População espera que o Caiado gestor apareça mais que o político

Mesmo sem abrir mão de criticar os erros do passado, é preciso ver que a principal tarefa do executivo é apontar com firmeza o caminho para superar as dificuldades

Reunião em Jataí: solução emergencial gerou críticas no ambiente digital, mas foi uma demonstração de sensibilidade | Foto: Divulgação

Como todo início de gestão, o governo de Ronaldo Caiado vive, em suas primeiras semanas, uma série de situações que mostram a necessidade de acomodação de atribuições e também de comportamentos. Acertos evidentes se misturaram a atitudes que foram exploradas pela oposição como deslizes, o que recheou as redes sociais de críticas. Apostar mais em ações da gestão, e menos no discurso político, pode ajudar a passar por esse período inicial, que é naturalmente mais turbulento.

Um exemplo foi o que aconteceu com o pedido, feito pessoalmente pelo novo governador, para que prefeitos o ajudem a avalizar os servidores públicos (que estão com os salários de dezembro em atraso) junto ao comércio local. A declaração foi uma demonstração de sensibilidade de Caiado, que acabara de ouvir de representantes do Sintego de Jataí que os professores estavam sem dinheiro para comprar comida. Ou seja, uma reação política, e não técnica.

Como a maioria do público não teve acesso ao contexto que motivou a manifestação, o governador recebeu duras críticas no ambiente digital. Injustas, claro, porque é evidente que Caiado não acredita que a solução para os servidores seja pedir fiado. Pensou, naquele momento, sobretudo nos casos mais emergenciais, como na aquisição de alimentos e remédios. Como já foi dito, mostrou-se sensível e pediu ajuda – mostrando ainda que tem plena convicção de que quitará a folha de dezembro em breve, pois mencionou seu aval pessoal no pedido a prefeitos e comerciantes.

O clima belicoso da disputa eleitoral ainda é nítido em ambos os lados. Contudo, a quem assumiu o executivo, muito além das picuinhas comuns a qualquer contenda, cabe prioritariamente estabelecer um discurso de “reconstrução”. Ou seja, o papel de indicar com firmeza o caminho que será seguido para superar as dificuldades – sem abrir mão de apontar os erros da gestão passada. Agindo assim, focando na gestão, o governo tende a ganhar muito mais prestígio e credibilidade junto à população. E, nesse sentido, ajudará muito se as principais manifestações sejam pensadas de forma conjunta com os seus auxiliares diretos.

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