Lula deve lançar Adriana Accorsi ou Flávio Faedo para o governo de Goiás na terça-feira. Em Catalão
30 maio 2026 às 21h00

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Em recente encontro com um ex-deputado, um deputado do PT foi peremptório: “Se estão pensando que o presidente Lula vai aceitar um laranja ou mexerica como candidato ao governo de Goiás podem ir retirando o cavalinho da chuva”.
O deputado relatou que, como Lula da Silva cobra um palanque ampliado, com políticos de esquerda, de centro e até de centro-direita, um grupo do PT abriu conversações com o ex-governador de Goiás José Eliton. “Seu nome não recebeu nenhum veto da cúpula nacional. Entretanto, como presidente do PT em Goiás, Adriana Accorsi o vetou.”

O advogado José Eliton foi apontado como “muito à direita”, porque pertenceu ao PFL e, no passado, foi aliado do ex-governador Ronaldo Caiado.
Em seguida, o PT abriu espaço para inscrições de pré-candidatos a governador. Se inscreveram o jornalista Cláudio Curado, o ex-deputado Luis Cesar Bueno e o advogado Valério Luiz Filho. O terceiro seria uma aposta de Adriana Accorsi.
Dos três nomes, Luis Cesar Bueno foi considerado o mais consistente, do ponto de vista eleitoral, por ter sido vereador e deputado por vários mandatos.
Entretanto, sua intenção de voto, na faixa de 4%, não agradou a cúpula nacional do PT (leia-se Lula da Silva e o presidente nacional do partido, Edinho Silva).
Pressionada a definir um nome — os demais partidos já definiram seus candidatos: Daniel Vilela, do MDB, Marconi Perillo, do PSDB, e Wilder Morais, do PL —, Adriana Accorsi sugeriu o produtor rural Flávio Faedo, de Rio Verde.

Num primeiro momento, Flávio Faedo teria ficado “empolgado”. Mas, com receio de se tornar o Wolmir Amado de 2026 — o candidato a governador pelo PT em 2022 teria sido abandonado na chapada, com escassos recursos —, o produtor de soja e milho teria colocado um pé atrás. Teria dito que tem problemas de saúde — não muito sérios — e estaria operando a sucessão nos negócios da família.
Na segunda-feira, 1º, a cúpula do PT em Goiás vai se reunir, em Goiânia. “O clima está ruim no partido. O partido tem tendências divergentes, mas sempre procurou unificar o discurso, em busca de consenso. Agora cada um está falando uma coisa e, por isso, o partido não tem uma posição oficial sobre a disputa para governador. Ninguém quer falar, mas o PT em peso está cobrando mais liderança da presidente Adriana Accorsi. Ela é séria, mas precisa ser mais proativa”, sugere um petista com mandato.

Dois oito petistas ouvidos pelo Jornal Opção, seis disseram que Adriana Accorsi está “procrastinando” a escolha do candidato a governador pelo PT porque, o fundo, quer ser a candidata. “Pelo visto, Adriana Accorsi, apesar de dizer que prefere disputar a reeleição, quer ser candidata a governadora. Mas quer que o PT nacional se responsabilize pela estrutura financeira e logística da campanha. Ela já enfrentou problemas com dívidas em campanhas anteriores. Dívidas que são partidárias mas que, em termos judiciais, ficaram como pessoais.”
O que Adriana Accorsi está realmente aguardando? “Primeiro, ela está apreciando a permanência de seu nome na mídia como candidata mais consistente. Segundo, aguarda ser convocada por Lula da Silva para uma conversa realmente pragmática”, afirma um petista.
Lula da Silva teria decidido que, como Goiás tem um candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado (PSD) — e por isso a votação do petista tende a cair no Estado —, vai coordenar a escolha do candidato do PT em Goiás. Ou melhor, da candidata.

“Lula sacrificou Fernando Haddad, obrigando-o a disputar uma eleição altamente incerta pelo governo de São Paulo, e os nomes petistas no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Por que Goiás não vai acolher sua orientação, que é a de bancar um candidato eleitoralmente consistente? Não necessariamente para ganhar, e sim para fortalecer o palanque do presidenciável petista. Lula precisa obter uma votação uniforme em todos os Estados, inclusive naqueles que têm menos eleitores, como Goiás”, analisa outro petista.
O presidente Lula da Silva vai visitar Goiás na terça-feira, 2, para inaugurar o Hospital de Catalão, que foi federalizado (a pedido do deputado federal José Nelto, do União Brasil), e um campus da Universidade Federal Catalão (UfCat). Durante a visita, pode anunciar o nome do candidato — ou candidata — a governador de Goiás. A tendência é que ele anuncie Adriana Accorsi para a disputa do governo.
Adriana Accorsi resistirá a uma indicação de Lula da Silva? Os oito petistas dizem que “não”. “No PT ninguém diz ‘não’ a Lula. Isto não vai começar em Goiás.”
Mas procede que Lula da Silva teria ficado interessado no nome de Flávio Faedo, por ele ser produtor rural de grande porte. “O que se comenta em Brasília é que Faedo seria um ótimo vice para Adriana Accorsi. Mas, se Adriana realmente continuar resistindo, ele poderá ser o candidato”, pontua um petista que será candidato a deputado.
Lula da Silva também estaria interessado em atrair Aava Santiago para a aliança com o PT. Pelo fato de ela ter evangélica e ter discurso afiado. Porém, a vereadora insiste que será candidata a deputada federal. Não aceitaria ser candidata a governadora? Há quem postule que não. E a senadora? Não se sabe.
Um ex-vereador desenha a seguinte chapa: Adriana Accorsi para governadora, Flávio Faedo na vice e Aldo Arantes e Luis Cesar Bueno (ou Cíntia Dias) para o Senado. A outra chapa seria: Flávio Faedo para governador, Aava Santiago na vice (ou o inverso), com Aldo Arantes e Luis Cesar Bueno para o Senado. (E.F.B.)



