O protagonismo evangélico na disputa eleitoral de Goiás em 2022

Ronaldo Caiado, Henrique Meirelles, Gustavo Mendanha, Vanderlan Cardoso e João Campos articulam politicamente entre os evangélicos

Ronaldo Caiado, Oídes José do Carmo e Bertiê Magalhães, importantes líderes evangélicos de Goiás | Foto: Divulgação

Há quem não perceba a força política dos evangélicos por puro preconceito (eles precisam ser examinados com mais perspicácia, com o apoio da sociologia e da antropologia, e não com base em lugares-comuns típicos de redes sociais). Mas é um fato, tanto no Brasil quanto em Goiás.

Em 2018, o deputado estadual mais votado foi Henrique Alves (46.546 votos), do PSC, da Igreja Assembleia de Deus liderada pelo bispo Oídes José do Carmo, um dos líderes evangélicos mais respeitados de Goiás e do país. O segundo colocado, com 45.605 votos, foi Jefferson Rodrigues, do partido Republicanos. O pastor integra a Igreja Universal.

Os grupos evangélicos elegeram dois deputados federais, João Campos (Republicanos), o quinto mais votado, e Glaustin da Fokus (PSC), o sexto mais votado. Ambos pertencem à Igreja Assembleia de Deus.

Delegado Waldir Soares, empresário Márcio Corrêa, Bertiê Magalhães, Eliud (mulher de Bertiê), vereadora Seiliane da SOS Animais e dentista Carla Corrêa | Foto: Divulgação

Dois dos três senadores de Goiás — Vanderlan Cardoso (PSD) e Luiz Carlos do Carmo (sem partido) — pertencem à Assembleia de Deus. O primeiro foi o mais votado na eleição de 2018.

Há, por fim, uma infinidade de prefeitos e vereadores evangélicos em Goiás.

No momento assiste-se uma batalha pela conquista do apoio dos líderes evangélicos (ressalte-se que não se deve analisar os evangélicos de maneira unidimensional, porque, apesar dos pontos em comum, em torno da religião e da defesa da família, não pensam da mesma maneira em termos político-partidários. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, sem partido, é evangélico, mas não é unanimidade no meio religioso). Veja-se o caso do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que tem o apoio da Assembleia de Deus liderada por um irmão do ex-deputado estadual Samuel Almeida. A filiação do secretário da Fazenda e Planejamento do governo de São Paulo ao PSD em Goiás se deu pelas mãos de dois evangélicos — o senador Vanderlan Cardoso e o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Goiás Samuel Almeida (irmão do pastor Abinair Vargas, da Assembleia de Deus-Ministério Fama).

Delegado Waldir Soares, governador Ronaldo Caiado e empresário Márcio Corrêa | Foto: Divulgação

Ninguém articula em Goiás sem passar pelos evangélicos. O governador Ronaldo Caiado, do União Brasil, articula com frequência com seus principais líderes, em todo o Estado. Parte significativa da Assembleia de Deus deverá apoiar sua reeleição. Assim como a Igreja Universal do pastor e deputado estadual Jefferson Rodrigues e do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (outro nome significativo do meio evangélico em Goiás). Primeiro, por considerá-lo um companheiro ideológico — no geral, os evangélicos não são de esquerda e são conservadores em termos de costumes. Segundo, porque admitem que faz um governo correto e com programas sociais importantes. Terceiro, é apontado como favorito para a disputa de 2 de outubro, com a possibilidade de ser reeleito no primeiro turno.

Na sexta-feira, 11, Ronaldo Caiado participou da comemoração do aniversário do pastor Bertiê Magalhães (completou 68 anos), da Assembleia de Deus (Ministério Madureira, ligado ao bispo Oídes José do Carmo), em Anápolis. Trata-se de uma das vozes religiosas mais respeitadas de Goiás. A presença do governador na reunião, com a participação do deputado federal Delegado Waldir Soares — pré-candidato a senador pelo União Brasil — e do empresário e pré-candidato a deputado federal Márcio Corrêa (MDB), entre outros políticos, mostra a força dos evangélicos tanto na política quanto na vida social de Goiás.

Os evangélicos estão em ascensão, não chegaram ao limite de crescimento e é provável que — assim como a China ameaça o longevo império dos Estados Unidos na economia — se aproximem ainda mais da Igreja Católica, podendo, a longo prazo, superá-la.

O PSC e o Republicanos são vistos como “partidos evangélicos”, porque evangélicos os controlam, mas há evangélicos em posição de proa em vários partidos. O senador Vanderlan Cardoso, por exemplo, é um dos próceres do PSD e um dos políticos mais importantes de Goiás.

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