Marconi Perillo pode ser o candidato mais fácil de ser derrotado para senador?

Na eleição de 2018, o tucano começou em primeiro lugar nas pesquisas e terminou em quinto lugar. A história pode se repetir?

Marconi Perillo: líder para o Senado| Foto: divulgação

É um truísmo: cada eleição tem sua história. Mas não se deve desconsiderar a história das eleições anteriores. Porque ela diz alguma coisa sobre o presente.

No início de 2018, dizia-se, nos quatro cantos do Estado de Goiás: “Só está em jogo uma vaga, pois o governador Marconi Perillo (PSDB) será eleito senador”. Quem não acreditava nisto era visto como maluco de pedra.

Porém, quando as urnas foram apuradas, o que se viu, de maneira surpreendente: Perillo havia ficado em quinto lugar, com apenas 7,55% dos votos. Vanderlan Cardoso (na época, filiado ao PP), com 31,35%, e Jorge Kajuru (filiado ao extinto PRP), com 28,23%, foram eleitos para o Senado. Wilder Morais (era filiado ao DEM) apareceu em terceiro lugar, com 14,43%, e Lúcia Vânia (PSB) obteve 9,42%.

Henrique Meirelles: pré-candidato a senador pelo PSD | Foto: Divulgação

A derrota de Perillo — político que havia sido eleito governador quatro vezes e senador uma vez — é a maior da história de Goiás, comparável à de Iris Rezende, em 1998, e exatamente para o tucano.

O general Golbery do Couto e Silva, o maior articulador político da ditadura — trafegou em três governos: o de Castello Branco (quando criou o SNI), o de Ernesto Geisel e o de João Figueiredo —, dizia que no bojo de uma derrota sempre se terá outra derrota. Portanto, Perillo pode ser derrotado, mais uma vez, na disputa eleitoral de 2 de outubro deste ano? Claro que sim. Mas também é possível que seja eleito.

Zacharias Calil: deputado federal | Foto: Jornal Opção

A pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada na quinta-feira, 17, aponta Perillo como líder inconteste — 24% das intenções. Bem à frente do segundo colocado, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (PSD), que tem 14%. Em seguida, aparecem o deputado federal e médico Zacharias Calil (União Brasil), com 7%; o deputado federal João Campos (Republicanos), com 6%; o ex-ministro Alexandre Baldy (Progressistas), com 6%, o deputado federal Rubens Otoni (PT), com 5%, o ex-senador Wilder Morais (PSC), com 5%, e o senador Luiz Carlos do Carmo, com 2%.

Alexandre Baldy: pré-candidato a senador pelo PP | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Não há a menor dúvida de que Perillo é um candidato consistente, mas convém lembrar da eleição passada e propor a seguinte pergunta: o desgaste que o derrotou em 2018 foi “perdoado” ou apenas “esquecido” momentaneamente? Ainda não dá para saber, é claro. Portanto, é preciso esperar o “esquentamento dos motores” da campanha eleitoral. Resta saber qual dos passados do tucano vai ser lembrado pelos eleitores: se o das denúncias de corrupção — que o levaram à prisão numa cela da Polícia Federal — ou se o do obreiro. Uma campanha acirrada pode potencializar o desgaste de Perillo e derrotá-lo mais uma vez? É possível.

João Campos: pré-candidato a senador pelo Republicanos | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Longe de retirar, a pesquisa do Real Time Big Data aumentou o entusiasmo de Henrique Meirelles, Zacharias Calil (que tende a não disputar, porque pertence ao partido de Ronaldo Caiado, e o União Brasil não terá candidatos a governador e senador), João Campos, Alexandre Baldy e Wilder Morais (Delegado Waldir Soares, do União Brasil, enfrenta o mesmo problema de Zacharias Calil). Por que a manutenção — e até o aumento — do entusiasmo? Porque os postulantes parecem acreditar que Perillo é o candidato mais fácil de ser derrotado. De todos, é o que tem mais desgaste, que, se bem explorado, pode puxá-lo para baixo.

Wilder Morais: pré-candidato a senador pelo PSC | Foto: Reprodução

Aliados do PSD dizem que, embora “chegado agora”, Meirelles já aparece em segundo lugar, com 14%, um número considerado satisfatório. “Porque a tendência é que Marconi estabilize ou até caia. Mas Meirelles, assim que anunciar que estará na chapa do governador Ronaldo Caiado, terá um exército eleitoral ao seu lado. Ou seja, tende a crescer e a superar o postulante tucano. Por exemplo: além de Caiado, o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central conta com o apoio de gente que tem voto e prestígio, como o senador Vanderlan Cardoso, o ex-deputado federal Vilmar Rocha e o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira. Samuel Almeida, da Assembleia de Deus, será um dos coordenadores de sua campanha. E não ficarei surpreso, por causa de Lula da Silva, se o PT apoiá-lo”, afirma um membro do PSD.

Luiz Carlos do Carmo: senador | Foto: Divulgação

Alexandre Baldy permanece animado e, no momento, está estruturando sua equipe de campanha. Um aliado sugere: “A tendência é que Marconi Perillo caia e a disputa se dê entre Meirelles e Baldy”. O deputado federal João Campos também se mostra animado, embora há quem postule que acabará se tornando suplente de Henrique Meirelles.

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