Deputado federal por cinco mandatos, Vilmar Rocha é um dos mais experientes políticos de Goiás e do país. Recém-operado, no Hospital DF Star, em Brasília, o ex-parlamentar é, aos 75 anos, o que se pode nominar de uma força da natureza. Irrequieto, fala de política o tempo inteiro. Tem mais conhecimento do que muito cientista político (seu livro sobre o populismo é referência bibliográfica para estudos acadêmicos).

Recentemente, Vilmar Rocha conversou com um repórter do Jornal Opção a partir do leito hospitalar. Só parou de falar quando precisou ouvir seu médico e os enfermeiros.

Atento à política local e à política nacional, Vilmar Rocha observou com atenção uma recente fala do senador Otto Alencar (de 78 anos), do PSD da Bahia. Os dois são correligionários, mas o político goiano não se entusiasma quando se trata de falar do político baiano.

Otto Alencar: o senador trocou o grupo de ACM pelo grupo de Lula da Silva | Marcos Oliveira/Agência Senado

Vilmar Rocha diz que políticos autênticos, com espírito de estadista, operam para seu país, para seu Estado e para seu município. “Não é o caso de Otto Alencar, que só pensa em seus interesses e, claro, nos da família. O povo não está em primeiro lugar no seu ‘ideário’, se existe um.”

Otto Alencar disse, há pouco tempo, que o PSD, sendo um partido de centro, “errou” ao escolher Ronaldo Caiado como candidato a presidente da República. O senador sugeriu que o partido deveria ter lançado Eduardo Leite.

“Curiosamente, apesar de falar numa candidatura de Eduardo Leite, Otto Alencar apoia a reeleição de Lula da Silva. Fidelidade partidária, portanto, não tem a ver com o senador”, critica Vilmar Rocha.

Apoio de Kassab, de Leite e de Ratinho Jr.

Vilmar Rocha sublinha que, ao contrário de outros políticos, Ronaldo Caiado é um político sério e sincero.

Ronaldo Caiado: pré-candidato a presidente da República pelo PSD | Foto: Reprodução

“Ronaldo é de direita e nunca mudou de posição em sua trajetória. Dada a experiência de ter passado pelo governo de seu Estado, hoje está próximo da centro-direita, tanto que conta com o apoio do presidente do PSD, Gilberto Kassab, um político de centro, e dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do Paraná, Ratinho Júnior.”

“Ronaldo foi filiado ao PFL, ao DEM e ao União Brasil, que, a rigor, são uma coisa só. Quer dizer, o partido mudou de nome, mas permaneceu liberal e de direita. Ronaldo Caiado saiu do União Brasil e se filiou ao PSD para disputar a Presidência da República, mas, vale insistir, em nenhum momento ‘trocou’ de ideias e ideologia”, frisa o ex-deputado.

“A trajetória de Otto Alencar é de migração da direita para a esquerda. Durante anos, o senador serviu a Antônio Carlos Magalhães (ACM), que era conhecido como ‘rei’ da Bahia. Depois, aposentou-se da política e conquistou uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Em seguida, de volta à política, aliou-se ao PT, o histórico adversário da família de ACM e de ACM Neto no Estado, e começou a se apresentar como esquerdista de ocasião. Agora, enfiou o filho no TCE. Pelo visto, Otto Alencar não deveria se pronunciar sobre Ronaldo Caiado, exceto se fizesse autocrítica, o que ele, tendo se tornado lulopetista, não fará”, fustiga Vilmar Rocha.

O político goiano é, costumeiramente, de uma calma extrema. “Mas não posso tolerar a injustiça verbal de Otto Alencar contra Ronaldo Caiado, um político decente e posicionado”, sublinha Vilmar Rocha. (E.F.B.)