Iris Rezende, Júnior Friboi e Maguito Vilela: o primeiro manda, dizem peemedebistas, por que os demais se omitem e estão sempre recuando / Fotos: Fernando Leite
Iris Rezende, Júnior Friboi e Maguito Vilela: o primeiro manda, dizem peemedebistas, por que os demais se omitem e estão sempre recuando / Fotos: Fernando Leite

Na semana passada, o Jornal Opção solicitou a cinco peemedebistas que respondessem a uma pergunta: “Por que há uma crise de liderança no PMDB de Goiás?” Os políticos pediram apenas que suas respostas fossem publicadas em “off”, e não em “on” — “para evitar dissabores”, disse um deles.

Uma das respostas mais surpreendentes é de um peemedebista jovem, que diz não ter simpatia por Iris Rezende. “Todos culpam Iris pelos fracassos eleitorais do PMDB nos últimos 16 anos e porque se recusa a sair do comando, ainda que indireto, do partido. Não é falso, mas não é toda a verdade. A verdade mais ampla inclui dizer que o partido tem líderes ausentes, quer dizer, que não se apresentam e não lideram. É o caso do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Iris se tornou poderoso, até onipresente, porque, na prática, ninguém quer se responsabilizar pelo comando do partido. A omissão é muito grande. Quando um político afirma que o deputado Daniel Vilela é um ‘líder vaga-lume’, que aparece e some, eu não posso discordar. Ele se posiciona, até com certa firmeza, mas logo depois desaparece, não se firmando como líder. Júnior Friboi, ‘amuado’ porque não conseguiu ser candidato a governador, abandonou seus liderados na campanha passada. Ora, o verdadeiro líder não abandona jamais seus comandados. Iris, pelo contrário, disputa poder, apresenta-se e não teme disputar e, mesmo, perder eleições — seu poder deriva disto.”

O peemedebista mais experimentado, que admite ser irista, praticamente corrobora parte da tese acima: “O verdadeiro líder não assume o comando por momentos. Ele deve estar sempre presente, discutindo os grandes temas e posicionando-se como apoiador ou opositor àquele que está no poder. O líder não pode ser omisso ou fazer jogo duplo. Na eleição passada, enquanto Iris criticava o candidato Marconi Perillo, Maguito Vilela aparecia abraçado com o governador. Os liderados do partido não conseguem entender tal comportamento. Pode parecer diplomacia, ou a tese de que administrador não faz oposição a administrador, mas tende a ser interpretado pelos liderados como ‘falta de firmeza’. Iris, embora apontado como coronel, tem posição e não arreda pé de suas convicções”.

O terceiro peemedebista, “nem irista nem antiirista”, diz que há, sim, uma crise de liderança no PMDB. “Iris não serve mais para dirigir o partido, porque está em contradição com os tempos contemporâneos e perdeu o ‘timing’, mas o partido não está trabalhando para forjar um novo líder. É óbvio que não se pode confundir presidente de partido, como Samuel Belchior e Bruno Peixoto, com líder. O líder une os aliados, mesmo aqueles que estão em divergência.”

O quarto peemedebista, ex-deputado, é taxativo: “O PMDB morre com Iris Rezende e morre sem Iris Rezende”. O quinto é radical: “O PMDB só tem um caminho — buscar Júnior Friboi para liderá-lo”.

O peemedebista frisa: “Júnior não é um líder clássico, amadurecido politicamente. Porém, talvez dada sua estrutura financeira e disponibilidade de tempo, pode aglutinar o partido em todo o Estado. O PMDB não pode continuar servindo aos caprichos de Iris Rezende. Se Iris não sair de cena, e agora, o partido vai continuar perdendo eleições para governador de Goiás. Iris impede a renovação, porque, mesmo quando perde, continua mandando e dirigindo o partido. Digamos que o PMDB fosse uma empresa, e Iris seu CEO. Se acumulasse prejuízos em 16 anos, o que aconteceria com ele? Seria afastado, e bem antes de se completar 16 anos. Os goianos se cansaram de Iris e, por isso, os peemedebistas deveriam seguir pelo mesmo caminho. Maguito Vilela e Júnior Friboi têm uma missão: liquidar o irismo de vez, para que o goiano perceba que o PMDB está se renovando de fato”.