Luiz do Carmo largou em primeiro, com Schreiner colado. Bruno, Mendanha e Adriano seguem próximos
26 abril 2026 às 00h33

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O que é mais disputado hoje em Goiás? A vaga de vice na chapa do governador Daniel Vilela, do MDB.
Por quê? Por dois motivos. Primeiro, Daniel Vilela é superfavorito e tem condições de ganhar no primeiro turno. Segundo, se for reeleito em 2026, não poderá disputar o governo em 2030. Então, seu vice, assumindo o governo, se tornará candidato natural à reeleição.
A vice de Marconi Perillo e Wilder Morais, pré-candidatos a governador pelo PSDB e pelo PL, não é interessante por dois motivos. Primeiro, as chances de serem eleitos é mínima. Segundo, se forem eleitos, serão candidatos à reeleição. Ou seja, não abririam espaço para o vice.

O fato é que, no momento, há cinco pré-candidatos a vice que largaram na frente: Adriano da Rocha Lima, do PSD, Bruno Peixoto, do União Brasil, Gustavo Mendanha, do PSD, José Mário Schreiner, do PSD, e Luiz Carlos do Carmo, do PSD.
Hoje, há dois “pilotos” na pole: José Mário Schreiner, o homem do Agro, e Luiz Carlos do Carmo (dois metros na frente do “companharo” de equipe), o homem dos evangélicos. Os dois querem ser Antonelli, da Mercedes.
O Jornal Opção enviou perguntas sobre os postulantes a vice para 10 políticos. As respostas chegaram por WhatsApp e serão sintetizadas a seguir. A redação organizou uma média das análises e opiniões, que são muito parecidas.
1

Adriano Rocha Lima é visto assim pelos entrevistados: se um acordo com o PL tivesse sido implementado, de cara, teria sido indicado para a vice. Mas os entrevistados fazem a seguinte ressalva: não se deve “brincar” nem mesmo quando o quadro parece resolvido.
Frise-se que, pelo coração, é o vice dos sonhos do ex-governador Ronaldo Caiado — pré-candidato a presidente da República pelo PSD.
2

Bruno Peixoto é apontado como um nome popular e, por isso, agrega voto. Mas enfrenta sérias resistências. “Porque articula demais e isto em política não é muito bom.” O nome do presidente da Assembleia Legislativa parecia ter saído do jogo. Mas ainda não saiu.
Se precisarem de voto, dizem os entrevistados, terão de ir buscá-lo para vice. Por enquanto, não está entre os titulares. Carlo Ancelotti o colocaria no banco.
3

Gustavo Mendanha é visto como um “bom” vice. Porque representa a região metropolitana, ou seja, a Grande Goiânia. Mas sua força é, ao mesmo tempo, sua fraqueza. Porque Daniel Vilela — por ter o apoio dos prefeitos de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), de Trindade, Marden Júnior (União Brasil), e de Senador Canedo, Fernando Pellozo (União Brasil) — é forte na região. O que se diz é que os votos que o ex-prefeito poderia atrair já estariam com o postulante do MDB.
No fundo, os perfis de Daniel Vilela e de Gustavo Mendanha são parecidos. É o que “enfraquece” Gustavo Mendanha.
Embora seja protestante, Gustavo Mendanha não é mais forte do que Luiz Carlos do Carmo entre o público evangélico. A força deste não deriva de si, mas do fato de, sendo irmão do bispo Oídes José do Carmo, ter o apoio da Assembleia de Deus. Mano a mano, o ex-prefeito de Aparecida é mais forte, porém não é nada fraco quem tem o apoio de uma igreja poderosa como a Assembleia de Deus.
4

Se Luiz Carlos do Carmo está na pole, José Mário Schreiner está colado — quase empatado. Os entrevistados admitem que tem apoio forte no Agro. Mas também enfrenta problemas. Parte do Agro já está com Daniel Vilela, sobretudo por causa de Ronaldo Caiado, que é da área. Pode-se sugerir que parte substancial do Agro é caiadista, porque Ronaldo Caiado o representa há anos, sem nenhum recuo. Mas parte é fortemente bolsonarista, às vezes sem deixar de ser caiadista.
José Mário Schreiner teria condições de atrair o Agro bolsonarista para Daniel Vilela? Muito difícil. O PL do deputado Gustavo Gayer e do vereador Major Vitor Hugo traria. Eles integram o bolsonarismo-raiz.
Mesmo sendo um político respeitado no Sudoeste, sobretudo por ser presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner enfrenta um problema sério em Rio Verde, o município mais próspero do Sudoeste (segundo maior PIB do Estado). O grupo do ex-prefeito Paulo do Vale — o político mais relevante da região — não o apoia para vice. Prefere bancar Luiz Carlos do Carmo.
Há pouco, José Mário Schreiner ganhou apoio importante. A pré-candidata a senadora pelo União Brasil, Gracinha Caiado, disse que, se dependesse dela, o produtor rural seria o vice. Se acabar não sendo vice, o líder ruralista aceitaria a primeira suplência da líder do UB? Não se sabe. Até porque Alexandre Baldy, do pP, embora se apresente como pré-candidato a senador, quer mesmo é ser suplente da mulher de Ronaldo Caiado.
5
Luiz Carlos do Carmo, como dito, conta com o apoio da Igreja Assembleia de Deus. Os entrevistados dizem que o mundo evangélico é gigantesco, engajado e coeso eleitoralmente. Um emedebista diz que os evangélicos parecem a “nação flamenguista”.
O irmão de Oídes José do Carmo e do prefeito de Bela Vista de Goiás, Eurípedes José do Carmo, é cada vez mais forte para vice. Por isso, é o favorito. Largou na frente. É a Mercedes — leia-se Antonelli — do momento.
O apoio da Assembleia de Deus a Ronaldo Caiado para presidente da República também fortalece Luiz Carlos do Carmo em Goiás. É o que se chama, e não apenas em termos políticos, de retribuição. (E.F.B.)

