Um estudo aponta que a minociclina, antibiótico tradicionalmente utilizado no combate a infecções bacterianas, pode ter potencial no tratamento do transtorno do pânico.

De acordo com os resultados, o uso em baixas doses apresentou efeitos semelhantes aos do clonazepam, conhecido comercialmente como Rivotril. A pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o jornal O Globo, a administração em doses inferiores às indicadas para infecções pode reduzir o risco de resistência bacteriana, um dos principais desafios associados ao uso de antibióticos.

Nos testes com humanos, os participantes relataram diminuição na intensidade das crises de pânico, o que sugere um possível novo caminho terapêutico.

Os pesquisadores também analisaram a relação entre inflamação e transtornos psiquiátricos. O estudo, liderado pela pesquisadora Beatriz de Oliveira, indica que a minociclina atua como agente anti-inflamatório em baixas doses.

Os pacientes que receberam o medicamento apresentaram redução de citocinas pró-inflamatórias, como IL-2sRα e IL-6, além de aumento da IL-10, associada à resposta anti-inflamatória do organismo.

Ao todo, 49 pessoas diagnosticadas com transtorno do pânico participaram do experimento. Elas foram submetidas a testes com inalação de dióxido de carbono, método utilizado para simular sensações típicas das crises.

Um grupo recebeu minociclina, enquanto outro foi tratado com clonazepam.

Apesar dos resultados considerados promissores, os autores ressaltam que ainda são necessárias novas pesquisas antes que o antibiótico seja adotado como alternativa clínica.

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