Parte do PSDB quer deixar Michel Temer pensando mais na eleição de 2018 do que no país

Se a economia melhorar, cabeças pretas e cabeças brancas do PSDB podem caminhar com o presidente. Ética? É apenas uma palavra bonita

Euler de França Belém

Fernando Collor, José Sarney, Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso: nenhum deles abdicou de Michel Temer ao lado de suas histórias políticas

Parte do PSDB quer sair do governo do presidente Michel Temer não por que pensa na saúde econômica e política do país ou em princípios éticos. Se pensasse ao menos na saúde econômica, não deixaria o governo. Preocupação ética não há nenhuma; se houvesse, os dirigentes não teriam aceitando participar da equipe do peemedebista desde o início.

Outra parte do PSDB quer ficar no governo, mas não necessariamente por que pensa na saúde econômica do país ou por acreditar na honestidade do presidente da República — pouquíssimos acreditam. O que se quer, e se quer sempre, é aproveitar-se das benesses oferecidas pelo governo. Quando chegar mais perto das eleições de 2018, depois de chuparem até os ossos do governo de Michel Temer, aí certamente os cabeças brancas começarão a pintar o cabelo para ficarem parecidos com os cabeças pretas.

Há, claro, um terceiro caminho. Se a economia melhorar, como parece que caminha para melhorar, com a retomada do crescimento, é provável que cabeças pretas e cabeças brancas — que, na verdade, não são tão diferentes — se irmanarão e ficarão ao lado do governo do presidente Michel Temer. Afinal, disputar eleição com o apoio da máquina da Presidência — ainda que o presidente não esteja tão forte do ponto de vista eleitoral — é sempre mais produtivo do que disputar sem o apoio da máquina. O Fundo Eleitoral muda um pouco mas não inteiramente o quadro.

Vale frisar que, quando Fernando Collor estava caindo, em 1992, Fernando Henrique Cardoso quis assumir um ministério.  Não assumiu porque Mário Covas o impediu.

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