Ibaneis Rocha e Celina Leão, siameses, tendem a “morrer” abraçados. Arruda e Grass podem disputar o 2º turno
23 maio 2026 às 21h00

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A política é, em larga medida, a arte da encenação. Os políticos são espécies de atores que estão sempre atuando.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do pP (ligadíssima a Ciro Nogueira, o senador “de” Daniel Vorcaro, do Banco Master), e o ex-governador Ibaneis Rocha, do MDB, “brigaram” na semana passada e, logo depois, se “reconciliaram”. Depois dos tapas, os beijos.
O motivo da briga e da nova aliança é prosaico: Celina Leão e Ibaneis Rocha são, política e administrativamente, inseparáveis. São siameses. Os dois sabem que a delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa vai atingi-los em cheio.

Aliás, mesmo antes da delação, que está sendo formalizada, a Polícia Federal já tem farto material sobre Ibaneis Rocha, mais, e Celina Leão, menos. Porque os celulares de Paulo Henrique Costa “falam” — e muito.
Então, do ponto de vista da estratégia forjada por advogados, é mais racional Celina Leão e Ibaneis Rocha “morrerem”, politicamente, afogados, mas abraçados. Porque nem o médico Zacharias Calil, especialista em separação de siameses, teria condição de afastar um do outro.
Ibaneis Rocha afirma que será candidato a senador. Mas ninguém acredita nisso, talvez nem ele mesmo. É possível que fiquei quietinho. Dependendo da delação de Paulo Henrique Costa, o ex-governador terá de lutar, e muito, para não ser preso. Talvez, num futuro próximo, terá, ele mesmo, de aderir à colaboração premiada.

Celina Leão ainda é uma incógnita. Mas o colunista Lauro Jardim, o mais lido do jornal “O Globo” — ao lado de Malu Gaspar —, sustenta que Paulo Henrique Costa tende a incriminá-la. Se isto acontecer, dificilmente ela poderá ser candidata à reeleição. E, se for, talvez não tenha condições de ser reeleita.
A hora e a vez de Arruda e Grass
Porém, se for candidata e tendo de carregar a mochila do Banco Master nas costas, acabará sendo derrotada. Talvez fique em terceiro lugar, atrás de José Roberto Arruda, do PSD, e de Leandro Grass, do PT.

O bolsonarismo — leia-se Michelle Bolsonaro, pré-candidata a senadora — se mantém, por enquanto, como parceiro de Celina Leão. Mas, dependendo de seu envolvimento no caso do Banco Master & BRB, deverá se afastar.
As lealdades do bolsonarismo são sempre provisórias. Por isso, Celina Leão precisa pôr as sobrancelhas de molho. Ela pode ter o apoio de Michelle Bolsonaro hoje e não tê-lo amanhã. É assim que funciona a “família” Bolsonaro.
Ante o caos criado por Ibaneis Rocha e Paulo Henrique Costa, dada a parceria nefasta com Daniel Vorcaro, e com as chamas do fogaréu atingindo Celina Leão, o quadro eleitoral pode se abrir, de maneira ampla, para a centro-direita de José Roberto Arruda e a esquerda de Leandro Grass.

E, claro, não se deve menosprezar Ricardo Cappelli, do PSB, cujo discurso incisivo e contundente pode atrair a atenção do eleitorado.
Não se pode dizer que, no momento, Celina Leão é uma pré-candidata fraca. Porque não é. Ela detém o controle de uma máquina poderosa. Sua força não advém de si, de sua história, e sim de ser governadora. Mas é possível sugerir que vai se desidratar, aos poucos.

É bem provável que as pesquisas a partir de junho mostrem José Roberto Arruda e Leandro Grass crescendo e Celina Leão caindo. Se isto acontecer, o bolsonarismo, que não fica com a esquerda, certamente se bandeará para o lado do postulante do PSD.
Vale ressaltar que o senador Izalci Lucas, do PL, já está próximo de José Roberto Arruda. Há uma expectativa em Brasília de que Arruda será o próximo governador do Distrito Federal. Nos cafés, como o Daniel Briand e o Ernesto, não se fala outra coisa. (E.F.B.)



