Iris Rezende opera, com relativa discrição, para se livrar do desgaste do prefeito Paulo Garcia

Iris Rezende: no seu estilo sutil, mas afirmativo, o peemedebista-chefe está se livrando aos poucos da presença incômoda do PT em Goiânia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Iris Rezende: no seu estilo sutil, mas afirmativo, o peemedebista-chefe está se livrando aos poucos da presença incômoda do PT em Goiânia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Não se pode dizer que o ex-governador Iris Rezende, que fará 82 anos em dezembro, não é um político sutil. A partir de seu escritório, com conversas ao pé do ouvido — como Ulysses Gui­marães e Tancredo Neves, avalia que conversa por telefone é comício (os grampos estão na ordem do dia) —, o peemedebista-chefe vai articulando os movimentos do peemedebismo. Sua força deriva, ao menos em parte, do fato de ser um político presente, encontrável — o que não ocorre com Júnior Friboi e mes­mo com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Na semana passada, alguns movimentos — que não parecem mas são “de” Iris Rezende — puderem ser captados.

Primeiro, numa conversa com dois peemedebistas, no seu estilo de sondar sem parecer que está sondando, Iris Rezende perguntou se o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), teria condições de bancar a deputada estadual Adriana Accorsi como candidata à sua sucessão. Um dos interlocutores disse que “sim” e quis saber qual era a preocupação do líder político. No seu estilo enviesado, como a sugerir que não tem muito interesse na questão, tão-somente insinuou que uma candidatura de Adriana Accorsi seria importante para o candidato do PMDB — seja o chefão ou outro. Motivo: a deputada, e não ele, teria de fazer a defesa do paulo-garcismo. Noutras palavras, o peemedebista-chefe está sugerindo que não assumirá a defesa da gestão do prefeito.

Segundo, uma filha de Iris Rezende, a advogada Ana Paula, foi flagrada na manifestação de domingo, 15, contra a corrupção e o governo da presidente Dilma Rousseff. Por qual motivo o decano peemedebista liberou a filha para participar de uma manifestação antipetista? Porque não tem simpatia pela petista-chefe e, paulatinamente, está se dissociando do PT. PMDB e PT estão fazendo “terapia de casal” — mais por insistência do petismo, pois o parceiro, o peemedebismo, está noutra relação, com o DEM de Ronaldo Caiado, e, portanto, à beira do divórcio, que não se sabe se litigioso ou não. A aproximação com Caiado é um recado que o PT insiste em não entender — parecendo acreditar que se trata de, digamos, “um casinho”. Não é. É namoro para vivar noivado em 2016 e casamento em 2018.

Terceiro, e mais emblemático, Iris Rezende aconselhou as figuras mais conhecidas do PT, notadamente os deputados estaduais, a se manterem longe da visita da presidente Dilma Rousseff ao prefeito Paulo Garcia, no Paço Municipal. Nada contra Paulo Garcia — que o peemedebista “aprecia” como amigo — mas tudo contra Dilma Rousseff. O deputado José Nelto, localizado em São Paulo, disse ao Jornal Opção: “O PMDB de Goiás não tem nenhuma gratidão à presidente Dilma. Somos favoráveis a que ajude o Estado, mas ela está se notabilizando por viabilizar o governo de Marconi Perillo”.

José Nelto frisa que, na disputa de 2014, Dilma Rousseff em nenhum momento colaborou com a campanha de Iris Rezende. “Ela não ajudou a nossa aliança; pelo contrário, permitiu a candidatura de Antônio Gomide, do PT, o que nos prejudicou por exemplo em Anápolis. Agora que sua imagem está no ‘chão’, Dilma vem a Goiás. A bancada e o partido decidiram não prestigiá-la, assim como ela não nos prestigia. Maguito Vilela esteve no encontro como prefeito.”

Mesmo dizendo que tem apreço pelo prefeito Paulo Garcia, José Nelto frisa que o PMDB está cada vez mais distante do petista. Que nota o sr. daria para a gestão do prefeito? “Paulo Garcia precisa cuidar melhor da cidade, limpá-la adequadamente. Eu dou ao prefeito a mesma nota que a cidade está lhe dando.” O deputado do PMDB não diz qual é nota, mas sugere que é baixa.

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