Bastidores
Atacado por aliados, adversários e até jornalistas, o delegado Waldir Soares não desanima. Ele é um fenômeno. É conhecido como “rei do Facebook”, devido aos seus milhares de seguidores.
Waldir Soares é tucano, mas uma campanha solo, com escassos recursos. Mas pode ser a grande surpresa destas eleições. Não à toa alguns adversários começam a chamá-lo, numa referência ao deputado Tiririca, de “Waldirica”.
Rio Verde pode provocar uma das surpresas eleitorais deste ano. Pode eleger dois deputados federal, Heuler Cruvinel, do PSD, e Paulo Valle, do PMDB. Ou pode não eleger nenhum. O primeiro pode “derrotar” o segundo e vice-versa.
O município, um dos mais ricos e um dos mais mal administrados de Goiás, pode eleger quatro deputados estaduais — Karlos Cabral, do PT, Lissauer Vieira (apontado como o favorito), do PSD, Leonardo Veloso, do PRTB, e José Henrique, do PMDB —, mas também pode não eleger nenhum.
A tendência é que seja eleito aquele candidato (ou aqueles candidatos) que não concentrar seu trabalho eleitoral apenas em Rio Verde. Na eleição deste ano, o problema do município é a quantidade de candidatos. Curiosamente, os quatro nomes citados são da mais alta qualidade e, eleitos, contribuiriam para melhorar o Legislativo.
Candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva quer abrir um canal de diálogo com o governador Marconi Perillo, possivelmente com a intermediação daquele que o alto clero socialista chama de “o golden boy de Goiás”, Eduardo Machado.
Em Goiás, Marina só não aceita aliança com Ronaldo Caiado e com o PT. Porém, como Iris Rezende se tornou aliado de Caiado, quase um agregado — porque o democrata está se tornando seu oxigênio político, uma espécie de agente renovador —, Marina certamente não quer contatos de primeiro grau com o peemedebista.
De um aliado do deputado federal Ronaldo Caiado: “Em Goiás não tem mais jeito, não. O governador Marconi Perillo, o político mais profissional do Estado, vai ser reeleito. Mas ainda bem que Caiado vai ser eleito senador”.
Caiadistas que apoiam Marconi Perillo para governador dizem, sem meias palavras, que Iris Rezende não empolga as bases do deputado federal. “Nós não gostamos de Iris Rezende e sabemos que ele não gosta de nós.”
Mas Caiado está de fato empolgado com Iris Rezende, apesar de o peemedebista permanecer estagnado nas pesquisas.
Alguns petistas dizem que Paulo Garcia, embora seja um político sério, não ouve nem mesmo os petistas. Estes avaliam que, a partir de outubro, se Iris Rezende for derrotado para o governo, o prefeito pode se livrar de alguns “penduricalhos”.
“Paulo Garcia não tem mais reeleição à vista. Então, não dá para entender porque não rompe certos compromissos, governando de maneira mais independente”, afirma um deputado petista.
A ligação de Paulo Garcia, na avaliação de petistas, está amarrando sua gestão em Goiânia. O controle é tão forte, segundo um petista, que Iris Rezende estaria obrigando Paulo Garcia a apoiar Iris Araújo em Goiânia.
O deputado estadual Humberto Aidar (PT) não abre mão nem para Adriana Accorsi nem para Paulo de Tarso — nomes preferidos pelo prefeito Paulo Garcia — e disse, a dois deputados, que seu projeto número, em 2016, é disputar a Prefeitura de Goiânia.
O grupo de Paulo Garcia sugere que o grupo de Humberto Aidar fique em Anápolis, onde já reina com o deputado federal Rubens Otoni e com o ex-prefeito Antônio Gomide.
Não convidem o empresário Júnior Friboi e o deputado Sandro Mabel para a mesma picanha da churrascaria Montana Grill. Pode sair sangue, e não será da picanha.
Aliados de Friboi alegam que Mabel, num suposto processo de traição política, estaria tentando cooptar aliados do empresário para a campanha de Iris Rezende. Ele tem enviado uma série de emissários para conversar com o deputado Leandro Vilela e com o prefeito de Jataí, Humberto Machado.
O deputado federal Leandro Vilela e o prefeito de Jataí, Humberto Machado, desconversam. Não dizem que apoiam Marconi Perillo — em quem votarão —, mas, contrariando o deputado Sandro Mabel, também não dizem que votarão em Iris Rezende para governador.
Leandro Vilela e Humberto Machado, além de ligados ao prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, mantém ligação umbilical com Júnior Friboi. Os três, menos Maguito, abominam Iris e Iris Araújo.
De um integrante da Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg): “O prefeito Paulo Garcia parece que não tem mais interesse em administrar a cidade. Não sei por que não renuncia e abre espaço para seu vice, Agenor Mariano”.
Por que o sr. apoia Agenor Mariano para prefeito? “Porque ele tem vontade, competência, é jeitoso e gosta de administração e de política”, diz o líder classista.
O candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende, disse a mais de um aliado que não vai se intimidar com as críticas do empresário Carlos Cachoeira.
O peemedebista disse que vai continuar criticando Cachoeira. Chegou a dizer a um peemedebista de Goiás que, se tem provas contra ele, que Cachoeira as apresentes.
Uma coisa é certa: Iris não é homem de blefar.
Na campanha para deputado estadual, a estudante Déborah Evellyn, coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e vice-presidente regional da União Nacional dos Estudantes (UNE), é o nome mais qualificado do Partido Comunista do Brasil (PC do B) em Goiás. No programa de televisão, sua estrela brilhou ainda mais com o apoio declarado do ex-deputado federal Aldo Arantes e líder histórico do partido. Déborah Evellyn, jovem articulada e com ideias precisas sobre os fatos, defende um mandato aberto, com o objetivo de manter um diálogo permanente com a sociedade. Embora a reforma política seja um tema afeito mais ao Congresso Nacional, a candidata a defende como o instrumento eficaz para reorganizar o sistema político brasileiro. A líder comunista propõe uma lei para garantir “a ampliação dos investimentos em educação pública no Estado de Goiás, ampliando o número de vagas, melhorando a estrutura física das escolas e da UEG e valorizando professores”. A candidatura de Déborah Evellyn consagra aquilo que o PC do B tem de melhor: defesa ampla da sociedade, do setor público, do coletivo, da ética. Um partido com a qualidade do PC do B, fundado há décadas, não pode se tornar refém de uma família (familiocracia não combina com comunismo). A candidatura da estudante — que lembra, no porte e na inteligência, Denise Carvalho, que a apoia — é uma espécie de rompimento com certa oligarquia e um retorno ao bom caminho.
Com Marina Silva na vice, seu marido, Fábio Vaz de Lima, permanecia no governo do PT no Acre — como secretário-adjunto de Desenvolvimento Florestal, Indústria, Comércio e Serviços Sustentáveis. Com a líder da Rede Sustentabilidade, incrustada no Partido Socialista Brasileiro (PSB), Marina exigiu e Vaz de Lima pediu demissão. O PSB vai apresentar Marina como sua candidata a presidente da República na quarta-feira, 20. A demissão, segundo aliados da líder da recém-líder do PSB, tem a ver com coerência. No Acre, a presidenciável, que já passou o tucano Aécio Neves, é uma das principais aliadas do governo petista. Os irmãos da oligarquia Viana, Tião (governador) e Jorge (senador), são ligados à ex-ministra do Meio Ambiente. Apesar de criticar o PT no plano nacional, Marina é aliada do partido no Acre. O governador Tião Viana e o irmão dele, o senador Jorge Viana, são próximos à ex-senadora.
[caption id="attachment_10696" align="alignleft" width="620"]
Frederici Jayme: "Iris fala que saí do partido para ficar no TCE, como se esquecesse que para ser conselheiro não é permitido ser filiado [a partido político], e depois que saí do TCE, a pedido dele, retornei ao meu partido de origem” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Goiás e ex-deputado Frederico Jayme (PMDB) diz que o candidato do PMDB a governador do Estado, Iris Rezende, tem o hábito de “atacar” os adversários, mas não aceita discutir a origem de seu “farto patrimônio”. “Se a origem é honesta, por que não apresentar os dados ao eleitorado. Poderia dizer assim: ‘Antes de 1983, eu tinha isto e agora tenho isto’. Não entendo também o motivo de Iris ter recorrido à Justiça para evitar a quebra de seu sigilo bancário. O que o ex-prefeito de Goiânia está escondendo? Informações precisas sobre o contrato com a Qualix e seu faturamento na prefeitura também são bem-vindas.”
Frederico diz que há políticos que, de repente, aparecem com aviões, mas sem explicar como o comprou. “Será que o político vendeu um bem tão valioso assim para conseguir adquirir um avião caríssimo?"
Na opinião do ex-deputado, Iris vai, “mais uma vez, derrotar o PMDB. Ele não tem um projeto partidário — joga sempre para si e para sua família. Uma vez, na inauguração de um comitê de Thiago Peixoto, pediu votos para sua mulher, Iris Araújo, de quem os peemedebistas, em peso, não gostam”.
O PMDB, frisa Frederico, nunca esteve tão desunido. “Iris é um elemento da discórdia. Metade do PMDB está apoiando a reeleição do governador Marconi Perillo. Eu faço contatos com peemedebistas de todo o Estado, o que Iris não faz, pois mal sai de seu escritório, e sei que há uma rejeição profunda ao político mais superado de Goiás. Posso dizer que outros peemedebistas vão abandonar a campanha de Iris, nos próximos dias. Alguns não vão revelar sua decisão para não serem perseguidos. O curioso é que Marconi une mais o PMDB do que Iris. O PMDB não acredita em Iris, o puxador de tapete inveterado. É sua grande arte. Goiás precisa criar a Associação das Vítimas de Iris (Aviris). Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi são ‘integrantes’ da Aviris.”
Em recente conversa com Júnior Friboi, Frederico ouviu que o empresário liberou seus aliados para apoiar Marconi. “Júnior não quer, em nenhuma hipótese, uma vitória de Iris. Ele pode ficar ligeiramente afastado do processo, mas torce pela vitória de Marconi.”
Ante o esvaziamento da campanha de Iris, “por falta de motivação”, Frederico afirma que “Marconi deve ser reeleito no primeiro turno”.
No caso de derrota de Iris, o que acontecerá com o PMDB? “A derrota de Iris pode resultar, mesmo no curto prazo, numa vitória do PMDB, que vai se livrar de um líder castrador dos novos líderes. Iris representa um desastre para o partido e seus integrantes”, assinala Frederico. “O partido, com Iris fora do comando, vai passar por uma reestruturação, uma glasnost, uma espécie de desinfecção. O partido vai se tornar mais aberto, democrático. Maguito Vilela, Júnior Friboi, Gilberto Naves, entre outros, poderão participar ativamente da vida do partidária.”
[caption id="attachment_12965" align="alignleft" width="620"]
Iris Rezende e Vanderlan Cardoso: os dois políticos podem terçar forças na eleição de 2016 pelo comando da Prefeitura de Goiás l Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Não há outras palavras justas, diria Flaubert: é prematuro discutir a eleição para a Prefeitura de Goiânia, a de 2016, com a campanha política de 2014 ainda em andamento.Entretanto, como os políticos projetam cenários, numa tentativa às vezes vã de sondar o inescrutável futuro, o jornalismo tem o direito (e o dever) de especular e, ao mesmo tempo, apresentar aquilo que se expõe nos bastidores. Recentemente, numa conversa entre um petista, que se quer irista, e um peemedebista, igualmente irista, um repórter do Jornal Opção colheu uma história que merece registro. Os jovens iristas, depois de falar mais do governador Marconi Perillo, disseram que, em conversas privadas, Iris Rezende admite que, se perder mais uma vez para o tucano-chefe, deverá disputar a Prefeitura de Goiânia em 2016, quando terá 83 anos. Sua tese: o prefeito Paulo Garcia, mesmo que recupere sua administração, possivelmente não terá tempo para reconstruir a imagem pessoal e, assim, terá dificuldade para fazer o sucessor. Por isso, o PMDB, que não morre de amores pelo PT, deve lançar candidato a prefeito.
Segundo os iristas, Iris também teria admitido que, se não for candidato, pode bancar sua mulher, Iris Araújo, ou uma de suas filhas, possivelmente Ana Paula Rezende, para a disputa da Prefeitura de Goiânia.
Agora, observe-se o nexo da disputa de 2014 com a de 2016. Se for derrotado em 2014 e não disputar eleição em 2016, Iris perderá o controle do PMDB para outras forças políticas, revigoradas pelo discurso de que o partido precisa abrir espaço para o “novo”. Para tentar se manter como a “oposição” mais sólida, o PMDB deve lançar candidato a prefeito. Noutro campo da oposição, no PSB, especula-se que, como tende a perder a eleição para governador, Vanderlan Cardoso vai disputar a Prefeitura de Goiânia. Esta possibilidade pode excluir uma aliança entre Iris e Vanderlan num provável segundo turno para o governo do Estado. E pode favorecer uma aliança do segundo com o governador Marconi Perillo. Claro, são hipóteses.

