Palocci diz que ditador da Líbia doou 1 milhão de dólares para Lula na campanha de 2002

Reportagem da Veja revela que, em proposta de delação premiada, o ex-ministro de Lula da Silva revela que Muamar Kadafi financiou campanha petista

A edição da “Veja” que chega às bancas de alguns Estados — em Goiás, circula no domingo, eventualmente aos sábados — traz uma reportagem explosiva (título da capa: “A bomba de Palocci contra Lula e o PT”). O ditador da Líbia, Muamar Kadafi (xxxx-2011), segundo a proposta de delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci —e x-braço-direito de Lula da Silva —, teria doado 1 milhão de dólares para a campanha presidencial do petista-chefe na campanha de 2002. Trata-se da primeira campanha vitoriosa de um candidato do PT a presidente da República.

A capa da revista mostra Lula da Silva, Muamar Kadafi e o presidente da Bolívia, Evo Morales. A foto foi feita no encontro da Cúpula América do Sul-África, na Venezuela, em 2009. O repórter Robson Bonin diz que não se trata de “uma cena protocolar, como se observa no aperto de mão informal. A fotografia retrata dois líderes que se diziam ‘irmãos’. Durante 42 anos, Kadafi governou a Líbia seguindo o protocolo dos tiranos. Coronel do Exército, ele liderou um golpe em 1969. No poder, censurou a imprensa, reprimiu adversários e impôs leis que permitiram punições coletivas, prisão perpétua, tortura e morte a quem contrariasse o regime. Dinheiro líbio também financiou grupos terroristas e movimentos políticos em vários cantos do planeta. Entre os que receberam recursos da ditadura líbia estavam, de acordo com o ex-ministro Antonio Palocci, o PT e seu líder máximo, o ex-presidente Lula”.

Palocci garante que, “em 2002 Kadafi enviou secretamente ao Brasil 1 milhão de dólares para financiar a campanha eleitoral do então candidato Lula”. A reportagem acrescenta que, “fundador do PT, ex-prefeito de Ribeirão Preto, ex-ministro da Fazenda do governo Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, Palocci esteve no centro das mais importantes decisões do partido nas últimas duas décadas. Condenado a doze anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, há sete meses ele negocia um acordo de delação premiada. Em troca de redução de pena, compromete-se a contar detalhes de mais de uma dezena de crimes dos quais participou. Um dos capítulos da colaboração trata das relações financeiras entre Lula e o ditador líbio — e tem potencial para fulminar o partido e o próprio ex-presidente”.

Se a história for comprovada, o registro do PT pode ser cassado. Porque, pela lei, outros países não podem bancar eleições no Brasil.

Na internet, a “Veja” divulgou apenas uma parte da reportagem. Espera-se que Antonio Palocci tenha apresentado provas, e que tenham sido transcritas pela revista.

4 respostas para “Palocci diz que ditador da Líbia doou 1 milhão de dólares para Lula na campanha de 2002”

  1. Avatar Abdalla Al Hamdy disse:

    Essa estória é verdadeira e o montante é muito maior que um milhão de dólares

  2. Avatar Geraldo Magela disse:

    O Lula é capaz e fez muito mais que isto. Há uma “preguiça” generalizada de quem tem poder pra apurar os crimes cometidos pelo mercenário.

  3. Avatar Eder Oliveira disse:

    PERDEU O BONDE
    Rafael Moro Martins – Repórter independente em Curitiba. Colaborador das revistas: Piauí, Valor Econômico e UOL.

    A barulhenta delação de Antonio Palocci, que prometia atingir os bancos e tirar Lula do páreo eleitoral. Emperrou
    Há pessimismo nas trincheiras de Antonio Palocci e sua delação. Os advogados do escritório de Adriano Bretas, que negociam a possível colaboração premiada do ex-ministro petista – homem-chave dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff –, não deixam transparecer nenhuma animação quando tratam do assunto. “Imagina uma carruagem pesada, na subida, o terreno molhado, os cavalos cansados… E nós lá atrás, empurrando”, comparou um deles, na última terça-feira de novembro, quando conversamos em Curitiba.
    Dias antes, um integrante da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal me contara, numa conversa informal, que o problema crucial da proposta de delação de Palocci era “a dificuldade dele em se incriminar”, além do natural embaraço que o fato de estar preso há mais de um ano impõe à produção de provas que corroborem o que o outrora grão-petista diz ter a entregar aos investigadores.
    O advogado que atende o ex-ministro rebateu. “Essas são dificuldades superadas”, disse. “Fazer delação é como ir ao analista. De início, você não consegue falar nada, mas, com o tempo, começa a admitir o que fez. Palocci já trilhou esse caminho. E é um homem que ouve e respeita seus advogados”, afiançou o causídico, que acredita que parte considerável do obstáculo a ser vencido pelo cliente está a centenas de quilômetros de Curitiba: a sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília.
    “Tudo mudou por lá. Tínhamos até o WhatsApp dos caras. Isso acabou”, relembra, falando dos tempos de Rodrigo Janot, que deixou o comando da PGR em setembro. “Agora, tem que mandar um e-mail para a secretária para marcar uma reunião com a nova turma”, exasperou-se, explicando os novos procedimentos instaurados pela mandatária Raquel Dodge. A nova procuradora-geral é certamente mais cautelosa que o antecessor no que toca às delações. Há algumas semanas, a revista Época relatava que, a interlocutores, Dodge já afirmou acreditar que Janot exagerou ao eleger as delações como as principais peças das investigações.
    “Nos tempos do Janot, a PGR era um restaurante repleto de advogados propondo colaborações premiadas, com ‘garçons’ da PGR circulando de mesa em mesa, ouvindo os pedidos, cozinha a todo vapor. Agora, quase todos os assentos estão vazios, mas é difícil chamar a atenção de um atendente”, comparou um defensor que já negociou delações premiadas para pesos pesados da Lava Jato.
    Como parte de quem está na mira da delação de Palocci são políticos ou agentes públicos com foro privilegiado, não há como a colaboração driblar a PGR. Em Curitiba, ainda que as conversas entre os defensores do ex-ministro e os procuradores da Lava Jato nunca tenham de fato cessado, o óbice parece ser outro. “Aqui a investigação está já na maturidade. A tendência é ir diminuindo, até porque o que não se refere à Petrobras foi retirado daqui”, disse-me, há algum tempo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos cabeças da operação. Com isso, naturalmente, a baliza colocada pelos investigadores quanto ao que se exige de um candidato a colaborador está elevada. É a regra de mercado, como já definiu Santos Lima. “Se você precisa muito de alguma coisa, vai ceder mais. É uma questão de lógica de negociação.”
    Não é apenas a dificuldade em fechar a delação do cliente mais famoso que atormenta Adriano Bretas nos últimos dias. Uma carta assinada pelo presidente do vetusto e centenário Instituto dos Advogados do Paraná, o IAP, publicada na segunda-feira, 27 de novembro, o tinha como alvo. “Um dos melhores charutos, exibido na matéria, sem dúvida, expeliu a ‘fumaça do mau direito’ e já sinaliza para a enérgica atuação da OAB”, cravou a missiva. Referia-se à principal reportagem da edição daquela semana da revista Veja, que trazia na capa um sorridente Bretas, charuto cubano preso entre os dentes, encimando o título “Os novos-ricos da Lava Jato”.
    “Ao terminar a leitura da matéria, alcancei o filme O Advogado do Diabo, que gira em torno do advogado John Milton, em notável interpretação de Al Pacino que, a certa altura, pronuncia: ‘vaidade, definitivamente o meu pecado favorito’, fulminou o signatário da nota, o advogado Hélio Gomes Coelho Júnior. “Doutor Bretas era conselheiro do IAP, e também exercia uma diretoria departamental. Com o evento [a publicação da matéria], ele entregou os cargos”, disse-me Coelho, que me recebeu na última quarta-feira de novembro em seu escritório localizado num imponente edifício comercial na região nobre de Curitiba.
    Em 100 anos, o IAP jamais expulsou um de seus 950 associados. Tampouco o fará com Bretas – simplesmente porque não há previsão para tanto, em seus estatutos. De seus pares no Instituto, Bretas ouviu sugestões como contratar um assessor para mediar seus contatos com jornalistas, algo que se dispôs a fazer. A OAB do Paraná, por ora, silencia sobre o caso.
    Naquela mesma semana Bretas tinha um compromisso público que encerraria o melhor ano de sua carreira: o lançamento do seu livro técnico de direito, Apontamentos de Processo Penal, numa livraria que funciona dentro de um shopping center de luxo em Curitiba. Garçons com bandejas com vinho e uísque circularam pelo evento, a que compareceram principalmente jovens advogados e alunos – Bretas é professor numa universidade privada da cidade. O decano René Dotti, um dos criminalistas mais respeitados do país, também compareceu. Foi um sucesso: venderam-se perto de 400 exemplares do livro, e Bretas ainda dava autógrafos quando a livraria anunciava que iria fechar dali a instantes, por volta das dez da noite.
    No corredor de entrada da loja, era possível encontrar títulos tão diversos como a trimestral American Affairs, que surgiu com a missão de dar algum lastro intelectual aos arroubos de Donald Trump; a brasileira Rev. Nacional, do fotógrafo J.R. Duran; além de publicações sobre embarcações, trens, aviões, música, artesanato e jornalísticas de todo tipo. As semanais brasileiras também estavam todas lá. Menos a Veja.
    Perguntei a uma atendente onde poderia conseguir um exemplar. “Esgotaram”, respondeu-me, seca. “O pessoal do Bretas comprou todas e escondeu”, confidenciou-me um convidado. Um esforço provavelmente inútil. Até Palocci, na carceragem da Polícia Federal, leu a matéria. E não pareceu incomodado.
    O ex-ministro segue focado em sua colaboração com a força-tarefa. Para seduzir os procuradores, ele acena com a possibilidade de provar pagamentos de propinas feitos a Lula e seu instituto, que teriam como operador Branislav Kontic, que foi assessor próximo do ex-ministro, também réu na Lava Jato. Em setembro passado, o ex-ministro disse o seguinte, ao juiz Sérgio Moro, em depoimento sobre a acusação de que o terreno para o Instituto Lula teria sido comprado com propina da Odebrecht: “Tem duas pessoas acusadas nesse processo que não têm nenhuma responsabilidade sobre o que ocorreu. Uma delas é o Branislav. Tudo que tem o nome do Branislav o senhor pode por meu nome em cima porque era coisa minha.” A ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro passado, era a outra pessoa a quem Palocci referiu-se como inocente.
    O problema, avaliou uma fonte próxima ao ex-ministro, é que, passados quase três meses do bombástico depoimento em que Palocci afirmou a Sérgio Moro que, entre outras coisas, Lula e Emílio Odebrecht tinham um pacto de sangue, o timing da delação parece ter passado. “Se não engrenou naquele momento, fica difícil acreditar que irá sair agora”, ponderou. Lula já parece encrencado o suficiente para a Lava Jato precisar de Palocci. “E o descuido de Bretas, ao aparecer daquela forma na revista, certamente não lhe garante pontos na PGR”, avaliou.

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