distrai-se a flor perdida. A vida é curta. Puta de vida subdesenvolvida. O bico do poeta corre os pontos cardeais. O sol é branco, o campo plano, a morte certa. Não há sombra de sinais. E o poeta dá à pata como os outros animais. Se a noite cai agora sobre a rosa passada, e o dia de verão se recolhe ao seu nada, e a única direcção é a própria noite achada? De pulmões às costas, a vida é tenebrosa. Morte é transfiguração, pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta de rosa interior dá à pata nos pedais da confusão do amor. Pela noite secreta dos caminhos iguais, o poeta dá à pata como os outros animais. Se o sul é para trás e o norte é para o lado, é para sempre a morte. Agarrado ao volante e pulmões às costas como um pneu furado, o poeta pedala o coração transfigurado. Na memória mais antiga a direcção da morte é a mesma do amor. E o poeta, afinal mais mortal do que os outros animais, dá à pata nos pedais para um verão interior. de Cinco Canções Lunares (Escolha de Hugo Pinto Santos)     que eu aprenda tudo desde a morte, mas não me chamem por um nome nem pelo uso das coisas, colher, roupa, caneta, roupa intensa com a respiração dentro dela, e a tua mão sangra na minha, brilha inteira se um pouco da minha mão sangra e brilha, no toque entre os olhos, na boca, na rescrita de cada coisa já escrita nas entrelinhas das coisas, fiat cantus! e faça-se o canto esdrúxulo que regula a terra, o canto comum-de-dois, o inexaurível, o quanto se trabalha para que a noite apareça, e à noite se vê a luz que desaparece na mesa, chama-me pelo teu nome, troca-me, toca-me na boca sem idioma, já te não chamaste nunca, já estás pronta, já és toda de A Faca não Corta o Fogo (Escolha de Hugo Pinto Santos)   li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios, quando alguém morria perguntavam apenas: tinha paixão? quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão: se tinha paixão pelas coisas gerais, água, música, pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos, pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória, paixão pela paixão, tinha? e então indago de mim se eu próprio tenho paixão, se posso morrer gregamente, que paixão? os grandes animais selvagens extinguem-se na terra, os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem, homens e mulheres perdem a aura na usura, na política, no comércio, na indústria, dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera, trémulos objectos entrando e saindo dos dez tão poucos dedos para tantos objectos do mundo ¿e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega, pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva, e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes, palavra soprada a que forno com que fôlego, que alguém perguntasse: tinha paixão? afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia, ponham muito alto a música e que eu dance, fluido, infindável, apanhado por toda a luz antiga e moderna, os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela, a paixão grega  

Katharine Viner é a primeira mulher a dirigir a redação do Guardian, jornal de 194 anos

A jornalista Eleonora Lucena dirigiu a “Folha de S. Paulo”, como editora-executiva, por vários anos. Sob sua direção segura, o jornal manteve a liderança no mercado brasileiro. O “The Guardian”, espécie de “Folha de S. Paulo” da Inglaterra — com muito mais influência internacional; basta lembrar do caso WikiLeaks/Julian Assange e do caso Edward Snowden —, agora terá  uma editora-chefe executiva, Katharine Viner. O jornal, de 194 anos, nunca havia sido comandado por uma mulher. Alan Rusbridger, considerado um editor brilhante, deixa o principal cargo de chefe da redação para se tornar conselheiro do grupo Scott Trust, proprietário do jornal. Katharine Viner foi eleita pelos funcionários do “Guardian”. Que fique claro, porém, que os critérios não são populistas. A jornalista é considerada de primeira linha e sabe como administrar uma redação. “Ser editora-chefe do ‘Guardian’ é um enorme privilégio e uma responsabilidade: liderar uma equipe de jornalistas de primeira classe, reconhecidos ao redor do mundo por seu trabalho excepcional, pensamento independente, análise incisiva e inovação digital”, assinala a jornalista. Celebrada como uma jornalista perfeccionista e infatigável, Katharine Viner é formada  em Jornalismo pela Universidade de Oxford. Está no “Guardian” desde 1997 e trabalhou como editora-adjunta de 2008 a 2012. Criou a sucursal do jornal na Austrália, em 2013. Até ser convocada para voltar para Londres, era a editora-chefe da edição do “Guardian” (exclusivamente online) nos Estados Unidos.

Marília Pêra, Maitê Proença, Cláudia Raia, Edson Celulari e filhos de Jorge Amado tinham conta na Suíça

O escritor Paulo Coelho confirma que tem contas no HSBC, mas os demais citados, como Jô Soares, negaram que trabalharam com o banco na Suíça

SwissLeaks revela que Jô Soares tinha 4 contas na Suíça. Apresentador diz que tem conta em Nova York

Jô Soares, apresentador de um programa de entrevista da TV Globo, tinha quatro contas numeradas no HSBC da Suíça, segundo vazamento — do SwissLeaks — divulgado no Brasil pelo jornal “O Globo” e pelo blog do jornalista Fernando Rodrigues, do UOL. As contas, segundo os documentos vazados pelo ex-técnico de informático do HSBC Hervé Falciani, foram criadas entre abril de 1988 e janeiro de 2003. Jô Soares fechou as contas entre 2006 e 2007. O vazamento do SwissLeaks mostra que as contas de Jô Soares estão ligadas “as duas pessoas jurídicas: A Lequatre Foundation, de Liechtenstein, e a Orindale Trading, nas Ilhas Virgens Britânicas. Os dados são “precisos”, mas Jô Soares contesta as informações. Ouvido pelo “Globo”, o apresentador se disse “espantado”. Ele admitiu que foi correntista do HSBC em Nova York, não na Suíça, garantiu “que todas as transações foram devidamente declaradas às autoridades fiscais e assegura que não mantém relações com a Lequatre Foundation e a Orindale Trading.

Monge exorcista de Goiás “descobriu” vudu e tentou “curar” o presidente Tancredo Neves

Com Tancredo Neves internado em São Paulo, no Incor, Gastão Neves, seu sobrinho, foi convocado por Francisco Neves Dornelles para uma missão, digamos, do “além”. “Um monge exorcista do interior de Goiás, amigo de Antônia, a secretária de Tancredo, pretendia fazer orações no apartamento que Tancredo ocupara em Brasília durante a campanha, na quadra 206 Sul”, relata José Augusto Ribeiro na biografia “Tancredo Neves — A Noite do Destino” (Record, 866 páginas). O presidente e sua mulher, Risoleta, eram católicos e o religioso só teve autorização para o exorcismo porque pertencia à Igreja Católica.

Ribeiro conta que “o monge fez as orações, mas parecia obcecado com um dos quartos e uma das camas do apartamento. Afinal fixou-se num travesseiro, cujas costuras foram rompidas e do qual ele retirou um pequeno boneco de cera, menor que o tamanho da mão de uma pessoa adulta. O boneco estava todo espetado, não com alfinetes ou pregos, mas com lascas de bambu”. O religioso ficou perturbado com a descoberta. “Ele dizia que tinham preparado três bonecos desses contra Tancredo e agora seria preciso descobrir os outros dois.”

Alguns dias depois, o monge descobriu na casa da Granja do Riacho Fundo, “para onde Tan­credo se mudara depois de eleito, um segundo boneco espetado de lascas de bambu”.
O monge avaliou que o terceiro boneco poderia estar na UTI onde Tancredo Neves estava internado. Porém, como havia outros “salvadores” mais renomados, o religioso católico não conseguiu acesso ao Incor. O boneco, espetado ou não, não foi descoberto. A busca do vudu acabou esquecida. “A UTI vivia assediada por pessoas que queriam salvar Tancredo por meios sobrenaturais — caso do místico Thomas Green Morton, que tornara famosa a saudação ou mantra ‘Rá!’, e do padre Quevedo, um especialista católico em questões de parapsicologia.”

Com o monge esquecido, e com Green Morton e o padre Quevedo afastados, surgiu a vidente Alberice Cruz dos Campos Braga. Ela teve a mesma intuição do monge de Goiás. O “Jornal do Brasil” relatou a história, anos mais tarde: “Abril de 1985. Tancredo vive sua dolorosa agonia. O país todo acompanha pelo rádio e pela TV, hora a hora, quase minuto a minuto, a evolução da doença. Grupos nervosos se formam em todas as cidades e discutem os aspectos mais diversos do caso. No Recife, num desses grupos, uma vidente explica a amigos que a doença de Tancredo é mais do que um fenômeno natural: é consequência de um caso de bruxaria — afirma com grave convicção.

“Como não se trata de uma vidente qualquer, mas de pessoa altamente conceituada entre os que acreditam em experiências místicas, sua convicção, sua certeza impressionam. Começa aí uma corrida que vai acabar no dia seguinte, a 2.724 quilômetros de distância, na Granja do Riacho Fundo, em Brasília, onde Tancredo morou, antes da posse que não houve. Corrida que, para se concretizar, envolveu um ministro de Estado (Fernando Lyra, da Justiça), seu chefe de gabinete e futuro reitor da Universidade de Brasília (Cristovam Buarque), o procurador-geral da República (Sepúlveda Pertence), o presidente da Fundação Petrônio Portella (D’Alembert Jaccoud), a Polícia Federal e o Exército. E terminou, nos jardins do Riacho Fundo, quando se achou — e isso é que impressiona — toda a parafernália da bruxaria em local indicado sem hesitação pela vidente que viajara de tão longe.”

O material da bruxaria “compunha-se de charutos, cabaças, velas amarelas, pretas, vermelhas e roxas, enxofre e cabelos de defuntos”. Alberice Cruz disse que era “uma coisa terrível”. Ribeiro conta que “a vidente, ao ver tudo desenterrado, sentiu ‘um frio na espinha e uma catinga de enxofre e chifre queimado’”.

Depois de contar a história da vidente, Ribeiro frisa que “um adepto verdadeiro da bruxaria ou da magia negra, que odiasse Tancredo Neves a esse ponto ou que tivesse sido contratado para tal trabalho, não teria acesso aos jardins do Riacho Fundo pelo tempo necessário para escavá-los, enterrar aquela coisa toda e refazer a superfície do gramado. Se tal raciocínio for aceito, a explicação que decorre imediatamente dele é que se tratava de uma falsa bruxaria, de uma falsa ação de magia negra — uma simulação produzida pelos mesmos agentes dos grupos radicais dos órgãos de segurança que antes haviam produzido episódios como o do pistoleiro boliviano de Goiânia, o caixote de cocos entregue na porta do avião de Tancredo em São Paulo, a tomada desplugada no avião em que viajaria o general Lêonidas e os bonequinhos espetados de lascas de bambu, um no apartamento onde Tancredo morara até a eleição e outro na Granja do Riacho Fundo, para onde ele se mudara depois de eleito”.

Qual era o objetivo? “Intimidar e chantagear, pela demonstração da vulnerabilidade, primeiro, do candidato e, depois, do próprio presidente eleito”, escreve Ribeiro.

Tancredo não foi assassinado. A Comissão de Sindicância do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo concluiu que Tancredo não foi envenenado. O presidente morreu provavelmente devido a erros médicos. No dia da primeira cirurgia, o principal cirurgião havia esquecidos os óculos em sua casa. Um grupo de médicos ficou no subsolo do Hospital de Base de Brasília e um grupo ficou noutra área, o que provocou discussão. Antes, fizeram um diagnóstico errado, avaliando que o político de 75 anos tinha apendicite, quando era um tumor benigno, um leiomioma. A cirurgia foi feita de maneira errada. O clima de mistério sobre a morte do político que “derrotou” a ditadura civil-militar beneficia sobretudo os médicos que o operaram. “O Caso Tancre­do Neves — O Paciente” (Cultura, 381 páginas), de Luís Mir, historiador e especialista em atendimento médico do trauma, não contém uma linha de sensacionalismo, mas deixa muito mal os médicos que “cuidaram” do paciente.

Provável corrupção do PSDB na Petrobrás também precisa ser investigada com rigor

Percebo jornalistas alvoroçados nas redes sociais porque o PSDB começa a ser citado por operadores da corrupção na Petrobrás. Diz-se, comumente: “O PT quer desviar o foco”. É um equívoco. É preciso verificar a corrupção de integrantes do PT, do PMDB, do PP, mas também a do PSDB. Ao contrário dos outros três partidos, o PSDB é o sr. da pureza? Não é, possivelmente. Não é crível que o PT tenha inventado todo o processo de corrupção na Petrobrás. É provável que, antes, existia um esquema corrupto. Tudo indica que o PT, com seus aliados, apenas o potencializou, e de maneira “extraordinária”, é certo. A Setal Engenharia e Construções e o executivo Augusto Mendonça, ex-dirigente da Toyo Setal, admitiram que o cartel para participar de licitações na Petrobrás funcionava “desde o final dos anos 1990” (segundo texto do “Estadão”). Noutras palavras, o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso — o que não quer dizer que o tucano esteja envolvido — também é suspeito de participação nas falcatruas investigadas pela Operação Lavajato.

Dora Kramer pediu licença do Estadão porque estaria enciumada de Eliane Cantanhêde?

dora kramer A colunista Dora Kramer, do “Estadão”, ficou conhecida por cobrar transparência de políticos. Recentemente, pediu licença do jornal, mas sem esclarecer seus motivos. Daí começaram as especulações. Há várias versões. Primeiro, estaria enciumada com a chegada de Eliane Cantanhêde, que, de fato, tem feito análises precisas do quadro político nacional. Ressalve-se que os estilos são diferentes e o jornal poderia agasalhar as opiniões das duas colunistas sem nenhum problema. Segundo, estaria com problemas de saúde — o que ela nem o jornal confirmam. Terceiro, teria rejeitado uma proposta para escrever apenas nos fins de semana. Hipótese também não confirmada. Quarto, sua cabeça teria sido pedida pelo governo petista. Hipótese implausível, porque “O Estado de S. Paulo” tem se comportado de maneira crítica, em bloco, em relação ao governo da presidente Dilma Rousseff, do PT. O que está acontecendo de fato não se sabe, pois Dora Kramer, rainha da transparência, nada diz, contrariando seus notáveis comentários.

Revista Piauí vai publicar perfil de Eduardo Cunha, o Ulysses Guimarães da savana

A repórter Carol Pires está escrevendo um perfil do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para a revista “Piauí”. Como o perfil não será laudatório, por isso não o ajudará no contencioso com o governo da presidente Dilma Rousseff e com a Procuradoria Geral da República, Eduardo Cunha não se interessou em conversar com a jornalista. Porém, como é uma repórter notável e, como Gay Talese, não desiste ante a primeira barreira, Carol Pires ouviu adversários e aliados de Eduardo Cunha e certamente escreverá um perfil preciso do Ulysses Guimarães da savana ou do deserto.

Mario Sergio Conti consegue controlar o estilo tratoraço de Eduardo Cunha

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é uma espécie de trator político. Acossado, reage batendo. Entrevistado pelo jornalista Mario Sergio Conti, do programa “Diálogos”, na GloboNews, o peemedebista adotou um estilo agressivo, levemente ameaçador, mas não deu certo. Mario Sergio Conti, ex-editor da revista “Veja” e da revista “Piauí”, além de tradutor de Marcel Proust, comportou-se de maneira tranquila, sem nenhuma agressividade, e não permitiu que Eduardo Cunha se comportasse como se estivesse admoestando um deputado novato na Câmara dos Deputados. Fez as perguntas apropriadas e praticamente obrigou Eduardo Cunha a dizer mais do que estava disposto. Eduardo Cunha sustenta que não faz oposição à presidente Dilma Rousseff. De fato, não faz, pois não quer romper. O que o deputado e seus principais aliados, como o mais hábil Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros, querem é outra coisa: subordinar o frágil governo da petista-chefe. Não querem romper, porque não sabem sobreviver na oposição. São homens do poder, quer dizer, nasceram para viver grudados nos que estão no poder.

Consórcio de jornalistas e não um ‘pool’ de jornais

Alberto Dines   Quatro circunstâncias foram decisivas para convencer a equipe do programa de TV do Observatório da Imprensa a pautar o Caso SwissLeaks na edição levada ao ar na terça-feira (10/3, remissão abaixo): [relacionadas artigos="31252, 31255 "] 1. O enorme interesse suscitado pelo megavazamento na imprensa internacional, sobretudo europeia, e a decisão do Comitê de Redação do prestigioso Le Monde de publicar a lista de todos os correntistas, a despeito do veto simbólico dos acionistas majoritários. 2. A visível hesitação da grande mídia brasileira em entrar com vontade no assunto apesar de sua evidente importância. 3. O ineditismo dos procedimentos adotados pelos detentores da lista (Le Monde) entregando-a ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), entidade formada por 185 repórteres investigativos em 65 países, desde que cada nome fosse previamente investigado pelas seções nacionais a fim de evitar equívocos e injustiças. A decisão contrariava frontalmente a práxis vigente em nossos jornais de reproduzir integralmente – sem qualquer averiguação preliminar – as denúncias secretas que chegavam às redações com dossiês, vídeos, cassetes e fitas. O fenômeno levou este observador, em fins dos anos 1990, a batizá-lo como “jornalismo fiteiro” – em que o repórter é apenas um intermediário passivo. 4. Ao saber que o jornalista Fernando Rodrigues, ex-colunista da Folha de S.Paulo, responsável por um blog no portal UOL e um dos mais empenhados criadores da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) fora escolhido pelo ICIJ para coordenar a operação brasileira, a produção do programa prontamente assegurou a sua participação e, logo em seguida, a da ombudsman da Folha, Vera Guimarães Martins, que já tratara do assunto em coluna recente (em 1/3, ver “Teoria conspiratória nº 8.667”). Garantidas as participações em Brasília (FR) e São Paulo (VGM), faltava ao time um debatedor carioca, vaga logo preenchida quando a produção foi informada que o repórter investigativo do Globo Chico Otávio, profissional premiado e participante habitual do programa, acabara de ser convidado pelo ICIJ para participar da rede de investigadores.

Primado da independência

O programa foi exibido na terça-feira (10/3) e tratou principalmente das questões centrais: o prudente procedimento adotado pelo consórcio detentor da megalista, contrariando a velha rotina do “jornalismo fiteiro” adotada arbitrariamente pelos porteiros de nossas redações ao publicar denúncias sem um mínimo de investigação prévia. A outra questão atendia às insistentes reclamações de outros profissionais independentes, principalmente blogueiros, que consideravam injusta a exclusividade concedida aos dois conhecidos jornalistas. Queriam a socialização do “furo”. Quatro dias depois (sábado, 14/3), o Globo publicou com grande destaque na capa e página inteira do primeiro caderno a lista dos 22 empresários de mídia, herdeiros e cônjuges que mantêm ou mantiveram contas numeradas no HSBC suíço, além de sete jornalistas. Entre estes, e apresentados como “Família Dines”, os quatro filhos deste observador residentes no exterior há três décadas (menos um), sem contas bancárias no país, sem rendimentos locais. Classificados honrosamente como “jornalistas independentes”, apenas dois são formados em jornalismo, porém afastados da profissão há pelo menos 15 anos. [Veja abaixo a íntegra da contestação deste observador publicada neste OIna noite do mesmo sábado.] Até o momento o Globo não se retratou, achou perfeitamente válido o seu aberrante código de ética e seus critérios editoriais exibidos com tanta desfaçatez. No entanto, passada uma semana do programa, seu editor-responsável e apresentador assume um grave erro: escapou do debate um dado crucial – o quadro de associados do ICIJ é restrito a JORNALISTAS, não está aberto a JORNAIS, empresas com seus interesses nem sempre os mais nobres. E o que aconteceu naquele sábado foi uma clara intervenção da direção do jornal O Globo no trabalho do seu veterano repórter Chico Otávio. Ele, sim, jornalista independente, sem aspas. A matéria foi editada e manipulada por ordem do “aquário”. Isto salta à vista quando se compara o estilo narrativo do repórter – incisivo, factual, claro – com a montagem infanto-juvenil no estilo de infográfico publicada no sábado. Chico Otávio é professor de jornalismo na PUC-Rio, repórter puro-sangue, seus chefes/editores não têm o direito de macular seu currículo utilizando um autêntico jornalismo marrom no estilo da revista Escândalo, denunciada pelo falecido Diário da Noite (Rio) e fechada pela polícia em 1963. Além da desobediência à cláusula pétrea do Consórcio Internacional de JORNALISTAS Investigativos, configura-se outra transgressão: o sistema de pool empresarial é antijornalístico, inconfundivelmente monopolista e corporativista. Os jornalistas associados ao ICIJ têm o direito de compartilhar informações, as empresas nas quais trabalham (ou das quais são parceiros), não podem fazer jogadas combinadas. Isso é lobismo. Prova: na sexta-feira (13/3), véspera da patifaria, o Globo revelou em manchete que o crime organizado e a contravenção tinham dinheiro na Suíça (págs. 3 e 4). A matéria é vintage Chico Otávio. A Folha não a reproduziu. Mas reproduziu secamente, à sua maneira, no dia seguinte, as informações sobre contas de empresários, cônjuges, herdeiros de grupos de comunicação e jornalistas (sem citá-los, caderno “Mercado”). Está evidente que houve uma combinação entre os jornais para explorar o mesmo tema simultaneamente. Embora Fernando Rodrigues tenha nomeado em seu blog os mesmos não-jornalistas, evitou inferências infames a respeito dos sobrenomes. O Brasil tem o dom de avacalhar tudo. Inclusive um magnifico exemplo de cooperação jornalística internacional. O ICIJ vai ser informado. Jornalismo investigativo deve ser obrigatoriamente independente. Se não é independente não pode ser plenamente investigativo.

Lista dos jornalistas e empresários de mídia com contas no HSBC na Suíça

O UOL e “O Globo” publicaram os vazamentos do SwissLeaks sobre os brasileiros que têm ou tiveram contas no HSBC na Suíça (ressalve-se que ter contas no exterior não é crime, desde que estejam declaradas à Receita Federal e notificadas ao Banco Central). São pelo menos 22 empresários e sete jornalistas. Mona Dorff nega ter conta no HSBC. Alguns já morreram. [relacionadas artigos=" 31252, 31253 "] Alexandre Dines — Filho do jornalista Alberto Dines; Aloysio de Andrade Faria — Grupo Alfa (Rede Transamérica); Anna Bentes — Foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete; Arnaldo Bloch — Jornalista de “O Globo”; Arnaldo Dines — Filho de Alberto Dines; Carlos Cadeira Filho (falecido em 1993) — Grupo Folha; Debora Dines — Filha de Alberto Dines; Dorival Masci de Abreu (morto em 2004) — Foi proprietário da Rede CBS de rádios (Scalla, Tupi, Kiss e outras); Edson Queiroz Filho (falecido em 2008) — Grupo Edson Queiroz; Fernando João Pereira dos Santos — Grupo João Santos (TV e Rádio Tribuna — no Espírito Santo e em Pernambuco — e o jornal “A Tribuna”); João Jorge Saad (morto em 1999) — Fundador da Rede Bandeirantes; João Lydio Seiler Bettega — dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná; José Roberto Guzzo — Jornalista, diretor editorial da Editora Abril e colunista da revista “Veja”; Lenise Queiroz Rocha — Grupo Edson Queiroz (TV Verdes Mares e “Diário do Nordeste”; Liana Dines — Filha de Alberto Dines; Lily de Carvalho (morreu em 2011) — Viúva de Horácio de Carvalho (“Diário Carioca”) e de Roberto Marinho (Organizações Globo); Luiz Fernando Ferreira Levy — Foi proprietário do jornal “Gazeta Mercantil”; Luiz Fernando Luiz Vieira de Mello (falecido em 2001) — Ex-Rádio Jovem Pan; Luiz Frias — Presidente da Folha e CEO do UOL (conta encerrada em 1998); Maria Helena Saad Barros (falecida em 1996) — TV Bandeirantes; Mona Dorff — jornalista; Octavio Frias de Oliveira (morto em 2007 — Grupo Folha (edita a Folha de S. Paulo, UOL e Valor Econômico); Paula Frota Queiroz — Grupo Edson Queiroz; Ratinho (Carlos Roberto Massa) — Dono da Rede Massa (afiliada ao SBT no Paraná); Ricardo Saad — Filho de João Jorge Saad; Silvia Saad Jafet — Sobrinha de João Jorge Saad; Solange Martinez Massa — Mulher de Ratinho; Yolanda Vidal Queiroz — Grupo Edson Queiroz.

Vazamentos suíços, canalhices brasileiras

Alberto Dines  [Publicado originalmente em 14/3/2015] Para mostrar-se isento, imparcial, impecável e imaginando que fazia história, a edição de sábado (14/3) de O Globo resolveu escancarar suas culpas e revelar os nomes dos empresários de mídia, herdeiros, cônjuges e jornalistas que mantinham contas secretas na Suíça. Entre os sete profissionais vivos estão os quatro filhos deste observador agrupados como “Família Dines”. Embora classificados como “jornalistas independentes”, adultos e efetivamente independentes, aparecem identificados pelo nome do pai que apenas se prontificou a prestar esclarecimentos ao repórter já que três deles vivem no exterior há cerca de 30 anos, não têm conta bancária nem declaram rendimentos no Brasil. O mesmo e perverso sistema que consiste em identificar as proles pelo nome dos pais não foi usado ao mencionar a conta secreta da falecida Lily de Carvalho, viúva do também falecido Roberto Marinho, cujos três filhos comandam o mais poderoso grupo de mídia da América Latina. Seguindo a infame lógica que levou o jornal a colocar este observador no meio de supostos infratores, também os filhos de Roberto Marinho – o primogênito Roberto Irineu Marinho, o filho do meio João Roberto Marinho e o caçula José Roberto Marinho (ou um deles em nome dos demais) – deveriam ter sido nomeados e feito declarações para explicar os negócios da madrasta. O certo seria dar voz a João Roberto Marinho (que fala em nome da empresa e dos acionistas majoritários além de comandar o segmento da mídia impressa) para dar as explicações que o Globo generosamente preferiu encampar no próprio texto da matéria para não macular a imagem do grande chefe. João Roberto Marinho é uma figura decente, este observador assim se considera igualmente. João Roberto Marinho foi poupado pelos subordinados; já este observador foi incluído numa relação precária, suspeita, e que, além disso, diz respeito apenas a correntistas e/ou beneficiários.

História suja

[relacionadas artigos=" 31253, 31255 "] Onde está a equidade, a isonomia? Ficou no aquário da redação alimentando a hipocrisia e a onipotência dos que se sentem senhores do mundo e da verdade. Ao jornalista profissional, crítico da mídia, persona non grata para os barões da imprensa e seus apaniguados, o rigor deste insólito código que se serve de um sobrenome para avacalhar todos os que também o usam. Nas contas deste observador há no Brasil outros oito membros da honrada família Dines que nada têm a ver com o caso HSBC. Ao falar de Roberto Marinho ou Octavio Frias de Oliveira, suas respectivas proles – por cavalheirismo – foram poupadas. Este observador vive do seu salário de jornalista há 63 anos. Numa idade em que outros vivem dos direitos autorais, poupança ou investimentos, este profissional vive dos rendimentos de um PJ (pessoa jurídica) sem direito a férias, plano de saúde e outras regalias dos celetistas. Há 17 anos consecutivos é obrigado a passar dois dias por semana no Rio e nos demais trabalhando dez ou doze horas diárias para obter o suficiente para viver com algum conforto. Se os meus filhos fossem “laranjas” como alguns idiotas das redes sociais tuitaram, as obras de sua casa no Rio – único bem que possuo –, paradas há mais de um ano, já estariam terminadas e o estresse das viagens, eliminado. Meus filhos são adultos, com mais de 50 anos, solteiros, independentes. Nunca perguntei quanto herdaram, quanto guardavam, nem onde. Não tenho conta na Suíça, não tenho poupança, CBDs, ações, investimentos nem no Brasil nem em lugar algum. Meus filhos têm mais de 50 anos, vivem no exterior há cerca de 30 anos (exceto o caçula, no Rio, beneficiário dos irmãos). Os valores foram herdados da mãe, com quem fui casado em regime de total separação de bens, e de quem me separei em 1975. Eles estão pagando por causa das trapalhadas dos parentes maternos (a família Bloch) e o pai, que deles se orgulha, envolvido numa história suja armada por empresas jornalísticas que, para limpar o seu nome, não se importam em macular a vida, carreira, escrúpulos e sacrifícios de outros. Pretendo continuar a viver da minha profissão, renda ela o que render, porque para mim jornalismo não é apenas sobrevivência. É opção de vida limpa, digna, honesta.

Em Tempo

O que significa ‘jornalista independente’? Na relação das “contas secretas” no HSBC suíço divulgadas no sábado (14/3) pelo Globo e pelo blog de Fernando Rodrigues no UOL há 22 empresários de mídia e sete jornalistas: quatro deles classificados como “jornalistas independentes” e com o sobrenome Dines. Qual o critério que norteou esta classificação profissional se apenas dois deles têm diploma de jornalismo, mas deixaram o seu exercício há pelo menos 15 anos? A explicação é simples: se arrolados em outra relação, a lista dos profissionais sairia ainda mais mirrada e a dos empresários ganharia ainda mais relevância. Para equilibrar e mostrar que empresários e jornalistas são farinha do mesmo saco foi preciso forçar uma qualificação profissional enganosa só porque com o mesmo sobrenome há um conhecido jornalista na ativa. Vale tudo.

Reflexões sobre a atoíce

João Domingos Araújo joao Pessoas, durante um período razoável amadureci a ideia de deixar o jornalismo diário. Conversei seguidamente a respeito com minha companheira, Elza Pires, com meus filhos Maíra Cirineu e Saulo Cirineu Araújo. Deles recebi apoio total desde o primeiro momento em que manifestei a intenção de me afastar do jornalismo diário, uma das únicas coisas que me viram fazer durante toda nossa convivência. Dos meus 58 anos de vida, 36 foram na reportagem. Destes, 22 no Estadão, sendo oito numa primeira etapa (1990 a 1998, dois anos em O Globo e um na Gazeta Mercantil) e 14 na segunda etapa, de 2001 até agora. Gosto do que fiz, gosto do que faço. Saio num momento bom, o que é muito bom. Saio sem atritos dentro do Estadão. Ao contrário, ficam o coleguismo, o respeito e muita admiração, como, por exemplo, por Tania Monteiro, com a qual trabalhei entre 1985 e 1988 na Folha de S. Paulo, nós dois tão jovens. Eu agora entreguei os pontos, ela não. Ainda trabalha como uma louca. No período em que maturei a possibilidade de sair, tive longas conversas com Marcelo de Moraes sobre dúvidas que me passavam pela cabeça e coisas semelhantes. Quase sempre recebi dele uma bronca sincera, além das sugestões para que eu pensasse e repensasse o que pretendia fazer. Cheguei mesmo a imaginar que não conseguiria arrancar o "sim" do chefe (ô descasamento difícil). No final, minha persistência o cansou. Marcelo tem uma grande mão de comando. E uma grande equipe para comandar. Mescla repórteres experientes com jovens, jovens que são excepcionalmente bons e que trabalham tanto que muitas vezes não têm tempo para adoecer. A vida de um repórter tem altos e baixos, todos devem ter consciência disso. E nem sempre é uma festa. Mas o que fica na lembrança é a da festa. Por isso, vou sentir muita saudade das portas do Renan, do Temer, do Alvorada, de qualquer uma. É nesses momentos de tempo infinito debaixo de sol e de chuva que muita gente se conhece. E eu, nesses oportunidades, e já com meus 58 anos, pude fazer contato com meninos e meninas mais novos que meus filhos - e se eu brincasse um pouco mais, daqui a pouco da idade do meu neto. Acho que chegou a hora de deixar para eles, a garotada que chega, o espaço que terão de buscar, porque é essa nova geração que vai definir o futuro do jornalismo, se será como o conhecemos hoje ou alguma coisa muito mais sofisticada, se em preto e branco ou em 3D - e tomara que a coisa funcione, porque o 4G é uma merda. Sentirei saudades das portas, como disse, e talvez até dos plantões de fim de semana, com aqueles dias ensolarados e a gente dentro de uma redação trabalhando. Sentirei saudades sim dos plantões, mas terei a certeza de que não terei mais de produzir notícias quentes e inéditas. Ah, isso já me dá uma satisfação danada. Nos últimos dois dias, recebi ligação telefônica de quase todos os colegas do Estadão. Até de um, Ricardo Brito, que estava na fila do embarque para Turim. Vou pagar a todos eles com uma galinhada com pequi uns dias mais à frente. Também recebi manifestações por parte de colegas de quase todos os outros jornais, revistas, online, etc.Me lembrei que no começo, há 36 anos, a gente trabalhava numa máquina de escrever. Redação nenhuma tinha tantas para tantos repórteres. Então, um azarava a máquina do outro até ela quebrar. Hoje todos têm seus laptops, seus smartphones e seus dedos ágeis para escrever a matéria ali, ao vivo, enquanto a autoridade fala. Do período da máquina de escrever para cá travei uma séria batalha contra os chavões e lugares comuns. Quase sempre perdi. Mas não posso deixar de dizer para os que estão chegando: evitem qualquer tipo de chavão e lugar comum. Verão que o texto vai ficar muito melhor. De resto, obrigado a todos os que se manifestaram e também para os que não se manifestaram. Sai uma geração, entra outra. Eu, amigos, vou curtir a vida. Estava na hora. Bjs a todos. João Domingos Araújo, ex-repórter do “Estadão”, trabalhou em Goiás. O texto foi extraído de seu Facebook.