Bastidores
O senador Ronaldo Caiado e o deputado federal Daniel Vilela estão numa guerra de secessão aberta.
Os dois andam, metaforicamente, com granadas nas mãos. Ao lado do peemedebista sempre aparece o deputado José Nelto, com artilharia pesada contra o senador do DEM. Caiado manda “bala” como se fosse uma artilharia inteira.
A batalha quase campal entre o senador Ronaldo Caiado (DEM) e o deputado federal Daniel Vilela (PMDB) abre espaço para Maguito Vilela, um político moderado, ampliar o diálogo com o governador de Goiás, Marconi Perillo. Que ninguém duvide: uma acordo entre o tucano e o peemedebista é possível, desde que o objetivo seja isolar o senador do Democratas.
Um repórter perguntou a vários deputados federais: “Quais são os políticos goianos mais influentes junto ao presidente Michel Temer?” Todos disseram a mesma coisa: os mais fortes, em termos de relações com o Palácio do Planalto, são, pela ordem, Marconi Perillo, do PSDB, Jovair Arantes, do PTB, Alexandre Baldy, do PTN, Sandro Mabel (sem mandato), do PMDB, Daniel Vilela, do PMDB, e Wilder Morais, do PP.
Jovair Arantes é apontado hoje como um líder nacional e presença fortíssima na Câmara dos Deputados. Extrapola, até, sua força no PTB.
O deputado federal Alexandre Baldy está se revelando um dos políticos mais articulados. Ao contrário de outros políticos, mudou-se de verdade para a capital federal, articula encontros com vários líderes em sua casa e tem portas abertas no Palácio do Planalto.
Sandro Mabel, de todos, é o mais íntimo de Temer. Não tem mandato, mas é auxiliar do presidente. Um aliado eminentemente político, praticamente um ministro sem pasta.
Daniel Vilela, presidente do PMDB de Goiás, é um interlocutor frequente de Temer. O fato de serem do mesmo partido os aproxima.
O governador Marconi Perillo é consideradíssimo no Planalto. Temer dialoga com ele sobre assuntos administrativos e, também, políticos. Porque o tucano-chefe é um player político nacional.
A surpresa tem a ver com o senador Wilder Morais, que fala com frequência com o presidente Michel Temer. Os dois já mantiveram oito audiências e Temer sempre liga para o presidente do PP em Goiás.
O prefeito eleito de São Paulo, João Dória, tem confidenciado que um de seus mais produtivos interlocutores é o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O tucano paulista afirma que o tucano goiano é o que mais lhe apresenta ideias para enxugar a máquina e torná-la mais eficiente.
O principal prefeito eleito da base governista é Roberto Orión, de Anápolis. Políticos da cidade querem mais espaço no governo de Marconi Perillo
O especialista em crimes intrincados pergunta: “O que está atrasando a conclusão do inquérito: tudo leva a crer que a polícia está com dificuldade de estabelecer o nome do mandante ou dos mandantes, se existem mandantes?”
Marcha da intolerância mostra que aprendemos a nos odiar de uma forma inteiramente desconhecida no passado. Não tardará e em breve iremos galgar novos degraus nesta escalada
O prefeito eleito nomeia professora da UFG para secretária da Educação e vai apoiar Thiago Maggioni para deputado e José Eliton para governador em 2018
Ao lado de Joffre Marcondes de Rezende e de Francisco Ludovico, Luiz Rassi, nascido em Cuba, era um ícone da medicina
[caption id="attachment_61359" align="alignright" width="620"]
José Eliton e Marconi Perillo | Foto: Jota Eurípedes[/caption]
O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, é expert em política e, sobretudo, em ganhar eleições. De 1998 a 2014, o tucano-chefe articulou uma aliança política poderosa que conseguiu derrotar os candidatos do PMDB — Iris Rezende e Maguito Vilela — em cinco eleições consecutivas. Uma das curiosidades a seu respeito é que, nos momentos em que sua situação parece mais difícil, consegue dar a volta por cima, apresentando ideias renovadoras e mantém o apoio da sociedade. Há uma profunda sintonia entre as ideias da sociedade e as do gestor goiano. No momento, enfrenta algum desgaste e, curiosamente, não por fazer a coisa errada, e sim por fazer a coisa certa — um ajuste fiscal rigoroso que pretende aliviar a pressão sobre a sociedade, reduzindo o impacto da crise econômica nacional sobre a vida dos cidadãos goianos.
Hábil como poucos políticos, uma espécie de mineiro à Tancredo Neves no solo do Cerrado, Marconi Perillo antecipou que o candidato da base aliada a governador em 2018 será o vice-governador José Eliton, do PSDB. Por que o lançamento com tanta antecipação? Por vários motivos. Apresentemos alguns. Primeiro, para tornar o jovem tucano mais conhecido da sociedade (ao colocá-lo na Secretaria de Segurança Pública deu-lhe ainda mais visibilidade).
Segundo, para eliminar disputas fratricidas na base. Terceiro, para sugerir à sociedade que, depois de 20 anos de poder (a completar em 2018), a base aliada está apresentando um nome jovem e renovador. Quarto, para “encorpar” José Eliton como político, sedimentando-o em todo o Estado, no contato tanto com políticos quanto com a sociedade.
Recentemente, ao ser questionado sobre possíveis candidatos das oposições, notadamente Ronaldo Caiado, Maguito Vilela e Daniel Vilela, o tucano sublinhou que não se trata de problema seu. “Nós temos candidato — José Eliton.” Ele frisou que a base não tem um “problema”, e sim uma “solução”, enquanto a oposição, depois de cinco derrotas, não consegue apresentar sequer um candidato.
PMDB avalia que o postulante do DEM pode até sair na frente, mas, devido ao teto eleitoral e à rejeição, tende a desidratar-se durante a campanha
[caption id="attachment_66014" align="alignright" width="620"]
Giuseppe Vecci | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção[/caption]
O governador Marconi Perillo deve convocar o deputado federal Giuseppe Vecci, do PSDB, para ocupar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Como parlamentar mais ligado ao tucano-chefe, que sofreu desgaste para bancar sua campanha, o economista certamente não recusará o convite para se integrar à equipe (ele prefere a Secretaria da Fazenda).
Marconi Perillo fez um compromisso com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, de que vai “puxar” um deputado federal para abrir uma vaga para o suplente Sandes Júnior. Como Heuler Cruvinel (PSD) e Célio Silveira (PSDB) não aceitaram o convite para participar do governo, a tendência é que Giuseppe Vecci, que aprecia a Câmara dos Deputados, vá para o sacrifício. Célio Silveira pode aceitar a Secretaria de Saúde, o que poderia levar à remoção de Leandro Vilela para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Um deputado federal tem 15 milhões para distribuir, por meio de emendas, para os prefeitos que representa (7,5 milhões é contingenciado para a área de saúde). Num primeiro momento, dada a crise, os secretários não terão muito dinheiro para investir. Porém, com a venda da Celg, o governo de Marconi Perillo terá mais recursos para aplicar, por exemplo em recuperação de estradas, e sua capacidade de endividamento será ampliada. Um secretário atuante, com recursos, pode conquistar a reeleição mais fácil do aquele que ficar em Brasília, onde, nos próximos dois anos, terão de votar pautas (reformas da Previdência e Trabalhista) que, embora importantes para o país, são impopulares e, portanto, desgastantes eleitoralmente.
[caption id="attachment_80011" align="alignright" width="620"]
Laudenir Lemes e Izaura Cardoso: com os caciques articulando as campanhas, as duas políticas tendem a terçar forças em Senador Canedo[/caption]
Impedido de disputar a Prefeitura de Senador Canedo, Divino Lemos (PSD) pretende lançar seu filho, Daniel Lemes, como uma espécie de preposto. Sua mulher, a ex-deputada Laudenir Lemes, também quer disputar, mas não tem o apoio do marido, ou melhor, não tinha.
Ao saber que Vanderlan Cardoso, do PSB, prepara o lançamento de sua mulher, Izaura Cardoso — que é tida como mais política do que o próprio marido (tem mais vibração) —, para a disputa da Prefeitura de Senador Canedo, com o empresário Zélio Cândido na vice, Divino Lemes estaria disposto a retirar Daniel Lemes do páreo e emplacar Laudenir Lemes, que é mais experiente e mais conhecida do eleitorado.
Divino Lemes, segundo aliados, considera que Izaura Cardoso, por ser bancada por Vanderlan Cardoso — que agora terá tempo para fazer política na cidade —, é uma candidata muito forte. Por isso, para enfrentá-la, é necessário bancar uma candidata encorpada, como Laudenir Lemes, com Walter Paula na vice (ele quer disputar a prefeitura).
O prefeito Misael Oliveira anunciou que sua preocupação é fechar as contas de sua gestão e que não será candidato à reeleição. Franco Martins, do DEM, pretende disputar a eleição, se conseguir formatar uma aliança política sólida. A eleição deverá ser realizada entre fevereiro e março de 2017.
O prefeito eleito de Goianira, Carlão da Fox, deve trocar o PSDB pelo PP o mais cedo possível. O motivo é simples: o político que o banca, o senador Wilder Morais, é o presidente do PP em Goiás e pretende, com o apoio do governo federal e de verbas do Orçamento da União, contribuir para o sucesso de sua administração. Na eleição de 2016, o líder pepista teve uma contribuição decisiva para sua vitória, com apoio direto e indireto.

