Júnior Friboi prefere se desfiliar a ser expulso do PMDB. Frederico Jayme vai se defender

Júnior Friboi e Frederico Jayme: o ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende decidiu que não vai conviver com os 2 políticos no PMDB

Júnior Friboi e Frederico Jayme: o ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende decidiu que não vai conviver com os 2 políticos no PMDB

O empresário Júnior Friboi está numa fase criativa e feliz de sua vida, tanto pessoal quanto profissional. Casado pela segunda vez, é pai de um menino pequeno — uma de suas alegrias. Sua filha dirige um empreendimento bem-sucedido em Goiânia, no Setor Marista. O outro filho o acompanha nas negociações do frigorífico Mataboi. Seu objetivo é constituir, em pouco tempo, um dos mais poderosos frigoríficos do país. O que lhe dá dor de cabeça é outra coisa, uma amante às vezes ingrata: a política. Iris Rezende “infiltrou” uma tese na cabeça de seus seguidores: mais do que ganhar eleição, o fundamental é expulsar Friboi das hostes do PMDB.

O vice-presidente da República, Michel Temer, os prefeitos de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e de Jataí, Humberto Machado, e os deputados federais Pedro Chaves e Daniel Vilela não aceitam. Tese deles: no lugar de expulsar, é preciso aglutinar. Se dependesse de uma votação em todo o partido, Friboi não seria expulso. Pelo contrário, seria aclamado como líder — até presidente do partido. Acrescente-se que a eleição para presidente do Diretório Regional será realizada tão-somente em outubro deste ano.

Ao conversar com integrantes do PMDB, Friboi, sem se propor a construir um muro de lamentações, disse que um de seus objetivos é (ou era) aglutinar os peemedebistas e ampliar a convergência, organizando o partido em todo o Estado — não se preocupando apenas com Goiânia, como é o caso de Iris Rezende — com vistas às eleições tanto de 2016, para as prefeituras, quanto para 2018, para o governo de Goiás. Se não for expulso, hipótese cada vez mais remota, trabalhará para a antecipar o processo eleitoral (a disputa pelo comando do Diretório).

Porém, como o partido está implodindo e buscando um líder de fora, como o senador Ronaldo Caiado (DEM), se o partido decidir pela expulsão pura e simples, Friboi confidenciou que deve desfiliar-se. Prefere não ser expulso.

O advogado Dorival (Dori) Mocó, do PMDB, vai notificar tanto Friboi quanto Frederico Jayme — acusados de infidelidade partidária — para que apresentem, no prazo de 15 dias, suas defesas. A Comissão de Ética reuniu-se na semana passada para discutir a questão. Dos sete integrantes da comissão quatro defendem o expurgo.

Frederico Jayme disse ao Jornal Opção que vai apresentar sua defesa. “Estranho o fato de Iris Rezende, que jamais aceita explicar a origem de seu patrimônio e não discute suas infidelidades partidárias, trabalhar, nos bastidores, pela nossa expulsão.” O chefe de gabinete do governador Marconi Perillo planeja apresentar duas defesas — uma oral e uma escrita — detalhadas. “Quero pôr os pingos nos is”, frisa. “Ao me defender, vou aproveitar para contar a história de Iris e seus posicionamentos históricos.”

Peemedebistas que apoiam Friboi e Frederico Jayme dizem estranhar o fato de Iris Rezende criticar a aproximação dos dois políticos com o governador Marconi Perillo, do PSDB, mas trabalhar para “entregar” o PMDB ao senador Ronaldo Caiado, que pertence a outro partido.

2 respostas para “Júnior Friboi prefere se desfiliar a ser expulso do PMDB. Frederico Jayme vai se defender”

  1. Avatar arthur de lucca disse:

    O que é mais estranho ainda é políticos sendo espertos mais espertos do que o normal, caírem no “conto do vigário ( ou pastor?) Dr. Iris” e entrarem achando que tudo será diferente. Foi Dr. Henrique Meirelles, foi Vandelan, foi Junior Friboi. A “sereia está cantando” nos ouvidos do Dr. Ronaldo Caiado. Freud explica?

  2. Avatar Caio Maior disse:

    É impossível esquecer que este debate versa sobre a posição dos partidos no cenário político estadual. Qual a posição do PMDB? É um partido na oposição ao governo do PSDB, desde 1999. E Iris Rezende pontifica na liderança de uma vertente oposicionista incontestável desde então. Quanto ao senador Ronaldo Caiado, há mais de uma década afastou-se do PSDB de Goiás e mantém distância de Marconi Perillo. Suas declarações, seus questionamentos e seu apoio explícito à candidatura de Iris ao governo em 2014 não deixam dúvidas quanto ao seu efetivo alinhamento na oposição aos Tucanos em Goiás. Henrique Meirelles surgiu no cenário político goiano filiando-se ao PSDB, elegendo-se deputado federal por este partido e renunciando ao mandato antes mesmo da posse para ocupar a presidência do Banco Central no governo do PT. Impossível não perceber a indiferença aos eleitores que sufragaram seu nome, ao partido que lhe ofereceu legenda. Não se tem noticia de qualquer satisfação sobre os motivos da inusitada “mudança” prestada aos milhares de cidadãos que o elegeram. Vanderlan Cardoso, por sua vez, quando teve oportunidade de apoiar a oposição no segundo turno das disputas eleitorais preferiu manter um posicionamento equidistante, preferiu a neutralidade – e perdeu a oportunidade de assumir um viés definido, inequívoco, de oposição ao PSDB. O empresário Junior Friboi, por sua vez, parece agir como se um partido fosse uma empresa. Talvez não saiba que empresa ele cria, compra, vende – mas partido é diferente!
    Quanto aos questionamentos do ex-conselheiro Frederico Jayme acerca da “evolução patrimonial” do seu ex-líder Iris Rezende é forçoso reconhecer que são apresentados com algumas décadas de atraso. Por qual razão não questionou a integridade patrimonial do seu atual adversário nos anos 80 ou 90 do século XX? Sabe-se há décadas que Iris Rezende goza de patrimônio respeitável e – pelo que consta – devidamente declarado à receita e sem questionamentos por quem de direito. Enquanto cidadão dotado de razoàvel
    compreensão e eleitor medianamente informado, sinto-me
    subestimado quando leio qualquer “notícia” que levante
    suspeitas sobre a evolução patrimonial de alguém a partir
    de um sofisma evidente: presume-se a inocência e deve ser provada aculpa – e não o contrário. Ou seja: acredita-se na veracidade e lisura das declarações de renda e
    patrimonial de todo cidadão – até que se prove o contrário! O ex-conselheiro tem provas de irregularidades no
    patrimônio de Iris? Tem, pelo menos, conhecimento de
    alguma auditoria ou análise fiscal que comprove
    materialmente ilegalidades ou algo do gênero? Que
    apresente as provas – ou se cale até que o faça. Afinal, a
    honra de qualquer cidadão deve ser respeitada.
    Especialmente a dos adversários. Fazer política disseminando “boatos” é um comportamento que deslustra
    e desmerece qualquer cidadão.

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