Exatamente uma semana após a posse de Lula, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram, aos milhares, as sedes dos três Poderes em Brasília, destruindo tudo que encontravam pela frente. Rapidamente, foram divulgadas imagens que mostravam membros da Polícia Militar do Distrito Federal assistindo impassivelmente aos atos de vandalismo. Em análise dos ataques para o Jornal Opção, o cientista político Guilherme Carvalho avalia que ataques deste domingo, 8, em Brasília acabaram com tolerância política a figuras que incentivam atos golpistas.

A intenção dos movimentos era colocar em xeque a eleição do PT à Presidência, movimento que foi insuflado nos últimos meses constantemente por Bolsonaro, que deixou o Brasil em dezembro para não ter que passar a faixa a Lula. No entanto, para o cientista político Guilherme Carvalho, o tiro saiu pela culatra.

Para o especialista, os atos de terrorismo e vandalismo praticamente acabaram com qualquer tolerância do sistema político brasileiro a figuras da extrema direita, como o próprio Bolsonaro, que incentivaram os atos.

“Foi uma grande derrota para a extrema direita, porque eles tentaram – de uma forma patética – um golpe que serviu para gerar mais conteúdos simbólicos anti-bolsonaristas. Maioria esmagadora da população não apoia o que aconteceu ontem”, afirmou. Dessa maneira, ele avalia que o cenário beneficia o presidente Lula, enquanto prejudica o ex-chefe do Executivo, Jair Bolsonaro. “Nesse sentido, Bolsonaro é o grande derrotado. Lula saiu fortalecido porque as instituições querem pacificar, o que abre caminhos estratégicos para que o petista articule sua base no Congresso, sob a rege de melhorar sua relação institucional”.

Para o especialista, a inspiração do movimento deste domingo foi a invasão ao Capitólio nos Estados Unidos em 2021. “Sem dúvida nenhuma acabou revelando suas consequências importantes para quem cometeu os atos ilícitos e as possíveis consequências aos que foram presos”, destaca.