Aproveitando o aniversário de Goiânia (90 anos), o deputado estadual Virmondes Cruvinel (UB) postou em suas redes sociais um vídeo em que declara amor à sua terra natal, destacando a importância da cultura na formação da identidade da capital. Por isso, o parlamentar afirma ter escolhido o Teatro Goiânia e o momento histórico de sua inauguração, em 1942, como tema de sua postagem. (“Vale lembrar que o teatro foi reformado no governo de Irapuan Costa Júnior, articulista do Jornal Opção. Ele chegou a trazer bailarina inglesa Margot Fonteyn para dançar em Goiás”, sublinha o jovem político.)

“Goiânia é maravilhosa em tantos aspectos, mas a questão do seu batismo cultural, em 1942, sempre chamou a minha atenção pelo seu aspecto de ritual, uma espécie de debut em que a cultura estava no palco central”, comenta o deputado. Ele lembra que boa parte dos prédios oficiais já estavam prontos antes do teatro, mas a sociedade brasileira só foi convidada a vir conhecer a nova capital na inauguração do então Cine-Teatro Goiânia.

Até aquela semana de julho de 1942, sublinha o deputado, nunca Goiânia tinha recebido tantos visitantes de fora do Estado, inclusive dezenas de estrangeiros. “Na mesma época do batismo cultural, Pedro Ludovico conseguiu trazer para Goiânia dois eventos nacionais importantes, o 8º Congresso Brasileiro de Educação e a Assembleia Geral dos Conselhos do IBGE, que atraíram centenas de representantes nacionais”, enfatiza Virmondes.

“Esta é outra reflexão histórica importante, que coloquei no vídeo: Goiânia é filha da Revolução de 1930 e, a exemplo do movimento liderado por Getúlio Vargas, a cidade é uma expressão concreta das mudanças sociais e políticas que estavam acontecendo no Brasil”, diz ele. Por isso, no urbanismo e na arquitetura buscou-se o que havia de mais moderno no mundo. “Não reproduzimos modelos classicistas, mas sim o estilo art decó, que estava em alta em Paris e Nova York na mesma época”.

O vídeo do deputado também menciona que a inauguração do teatro não se resumiu às cerimônias políticas – entre elas a entrega da chave simbólica da cidade ao seu primeiro prefeito, o professor Venerando de Freitas Borges. “Foi uma noite de gala, com a apresentação da peça teatral ‘Deus lhe Pague’, com uma jovem atriz que já começava a fazer sucesso nacionalmente e que se tornaria consagrada, a Eva Todor.”

Virmondes assinala que a atriz e outras estrelas que vieram nos primeiros tempos do Teatro Goiânia saíram daqui elogiando sua qualidade técnica, como por exemplo na questão acústica. “Isso nós devemos ao arquiteto José Amaral Neddermeyer, um paulista que veio construir Goiânia e aqui ficou até a sua morte no final dos anos 50”, diz Virmondes, completando que o desenho do teatro (cuja planta-baixa reproduz a de um navio) foi influenciado pelo período em que o profissional havia passado em Paris antes de ser convidado por Pedro Ludovico.

“Erguer Goiânia foi um trabalho monumental, trabalho que muitas vezes foi feito no lombo de carros de boi, mas aquele momento, rico em cultura e simbolismo, consolidou a identidade histórica e cultural da nossa Capital”, diz Virmondes, concluindo que, “nesses 90 anos, este é um marco que precisamos reverenciar para sempre”.