Ex-aliados de Lúcio Flávio avaliam que Miguel Cançado é um postulante forte, porque tem experiência, agrega e pacifica. Integrantes da OAB Forte dizem que ele não está discutindo o assunto

Miguel Cançado: o advogado é tido como experiente, agregador e pacificador | Foto: Jornal Opção

Na segunda-feira, 9, dois grupos de advogados, que não eram mas estão se tornando antagônicos, se reuniram para discutir a sucessão na Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás. Eles seguem a máxima atribuída ao político mineiro Tancredo Neves de que, “em política, não há cedo, só tarde”. Noutras palavras, estão sugerindo que, como as eleições para a sucessão de Lúcio Flávio serão realizadas no próximo ano, as articulações começarão a ser feitas em 2017. O quanto antes, melhor, mais produtivo.

Lúcio Flávio era visto como uma espécie de “renovação”. Mas agora é apontado, inclusive por aliados e ex-aliados — sim, o número de ex-aliados só cresce —, como um presidente que não confere estatura à OAB. O presidente da Ordem tem de ser visto como o representante de todos os advogados, e não apenas de uma espécie de “gueto”. Para piorar, hoje Lúcio Flávio não representa nem mesmo a maioria daqueles que participaram de sua campanha. A cada dia advogados categorizados, fundamentais na campanha, se afastam do jovem presidente da Ordem. A maior parte diz que se trata de um presidente “intratável e que, sobretudo, “não lidera”. Tais críticas, ressalte-se, estão sendo feitas por aliados e aqueles que, aos poucos, estão deixando de ser aliados.

Gueto do Lúcio Flávio

Lúcio Flávio não estaria representando todos os advogados, e sim “guetos” | Foto: Jornal Opção

“O verdadeiro líder, ao assumir a presidência da OAB, tem de evitar contenciosos com advogados. O que se vê é um presidente que não se assume como líder, como representante de todos os advogados. A impressão que se tem é que Lúcio Flávio não desativou o ‘palanque’ e que permanece organizando ‘comícios’”, afirma um aliado que está se afastando do que chama de “gueto do Lúcio Flávio”.

Um dos grupos de advogados sugere que Lúcio Flávio foi eleito para “renovar” a OAB, mas a impressão que passa é que, no lugar de trabalhar pela mudança, está fazendo a instituição retroagir. Este grupo pretende lançar um candidato alternativo, da terceira via, contra o grupo de Lúcio Flávio e da OAB Forte. Mas, nas discussões ocorridas, segundo reproduz um advogado, a maioria avaliou que será muito difícil derrotar o candidato da OAB Forte em 2018. Tese da facção: os advogados apostaram no novo-sem experiência, ao bancar Lúcio Flávio, e agora estão “decepcionados”.

Por isso avaliam que será difícil a reeleição de Lúcio Flávio e mesmo a eleição de um postulante da terceira via. Os advogados “independentistas” sugerem que, se a OAB Forte bancar um candidato experimentado como Miguel Cançado, que contribuiu, de maneira decisiva, para o fortalecimento e modernização da Ordem tanto em termos regionais quanto nacionais, terá chance de voltar ao comando da OAB.

Por que os “independentistas”, como se assumem, acreditam que Miguel Cançado é um candidato forte e, até, “imbatível”? Eles dizem que Miguel Cançado tem “experiência” e é “agregador”. Além de ser considerado um articulador de primeira linha. Mesmo aqueles que não apostam no ex-presidente admitem que, com ele no comando, a Ordem ganha em estatura. No momento, a OAB-Goiás está sempre no noticiário da imprensa de maneira negativa. Por isso, os advogados avaliam que se precisa de um “pacificador”, de uma espécie de Tancredo Neves da advocacia — do estilo de Miguel Cançado.

A questão é: Miguel Cançado quer ser candidato a presidente da OAB? Há quem acredite que, convencido pelas bases, pode até disputar. No momento, segundo aliados, o assunto não é uma de suas prioridades. Mas por que seu nome veio à tona? “Porque”, frisam os “independentistas”, “Lúcio Flávio passa a impressão de que já está no fim do mandato, de que seu mandato está praticamente acabando”.