Bastidores
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A candidata do PT a prefeita de Goiânia, Adriana Accorsi, é uma política serena e avessa a agressões políticas, sobretudo se houver conotações pessoais. Porém, não lhe resta alternativa: a partir de agora, a militância do PT e ela própria vão partir para cima do Delegado Waldir Soares, postulante do PR. O motivo é prosaico: o candidato do PSB, Vanderlan Cardoso, tende a crescer, descolando-se de Waldir e aproximando de Iris Rezende. Portanto, se não crescer nos próximos dez dias, aproximando-se e superando o delegado-deputado, a petista pode adeus ao pleito. Porém, se conseguir ganhar o terceiro lugar do líder do PR, criando expectativa de poder, terá condições de se aproximar de Vanderlan Cardoso.
Depois de sua prisão no Rio de Janeiro, Carlos Cachoeira, que se intitula a nova Geni da política brasileira — teme que seja preso por crimes cometidos no século 19 —, voltou para sua residência no Residencial Cruzeiro, em Alphaville. Um político goiano conversou demoradamente com o empresário, que alterna dois momentos. Primeiro, quando fala de suas duas paixões, a filha bebê, Clara, e a mulher Andressa Mendonça, é só alegria e contentamento. Segundo, quando comenta sobre sua prisão, permanece magoado. Ele tem dito que nada tem a ver com obras no Rio de Janeiro, seja no Maracanã ou noutro lugar, em sociedade com Fernando Cavendish. O político percebeu que não está pintando o cabelo, está mais magro, mas permanece sereno, dialogando com tranquilidade.
Por enquanto, o quadro indicado pelas pesquisas não autoriza tanto entusiasmo, mas é fato que o candidato do PMDB, Gustavo Mendanha, segundo tanto Serpes quanto Grupom, começa a descolar dos demais postulantes, Marlúcio Pereira (PSB), cuja rejeição parece intransponível, e o tucano Alcides Ribeiro (que, brincando, chamam de Rabeira, por ser o último colocado). Os peemedebistas estão acometidos pela febre “primeiroturnite”. “É contagiante”, diverte-se um mendanhista.
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Fica-se com a impressão de que, se Lúcifer aparecesse em Nerópolis — como o Belfagor de Maquiavel apareceu na Itália — e dissesse: “Fabiano da Saneago, quer o meu apoio?”, o prefeito responderia: “Só se for agora!” O que parece brincadeira tem lógica. Fabiano da Saneago governou a cidade, nos últimos quatro anos, com o apoio do governador Marconi Perillo (PSDB). Mas agora entregou o comando de sua campanha para os principais líderes do PMDB de José Nelto, que banca o seu vice, Wendell Araújo; do DEM de Ronaldo Caiado e do PRP de Jorcelino Braga. Em 2018, o prefeito, que deve sair do PSDB, planeja apoiar a candidatura de José Nelto para deputado federal e a de Caiado a governador. Um vereador afirma que Ramon Xavier, primo do senador, e o médico Walter Luiz, ligado a Jorcelino Braga, estão na linha de frente da campanha. O favorito para prefeito é Gil Tavares, do PRB, que tem um vice do PSD, o médico Luiz Alberto. Mas Fabiano é populista e aprendeu a fazer política.
O prefeito de Catalão, Jardel Sebba, do PSDB, pode até não ser o favorito (mas está em ascensão). Mas seu programa de TV é ágil, consistente e de plástica irretocável. O programa de Adib Elias é conhecido como “Circo dos Horrores”. O peemedebista dirige um programa mambembe, lembrando vídeos amadores da década de 1980. Um radialista, com voz cavernosa, narra o programa, como se fosse apresentador de circo. É falta mais de criatividade do que de dinheiro. Pesquisas qualitativas indicam que Jorcelino Braga errou a mão.
O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e o presidente do PMDB de Goiás, Daniel Vilela, persistem mantendo um distanciamento prudente da campanha de Iris Rezende para prefeito de Goiânia. O fato é que iristas sublinham, com todas as letras, que não precisam deles na campanha. O deputado José Nelto, que não é irista — é danielista —, é o único que tenta aproximá-los da campanha. Daniel Vilela, que tem andado por todo o Estado — o Jornal Opção localiza-o nos vários cantos do Estado com frequência —, até agora, só participou de uma carreata. Maguito Vilela não participou de nenhuma reunião, concentrando-se na política de Aparecida e de Jataí (que fica mais longe do que Goiânia).
Do sempre bem-humorado deputado estadual Santana Gomes: “O delegado Waldir Soares deve se preparar para o pós-2 de outubro. Até seus eleitores começarão a chamá-lo de Deletado Waldir”. Brincadeira à parte, o parlamentar do PSL afirma que tem respeito pelo político. “Só que não é a sua hora, que pode ser em 2020.”
O deputado federal Sandes Júnior esteve em Rio Verde recentemente e faz um depoimento: “Fiquei impressionando o que chamado ‘volume’ da campanha do deputado Heuler Cruvinel [candidato a prefeito pelo PSD]. Na questão de sitrus, é três por um. Ele temais candidatos a vereadores e, sobretudo, são políticos que têm votos. Nas ruas, pude ver o povão dizendo que vai votar no Heuler, porque se trata de um político jovem, moderno e determinado. Acrescento que 11 deputados federais fizeram um compromisso de colocar emendas no Orçamento da União dirigidas para Rio Verde. Gravei o ministro da Saúde, Ricardo Barros, do PP, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do PP, respaldando sua candidatura. Os vídeos foram usados na campanha. Heuler em uma vice articulada, a vereadora Maria José, do PSDB, e tem o apoio do governador Marconi Perillo. Eleito, Rio Verde estará nas mãos de um político capacidade e que tem prestígio local, estadual e nacional — isto é importante para quem vai administrar o município mais importante, em termos políticos e econômicos, do Sudoeste”.
O deputado federal Sandes Júnior diz que tem andado com Vanderlan Cardoso, candidato do PSB a prefeito de Goiânia. “O que mais impressiona é como é bem recebido pelos eleitores. Percebo que, na capital, se terá segundo turno entre Iris Rezende, do PMDB, e Vanderlan Cardoso. O segundo turno, como se sabe, é outra eleição, com outra expectativa de poder. Como o voto de Vanderlan é consistente, e ele está em ascensão, é muito provável que, numa disputa direta com Iris, seja eleito. No segundo turno, toda a base governista estará em peso em sua campanha — o que, sem dúvida, fará a diferença. Fora Aparecida de Goiânia e Anápolis, nas outras cidades não se terá segundo turno. Então, políticos de várias cidades estarão na capital trabalhando, voluntariamente, para Vanderlan”.
O candidato do PSDB a prefeito de Uruaçu, Valmir Pedro, diz que é preciso “ficar muito claro a respeito de quem de fato representa a base governista no município. Sou o candidato do governador Marconi Perillo e tenho vídeos gravados com ele afirmando isto”. As palavras de Valmir Pedro são uma estocada no candidato Machadinho, do DEM. Na semana passada, o Jornal Opção publicou uma fotografia, na qual aparecem Machadinho, Benitez Calil, Lucas Calil e o presidente da Agetop, Jayme Rincón. “Na verdade, Machadinho é o candidato de Ronaldo Caiado e, em 2018, vai apoiá-lo para governador. Esclareça-se ao Lucas Calil que ele já tem candidato a deputado estadual em Uruaçu. Não dá para ficar fingindo que se pertence à base marconista quando, de fato, se pertence à base caiadista.” O deputado federal Thiago Peixoto esteve em Uruaçu e ficou impressionado com a campanha de Valmir Pedro. “Agora, entendi porque é o favorito. Quando vai fazer comício num bairro, antes visita todas as casas e conversa com todas as pessoas, com uma fineza de trato que impressiona. É muito bem recebido e toda a Uruaçu costuma dizer: ‘Agora é a vez de Valmir Pedro’. É o que vi, ouvi e percebi.”
O candidato do PSDB a prefeito de Uruaçu, Valmir Pedro, é apontado como “favorito” e tem uma campanha mais volumosa e empática. Mas a surpresa do pleito é o aparecimento do candidato do DEM, Machadinho, que começa a polarizar com ele. Valmir Pedro e Machadinho deixaram a prefeita Solange Bertulino — que os adversários chamam de Bertulonge —, do PMDB, e o candidato do PTB, Lourenço Neto, para trás. A disputa será, até o final, entre eles. No momento, pelo menos, não há como dizer que um está eleito e o outro está derrotado. Eles têm chances parecidas. Independentemente dos números atuais das pesquisas.
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Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção[/caption]
Todos os líderes da base do governador Marconi Perillo, exceto os do PSD, que tem candidato a prefeito, estão na campanha de Vanderlan Cardoso para prefeito de Goiânia. Mas uma falta tem sido sentida. O presidente do PHS, Eduardo Machado, é sempre convidado para participar de comícios e caminhadas, mas está sempre viajando.
Presidente nacional do PHS, Eduardo Machado praticamente não faz mais política em Goiás. A sorte é que o partido tem o deputado estadual Jean Carlo, que mantém ligações fortes com a base do governador Marconi Perillo. Por isso, é cotado como fortíssimo candidato a deputado federal em 2018.
O PHS conta também com o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Marcelo Augusto, que está na linha de frente da campanha de Vanderlan Cardoso. Ele disputa mandato de vereador e está na lista dos favoritos. Mas todos perguntam: “Cadê o Eduardo Machado?” Aí os líderes do partido respondem: “Tomou Doril!”
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Antônio Gomide e João Gomes: juntos na campanha de 2016 | Foto: reprodução[/caption]
O ex-prefeito Antônio Gomide prova que transfere voto mesmo em Anápolis. Ao assumir a campanha do prefeito João Gomes (PT) como principal general eleitoral, como porta-voz e até como marqueteiro, dando os rumos das ações, o petista cresceu e descolou do segundo colocado.
Antônio Gomide é mesmo a grande estrela política de Anápolis, superando até mesmo o hermano Rubens Otoni, deputado federal.
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Foto: André Costa[/caption]
A surpresa tem sido, nos últimos dias, a ascensão de Roberto do Orion, candidato do PTB a prefeito de Anápolis. Não é um crescimento que assuste Carlos Antônio, do PSDB, e Pedro Canedo, do DEM. Mas é fato que cresceu.
O espantoso mesmo é a queda de Carlos Antônio e Pedro Canedo, que, aos olhos dos eleitores, deixaram de ser uma alternativa ao prefeito João Gomes, do PT.
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Foto: Fernando Leite[/caption]
O advogado Abelardo Vaz (PP), não há a menor dúvida, é o melhor candidato a prefeito de Inhumas e deve ser eleito com certa facilidade. Por isso, é estranha a sordidez de sua campanha contra o prefeito Dioji Ikeda (PDT).
Gentleman, Abelardo Vaz é afável no trato e sempre manteve uma relação cordial com Dioji Ikeda, nunca atacando-o. Agora, embora seja o favorito, permite que sua equipe de marqueteiros ataque, com extrema grosseria, a família do prefeito, notadamente sua mulher (que está grávida).
Não se trata do Abelardo Vaz que se conhece em Goiânia. Ou talvez seja possível sugerir que há dois Abelardos — um, o da capital, de rara lhaneza, e o de Inhumas, adepto das velhas grosserias dos coronéis políticos de outrora.
Abelardo Vaz é do bem e é digno. Espera-se que retome sua verdadeira personalidade.

