Bastidores
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Os preferidos do PT, Luis César e Adriana Accorsi | Fotos: Marcos Kennedy[/caption]
Dois petistas disseram ao Jornal Opção que a imprensa praticamente não compreende como se define um candidato a prefeito pelo PT.
“Hoje, como a deputada Adriana Accorsi não tem possivelmente nenhum delegado, se houver uma disputa na convenção, é provável que Luis Cesar Bueno obtenha pelo menos 70% dos votos dos delegados do partido e, assim, seria definido como o candidato do PT a prefeito de Goiânia”, afirma um dos mais experimentados petistas da capital. “Luis Cesar tem quatro mandatos de deputado estadual, dois de vereador e é o presidente do PT metropolitano. É um político forjado dentro da máquina partidária e, ao contrário de Adriana Accorsi, nunca esteve filiado ao PSDB”, diz o segundo petista. “A base banca o deputado.”
A Executiva do PT, depois de reunião com o prefeito Paulo Garcia, sugere que pretende “manter a unidade do partido” e, se possível, definir “o” pré-candidato depois do carnaval. “No PT, desde sempre, ninguém se torna candidato a partir de notas de jornal”, afirmam os petistas.
Secretário de Gestão e Planejamento do governo de Goiás, o deputado federal Thiago Peixoto (PSD), está entusiasmado com o Uber (o serviço é de qualidade, os automóveis são limpos e confortáveis). Mas não deixa de acompanhar as discussões políticas. “Nós temos dois pré-candidatos a prefeito que conhecem Goiânia como poucos — os deputados Francisco Júnior e Virmondes Cruvinel. Eles têm forte ligação com os segmentos organizados da capital e são políticos criativos, modernos.”
Instado a comentar o nome do PSDB para prefeito de Goiânia, Thiago Peixoto diz que, como pertence a outro partido, não é apropriado envolver-se nos assuntos alheios. Mas admite que o nome mais cristalizado é o do deputado federal Giuseppe Vecci, que tem uma história ao lado do governador Marconi Perillo. Sobre Waldir Soares: “Fiquei com a impressão de que sairia do PSDB para ser candidato por outro partido”. Ele aposta que Iris Rezende será o candidato do PMDB.
Chico Buzina vai bancar candidatos a prefeito em Anicuns, Nazário e Avelinópolis
O deputado federal Daniel Vilela deve assumir a presidência do PMDB no início de fevereiro. O deputado estadual Paulo Cezar Martins deve ser indicado para a vice. José Nelto é cotado para ser o secretário-geral ou o tesoureiro (180 mil reais por mês do Fundo Partidário). Se não aceitar compor, o irismo tende a ficar fora da direção do partido.
Se eleito pela executiva para presidir o PMDB, Daniel Vilela ficará dois anos no comando, com possibilidade de reeleição. Porém, se for disputar o governo em 2018, deixará a presidência para um aliado.
A direção do PT em Goiânia organizou uma lista com o nome de 72 pré-candidatos a vereador. A lista, ao final, será refinada para pouco mais de 50 postulantes. A cúpula petista avalia que uma chapa consistente para vereador é meio caminho andado para fortalecer o candidato a prefeito. Marina Sant’Anna deve ser um dos nomes fortes para a disputa.
A política de Itaberaí estava polarizada entre o prefeito Roberto Silva, do PSD, e a ex-prefeita Rita de Cássia, do PSDB — ambos da base do governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB. Mas o ex-prefeito Wellington Baiano — que não pode disputar eleição, pois é inelegível — está convencendo José Ronaldo a disputar a prefeitura. Resta saber se, ao final, o médico, conceituado no município, vai aceitar um ficha suja coordenando seu palanque, quer dizer, sua campanha. Porém, se confirmado o apoio do senador Ronaldo Caiado, do DEM, ele se tornará um postulante consistente. Definida sua candidatura como nome da terceira via, é possível que a base governista tente um pacto entre Silva e Cássia.
Há um consenso em Brasília: o presidente do Pros, o goiano Eurípedes Júnior, não percebe, mas vai acabar se estrumbicando. Ele brigou com a bancada nacional do partido, comprou avião e helicóptero com o Fundo Partidário e vai acabar sendo acionado judicialmente. Um deputado, seu desafeto, afirma que ele estaria utilizando o helicóptero para sair de Planaltina, onde mora, para frequentar Brasília. O uso seria particular, e não partidário.
O PT, com Adriana Accorsi, Luis Cesar Bueno, Edilberto Dias (ou outro nome), não vai alisar Iris Rezende na campanha para prefeito de Goiânia. Sempre que Iris atacar a gestão de Paulo Garcia, ou o governo de Dilma Rousseff — tentando “tirar o corpo fora”, depois de anos irmanado com o PT —, os petistas vão criticá-lo de maneira implacável. O dossiê contra o peemedebista, quase concluído, é devastador. O cacique teria deixado a prefeitura com dívidas de mais de 400 milhões de reais.
O prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira, disse aos seus aliados que, com mais de 30 anos de vida política, jamais desistirá de seus projetos políticos e pessoais. Por isso será candidatíssimo à reeleição em 2 de outubro. Misael Oliveira é um desses fenômenos políticos: é mais bem avaliado como gestor do que como político. Administrador que trabalha e tem o que mostrar, por vezes, por ser ríspido e não gostar de jogar conversa fora, não é bem visto em termos estritamente políticos. Agora, Misael Oliveira está mais afável e, sobretudo, não fica em seu gabinete. Ele está acompanhando os trabalhos de seus auxiliares com frequência e conversando diretamente com as pessoas, sem intermediários. “O Misael faz obras, reorganizou as finanças da prefeitura, mas precisa mostrar o que faz e se tornar mais acessível”, afirma um marqueteiro.
O senador Wilder Morais passava a impressão que estava em Brasília apenas cuidando de seus negócios ou passeando de barco no Lago Paranoá, ao lado de belas garotas Bastou contratar o jornalista Nilson Gomes — craque que entende de jornalismo, de política e de marketing político — e, aos poucos, está mostrando o que de fato faz em Brasília. Claro que permanece pensando nos seus negócios, porque é empresário, mas está conseguindo mostrar que tem conseguido ajudar vários prefeitos de Goiás, e sem discriminá-los por filiação política ou ideologia. Nilson Gomes elaborou um longo dossiê sobre o assunto. Wilder Morais prova, como dizem os publicitários qualificados, que não basta fazer — é essencial mostrar o que se faz.
Numa visita ao Jornal Opção, o marqueteiro Ademir Lima, um dos mais experimentados quando o assunto é eleição municipal, garante que o prefeito de Goianira, Miller Assis (PSD), será reeleito. Ademir Lima diz que, ao contrário do que se publica, Miller Assis tem “muito o que mostrar durante a campanha”. O prefeito não seria uma nulidade administrativa, frisa o marqueteiro. O problema é saber se Miller Assis terá tempo para recuperar sua imagem. No momento, Carlão Alberto Oliveira, do PSDB, desponta como franco favorito.
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Reprodução / Celg[/caption]
Uma audiência pública sobre a privatização da Celg será realizada na quarta-feira, 3, em Goiânia, na sede da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).
A audiência é muito aguardada e será útil para a Eletrobrás e o governo de Goiás, por intermédio de Fernando Navarrete, explicar como será o processo de privatização.
No momento, não pode chover em Goiânia. Pois, se isto acontecer, faltará energia em vários bairros. O atendimento é precário e a resolução dos problemas demora horas. Reclamar por telefone na Celg, até para avisar sobre falta de energia, é uma missão quase tão impossível quanto visitar o Sol.
Como o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse que seu candidato a prefeito de Uruaçu será Valmir Pedro (PSDB), o ex-prefeito Lourenço Pereira Filho, do PTB, desesperou-se e partiu para o ataque. Quem está construindo o hospital regional em Uruaçu é Marconi Perillo. Mas Lourenço Filho sugere que o “responsável” pela construção é o ex-governador Alcides Rodrigues, que não colocou um tijolo na obra. O problema-chave é que Lourenço Pereira Filho, como sabem até seus aliados no PTB, não pode ser candidato a prefeito de Uruaçu e em nenhuma cidade brasileira. Ele foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Goiás — quer dizer, pela segunda instância. Não tem saída. É ficha suja, mas, devido ao desgaste da prefeita Solange Bertulino (PMDB), é popular.
O ex-prefeito de Nova Iguaçu Adelino Alves mudou seu domicílio eleitoral, filiou-se ao PSD e vai disputar a Prefeitura de Campinorte, no Norte de Goiás. O PP vai bancar Vander Borges, do PP, em Campinorte. Ele e Adelino Alves vão enfrentar o prefeito Francisco Corrêa Sobrinho, do PSB. A gestão de Chicão é apontada, pelos adversários, como desgastada.
Ao menos nos bastidores, o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) tem confidenciado a alguns de seus aliados que, ao romper com o prefeito de Rio Verde, Juraci Martins (PP), pode ter cometido o maior erro político de sua vida — talvez um suicídio político. Publicamente, diz outras coisas, sugerindo, até, certa arrogância de políticos pouco amadurecidos. Heuler Cruvinel parece que acreditou que é possível sobreviver em política sem um grupo consistente. O fato é que não se forma um novo grupo político de uma hora para hora. Assim, embora tenha força política — tanto que foi eleito deputado federal duas vezes —, está percebendo que, se não lhe falta dinheiro, está faltando estrutura política, quer dizer, apoio de políticos cristalizados no município. Aduladores e força de trabalho paga não são difíceis de “contratar”, mas políticos profissionais, que saibam trabalhar e conquistar eleitores, não são fáceis de encontrar. As pessoas, sobretudo os eleitores, não apreciam políticos que sugerem que não precisam de ninguém. É esta a imagem que Heuler Cruvinel exibe nos contatos pessoais.

