Renato de Castro tende a superar resistência à composição de Caiado com Daniel Vilela?

O governador conversou com o ex-prefeito e com seu pai, o empresário Manoel Castro de Arantes

Em 2018, o então prefeito de Goianésia, Renato de Castro, filiado ao MDB, decidiu, ao lado dos prefeitos de Rio Verde, Paulo do Vale, de Turvânia, Fausto Mariano, e de Catalão, Adib Elias, apoiar Ronaldo Caiado para governador de Goiás. O argumento era o seguinte: o líder do partido Democratas era o político adequado, naquele momento, para acabar com o “reinado” de Marconi Perillo, do PSDB, no Estado.

A rigor, estavam certos. Tanto que Ronaldo Caiado foi eleito no primeiro turno, com 59,73% (1.773.185 votos). Daniel Vilela (MDB) ficou em segundo lugar, mas bem distante, com 16,14% (479.180 votos). O candidato de Perillo, José Eliton, com 13,73% (407.507), ficou em terceiro lugar.

Renato de Castro e Ronaldo Caiado: aliados | Foto: Reprodução

Se quisesse, Daniel Vilela poderia ter sido o vice de Ronaldo Caiado. Pós-eleição, a cúpula do MDB operou o expurgo de Adib Elias, Paulo do Vale e Fausto Mariano.

Renato de Castro permaneceu no MDB, mas recebeu o “troco” na eleição de 2020. Pretendia disputar a reeleição, mas a cúpula do partido barrou seu nome e impôs o de Pedro Gonçalves, um jovem de 38 anos, tecnicamente gabaritado, mas sem experiência política. Para piorar o quadro, optou-se por uma composição com o PSDB, que bancou o delegado Marco Antônio Maia para vice.

Para escapar da saia-justa, Renato de Castro inventou um candidato de última hora, Leonardo Silva Menezes (DEM), que, de tão desconhecido, teve de ganhar outro nome — “Leozão do Renatão”. Popular, Renato de Castro trabalhou como se fosse “o” candidato a prefeito, comportando-se como um general eleitoral em guerra, e Leozão, mais Renatão do que nunca, foi eleito. O ex-prefeito deu o troco em Daniel Vilela.

Agora, em 2021, o quadro político deu uma reviravolta. O governador Ronaldo Caiado, para dividir as oposições, isolando-as, reformatou sua aliança, acrescida do PP do ex-ministro Alexandre Baldy e do prefeito de Anápolis, Roberto Naves; do PSD do senador Vanderlan Cardoso e do ex-deputado federal Vilmar Rocha e do MDB do ex-deputado federal Daniel Vilela e do suplente de senador Pedro Chaves.

Renato de Castro e seu pai, Fião de Castro Arantes| Foto: Reprodução

Para um quadro político novo — inclusive pelo fato de que governo, mesmo bom, tem desgaste —, é preciso adotar táticas novas. Por isso, Ronaldo Caiado ampliou sua aliança, com a “absorção” do MDB de Daniel Vilela, retirando um pé de apoio das oposições. Antes, em 2018, o objetivo era retirar o grupo de Marconi Perillo do poder (20 anos no governo). Em 2022, o objetivo é manter o poder e, ao mesmo tempo, trabalhar para evitar que o grupo de Perillo volte ao poder por meio de Gustavo Mendanha, um “neo-tucano” disfarçado de “independente” (figura mítica ou fantasmal em política). O prefeito de Aparecida de Goiânia posa de “novo”, mas é um apóstolo do “velho” (leia-se do marconismo).

Fausto Mariano, Paulo do Vale e Adib Elias entenderam a “reengenharia” política de Ronaldo Caiado e decidiram seguir com o seu exército, sabendo que a guerra não é contra Daniel Vilela (afinal, o “inimigo do meu inimigo é meu amigo”), e sim contra Perillo, espécie de “Venon” de Mendanha. Os três reafirmaram seu apoio à reeleição do governador. Concluíram que, embora na vice, Daniel Vilela não será o próximo gestor. O governador continuará a ser Ronaldo Caiado. Ah, e o futuro? Ora, o futuro nem a Deus pertence.

Se Fausto Mariano, Paulo do Vale e Adib Elias entenderam qual é o projeto maior — manter Goiás na rota do desenvolvimento e impedir o retorno do marconismo —, Renato de Castro ainda resiste a aceitar a aliança Ronaldo Caiado-Daniel Vilela. Na verdade, não se trata de birra, porque o ex-prefeito de Goianésia é um político maduro e ponderado. Na verdade, é uma questão de “brio”. Porém, mesmo a se aceitar isto, é preciso considerar qual é o projeto principal e admitir que, neste momento, Daniel Vilela é um aliado para o líder do Democratas manter-se no poder e deixar longe dele Mendanha e seu simbionte, Perillo.

Ronaldo Caiado, cuja capacidade de dialogar é infinita (não se cansa de ouvir, no estilo de Tancredo Neves — que dizia que política não se faz apenas com os “melhores”, e sim com “todos”), está conversando com seus aliados que não ficaram “contentes” com a aliança com Daniel Vilela. Conversou com Renato e com seu pai, o empresário Manoel Castro de Arantes, conhecido como Fião, em Goianésia.

Renato e Fião são moderados e realistas. Ao lado de Mendanha, que conta com o apoio de Perillo e do deputado estadual Helio de Sousa, certamente não ficarão. Por considerar que Ronaldo Caiado está modernizando Goiás, inclusive os costumes políticos, os dois, respeitados em Goianésia e em todo o Vale do São Patrício, certamente estarão em seu palanque em 2022. Por realismo e por respeito ao governador — que, além de aliado, é um amigo.

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