Bastidores
A cola que une sua ampla base política — com sete grupos que não se entendem — é exatamente o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Porém, como o tucano-chefe não disputa o governo em 2018, os grupos estão alvoraçados, prometendo voos solos. Separadamente, os grupos podem ser tornar presas fáceis para a oposição. Unidos, são fortes e ganharam cinco eleições seguidas para governador.
1 — O grupo do deputado federal Jovair Arantes, do PTB, saiu forte das eleições de 2016. Elegeu prefeitos de cidades importantes, como Águas Lindas e Itumbiara, e fincou um pé em Anápolis, com Roberto Naves. Se for eleito presidente da Câmara dos Deputados, cacifa-se para o Senado.
2 — O grupo da senadora Lúcia Vânia controla dois partidos, o PSB e o PPS (dirigido pelo deputado federal Marcos Abrão). Antes era integrante do grupo de Marconi Perillo, agora é líder de um grupo forte. Elegeu os prefeitos de Nova Veneza e Cristalina, entre outros. Objetivo: eleger Lúcia Vânia para o Senado. Dependendo do quadro, pode disputar até o governo.
3 — O grupo do vice-governador e secretário de Segurança Pública, José Eliton, do PSDB, está em expansão e tende a crescer a partir do fim de 2017. Ele vai assumir o governo em abril de 2018. Participam do grupo o deputado Giuseppe Vecci, os conselheiros do TCE Kennedy Trindade e Helder Valin, Jardel Sebba, Tião Caroço, entre outros. Objetivo número um: disputar o governo. Ambição: reunir toda a base. Articula com eficiência.
4 — O grupo de Vilmar Rocha e Thiago Peixoto, incluindo Francisco Júnior, dirige o PSD. Saiu fortalecido do pleito de 2016, pois elegeu mais de 20 prefeitos — um deles Cristovam Tormin, de Luziânia. Pleiteia duas coisas para obter uma: Vilmar Rocha para senador ou Thiago Peixoto para vice de José Eliton.
5 — Magda Mofatto, do PR, montou uma grande estrutura no Estado, independentemente de resultado eleitoral. Entre seus aliados estão os deputados Cláudio Meirelles e Waldir Soares. Só tem um objetivo: a disputa do Senado.
6 — O senador Wilder Morais, do PP, enfrenta problemas. O deputado federal Roberto Balestra e o prefeito eleito de Inhumas, Abelardo Vaz, não o apoiam. Tem duas metas: ser candidato à reeleição ou, se não der, ser suplente de Marconi Perillo.
7 — O grupo do deputado federal João Campos, do PRB, inclui vereadores em Goiânia e o apoio da Igreja Universal e da Assembleia de Deus. Quer ser senador.
O senador Ronaldo Caiado e Maguito Vilela poderão ser vistos pelos eleitores como forças tradicionais. Podem até sair na frente, mas tendem a se desidratarem
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Paulo Garcia: a história provavelmente o “absolverá” | Renan Accioly[/caption]
O julgamento justo da história se faz no futuro, não no presente, quando as emoções às vezes não permitem avaliações racionais, até frias. Paulo Garcia deve deixar a Prefeitura de Goiânia mal avaliado pela população. Trata-se de um julgamento justo e preciso? Não mais. A imagem cristalizada do petista não corresponde ao final de sua gestão — que melhorou muito.
Por que Paulo Garcia ficou com uma imagem negativa? Primeiro, porque comunica-se mal. O marketing só funciona quando o gestor acredita na ideia. A impressão que se tem é que o petista “basta-se”, não precisa ouvir ninguém. Não há profissional que consiga construir uma imagem iluminada para quem não acredita nos poderes da publicidade. Segundo, o prefeito passa a imagem de que é cínico, com seu sorriso irônico de raposa, quando, na verdade, é mais tímido do que cínico e arrogante.
Terceiro, ao não fazer a crítica de seu antecessor, por uma lealdade paga com deslealdade e oportunismo, acabou por assumir problemas que não foram gerados por sua gestão. O sucateamento dos caminhões que recolhem lixo se deu por que Iris Rezende acabou com a terceirização e não renovou a frota.
Um repórter do Jornal Opção colheu uma impressão curiosa e contraditória de um jovem que trabalha num restaurante nas proximidades da Praça do Sol, no Setor Oeste. O jornalista perguntou: “O que achou da reforma da Praça do Sol?” O garoto respondeu de maneira exclamativa: “Ficou belíssima! É uma das praças mais bonitas de Goiânia! Maravilha!” O repórter inquiriu: “Como avalia a gestão do prefeito Paulo Garcia?” O pós-adolescente respondeu sem hesitar: “Péssima! Uma das piores da história”.
Quer dizer: por mais que tenha trabalhado — os vereadores, inclusive os de oposição, reconhecem que construiu várias obras (o deputado Virmondes Cruvinel, do PPS, diz que recapeou a Avenida Flamboyant, no Parque das Laranjeiras, o que era uma reivindicação antiga) —, a população não reconhece seus méritos. Porque cristalizou-se uma imagem ruim, que se tornou pedra difícil de ser dissolvida. O fato é que, quando puder ser avaliado com isenção e sem as paixões do momento político, Paulo Garcia certamente serão mais bem-visto pelo goianiense. O petista deveria registrar em livro, com a inclusão de fotografias, o que fez em Goiânia. Será um primeiro passo para que possa ser avaliado com justiça, talvez até mais cedo do que imagina.
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Elias Vaz, Andrey Azeredo, Dra. Cristina e Wellington Peixoto | Fotos: Câmara Municipal e reprodução[/caption]
Os candidatos a presidente da Câmara Municipal de Goiânia já estão articulando, mas, para colocar o bloco na rua, estão esperando o término do segundo turno. O prefeito eleito terá um papel decisivo na escolha do dirigente do Legislativo. De qualquer maneira, há um consenso: se vão apostar na renovação dos métodos, na contenção do fisiologismo, é preciso arrancar Anselmo Pereira, do PSDB (ou do PG, Partido do Governo), da presidência. O tucano é a figura-símbolo que impede a mudança e a moralização no Legislativo municipal.
O PMDB está colocando três nomes na disputa: Clécio Alves, Wellington Peixoto e Andrey Azeredo. O terceiro, embora inexperiente em termos de articulação política, é competente tecnicamente. Conta com o trunfo de ser o vereador “de” Iris Rezende. Wellington Peixoto é irmão de Bruno Peixoto, um deputado hábil nas tratativas de bastidores. A aposta do PSB é Elias Vaz. A principal aposta do PSDB é Cristina Lopes. Se quiser mudar a Câmara, e não apenas encenar, o tucanato aposta na vereadora, que é ética e respeitada.
Peemedebistas do alto escalão mandam avisar ao senador Ronaldo Caiado, do partido Democratas, que só poderão apoiá-lo para governador de Goiás se ele se filiar ao PMDB, em 2017. Mesmo assim, ressaltam que não lhe darão garantia total de que será o candidato a governador. O que se comenta entre membros do Democratas é que Caiado, com o apoio de Iris Rezende, vai se filiar ao PMDB e vai trabalhar para convencer Daniel Vilela a ser seu vice.
O PSB nacional convidou o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, para se filiar a ser candidato a vice numa chapa com o PSDB na cabeça.
O candidato a presidente do PSB é o tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo; Marconi e o político paulista, aliás, estão cada vez mais afiados.
Marconi, Alckmin e João Dória conversam com frequência sobre gestão e sobre política nacional. O PSD tem convidado Marconi Perillo com frequência para se filiar.
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Daniel, Maguito Vilela e Caiado[/caption]
No início da campanha de Iris Rezende, no primeiro turno, o presidente do PMDB em Goiás, deputado federal Daniel Vilela, ficou ligeiramente afastado. Porém, como percebeu que havia estagnado, o peemedebista convocou o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e Daniel Vilela para ajudá-lo.
Articulado, Daniel Vilela aproximou-se dos iristas, no segundo turno, e começou fazer um trabalho de qualidade, ao lado de Maguito Vilela e Gustavo Mendanha, o prefeito eleito de Aparecida de Goiânia. Daí começou um ligeiro confronto com o senador Ronaldo Caiado, que, no momento, se apresenta como super-irista.
Ocorre que Ronaldo Caiado e Daniel Vilela querem disputar o governo em 2018 e, por isso, buscam se cacifar junto de Iris Rezende. Um procura enfraquecer o outro. Aliados do senador afirmam que, nas pesquisas de intenção de voto, Caiado está bem à frente de Daniel Vilela. A sugestão é simples: o mais jovem deveria abrir espaço para o mais velho, aceitando ser o seu vice. O problema é que Daniel avalia que Caiado tem teto e que ele, sim, tende a crescer, ao se tornar mais conhecido do eleitorado.
Um aliado do governador de Goiás, Marconi Perillo, afirma que a reforma político-administrativa que fará no governo será mais ampla do que os líderes dos partidos imaginam. O governador quer tornar a equipe mais produtiva e independente de suas ordens. A falta de dinheiro, por exemplo, não é desculpa para ninguém ficar parado. O tucano-chefe postula que, com um pouco de criatividade, se é possível fazer muitas coisas.
De um político paulista: “Depois que José Serra foi para a Suíça e Aécio Neves voltou para Minas Gerais, para resgatar um pouco do prestígio político que ainda lhe resta, só resta dizer: ‘Vá, Marconi, vá conquiatar o Brasil’”.
O que o paulista está dizendo é que com a debacle da liderança tucana, o político goiano precisa ocupar mais espaço na política nacional. O espaço está abertíssimo...
Tucanos dizem que, para atrapalhar a gestão do governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, o senador Ronaldo Caiado, do DEM, trabalhou para aprovar uma emenda “jabuti” a respeito das elétricas. A emenda obriga o governo a pagar dívida com União em vez de investir em obras em Goiás com o dinheiro arrecadado com a venda da Celg. O tucanato frisa que a emenda atenta contra os interesses dos prefeitos e da sociedade, que preferem benefícios concretos do que deixar a grana evaporar rumo aos cofres da União. Na ânsia de inviabilizar a gestão tucana, o senador pode pagar um preço alto: como explicar à sociedade e aos prefeitos que sua emenda impede o governo de fazer mais obras?
O deputado estadual Jean Carlo, do PHS, defende o nome do deputado federal Thiago Peixoto para vice de José Eliton na disputa pelo governo do Estado de Goiás, em 2018. “Para o governo, meu compromisso é com Zé Eliton. Para vice, fico com Thiago Peixoto, que é um político competente e um técnico eficiente. A chapa com os dois mantém o discurso da renovação e da mudança.”
Pelo menos 15 prefeitos eleitos já manifestaram a intenção de ir para a base do governador Marconi Perillo.
Nesta semana, terminadas as eleições de Goiânia e Aparecida, Marconi Perillo vai começar a receber eleitos, sobretudo os de sua base.
Antes do fim do ano, o tucano-chefe pretende com todos os prefeitos que quiserem. Marconi deixará as portas do Palácio das Esmeraldas e do governo do Estado abertas para todos, independentemente da sigla partidária.
Mesmo os prefeitos que não aderirem, não serão perseguidos ou tratados como cidadãos de segunda categoria. Marconi Perillo será inteiramente republicano.
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Giuseppe Vecci em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Renan Accioly[/caption]
O deputado federal Giuseppe Vecci, do PSDB, cotado para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, teria dito a um colega de Parlamento que a única secretaria que, no momento, lhe interessa é a da Fazenda. Mas esta será ocupada por Fernando Navarrete. Portanto, ele vai ficar em Brasília.
Os deputados federais Célio Silveira (PSDB), Thiago Peixoto (PSD) e Giuseppe Vecci (PSDB) foram sondados para ocupar cargos de secretários na equipe do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mas sinalizaram que, se forem oficialmente convidados, não vão trocar a Câmara dos Deputados pelo governo. Os parlamentares afirmam que contam com uma estrutura razoável em Brasília. Por exemplo: eles têm 16 milhões de reais — do Orçamento Geral de União — para distribuírem em emendas para as prefeituras administradas por prefeitos aliados. O fato é que Heuler Cruvinel (PSD) é cotado para assumir a Secretaria de Desenvolvimento. Porque o governador Marconi Perillo fez um compromisso com Ciro Nogueira de que vai manter Sandes em Brasília.
O deputado federal Thiago Peixoto defende a presença de Jardel Sebba no governo de Marconi Perillo. “Com sua experiência de ter sido presidente da Assembleia Legislativa e também como prefeito, o médico Jardel Sebba (PSDB) poderia melhorar a interlocução política do governo com a sociedade e dentro do próprio governo”, afirma Thiago Peixoto. “Jardel é uma das lideranças mais qualificadas da nossa base política.” Líderes da base costumam sugerir que a ação política precisa ser mais desconcentrada. Jardel Sebba, pelo vínculo estreito com o tucano-chefe, poderia se tornar quase uma espécie de porta-voz do governo, ao menos na ação política.

