O governismo — leia-se cúpulas do União Brasil e do MDB — jogará, de maneira inteligente, com um candidato que tenda a começar e a terminar bem? Sim, porque avalia que é preciso deixar Vanderlan Cardoso para trás, desde o início, retirando-lhe a expectativa de poder

Pesquisas começam a circular nos gabinetes e são examinadas com lupa. Por enquanto, os dados não são relevantes, porque a disputa eleitoral se dará daqui a um ano e sete meses (o jogo real, a pré-campanha, começa daqui a um ano e um mês, no início de abril de 2024). Ainda assim, são indicativos importantes para pré-candidatos definirem táticas e estratégias.

As pesquisas, as feitas agora, indicam uma questão óbvia: ninguém está fora do jogo, isto é, a eleição para prefeito de Goiânia está aberta. O mais importante a reter é outra questão, e tanto políticos quanto pesquisadores sabem disto: quem está realmente no jogo, por uma série de motivos, como popularidade e estrutura.

Wilder de Morais e Vanderlan trabalham para união em 2024 | Foto: divulgação
Derrotar o senador Vanderlan Cardoso em 2024 equivale a enfraquecer o senador Wilder Morais para a disputa eleitoral de 2026 | Foto: divulgação

Pelo menos 14 políticos estão no jogo para a prefeitura de Goiânia, em ordem alfabética: Adriana Accorsi (PT), Ana Paula Rezende (MDB), Bruno Peixoto (União Brasil), Charles Bento (MDB), Edward Madureira (PT), Gustavo Gayer (PL), Lucas Calil (MDB), Mauro Rubem (PT), Rogério Cruz (Republicanos), Romário Policarpo (Patriota), Silvye Alves (União Brasil), Vanderlan Cardoso (PSD), Wilder Morais (PL) e Zacharias Calil (União Brasil). É evidente — alguns dos citados são do mesmo partido — que nem todos os 14 serão candidatos.

O nome favorito do MDB é Ana Paula Rezende, mas a maioria dos políticos não acredita que postulará mandato em 2024 (a empresária estaria preparando um filho para disputar, inicialmente, mandato de vereador — seria o herdeiro político do avô). Há duas alternativas no MDB: os deputados estaduais Lucas Calil e Charles Bento. São nomes renovadores, mas há quem, no próprio partido, os considere como peso-leves. Numa guerra de profissionais, seriam abatidos em pleno voo.

Iris Rezende e Ana Paula Rezende: a irista relutante| Foto: Instagram

JANELÃO

Se eleito, Vanderlan, tende a bancar Wilder pra governador, em 2026, contra Daniel Vilela. O senador passaria a contar com uma estrutura político-eleitoral gigante pra disputar o governo. Teria um padrinho relevante na capital, a cidade cujas notícias mais reverberam no Estado

O União Brasil, se Ana Paula não for candidata, tende a bancar o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, que é apontado como o político capaz de montar uma frente ampla para a disputa. Porém, há, no União Brasil, quem postule que, para enfrentar um peso-pesado como Vanderlan Cardoso, será preciso lançar alguém com altíssima popularidade. Aí entra a deputada federal Silvye Alves, que aparece bem nas pesquisas de intenção de voto. Na disputa de 2022, superou todo mundo em Goiânia — com 117297 votos (15,69%). Outro político popular na capital, Gustavo Gayer, ficou em segundo lugar, com 83604 votos (11,18%).

Bruno Peixoto: um dos políticos mais articulados do União Brasil | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Silvye Alves é vista como uma espécie de candidata que já sai na frente, com alta expectativa de poder. Noutras palavras, é um nome fácil de ser trabalhado durante a campanha. Resta sabe se “aguentará” o debate com Vanderlan Cardoso, Rogério Cruz, Edward Madureira e Gustavo Gayer. Se “aguentar”, e é possível que suporte (ela é sagaz e comunica bem), será uma candidata muito difícil de ser derrotada. Mas precisa do apoio coeso do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e do vice-governador Daniel Vilela (MDB). Se não for bancada com firmeza por ambos, pode começar bem e terminar patinando, como o ex-deputado federal Delegado Waldir Soares.

A alternativa a Silvye Alves é Bruno Peixoto, que é um articulador de primeira — por isso foi eleito presidente da Alego com extrema facilidade, superando candidatos que forte apoio. O deputado federal e médico Zacharias Calil, conhecido como “doutor da siamesas”, é um nome considerável, mas perdeu substância eleitoral tanto para Silvye Alves quanto para Gustavo Gayer em Goiânia. E não articula como a mesma desenvoltura de Bruno Peixoto. Campanhas majoritárias são muito diferentes de campanhas proporcionais: é preciso dialogar com dezenas de políticos e membros da sociedade civil. Ao que parece, o parlamentar não tem paciência para este tipo de negociação política. Há quem postule que uma chapa com Silvye Alves para prefeita e Zacharias Calil na vice é imbatível.

Gustavo Gayer: um dos políticos mais populares de Goiânia | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Por que o governismo — leia-se cúpulas do União Brasil e do MDB — jogará, de maneira inteligente, com um candidato que tenda a começar e a terminar bem? Porque avalia que é preciso deixar Vanderlan Cardoso para trás, desde o início, retirando-lhe a expectativa de poder.

Por que o jogo pesado contra Vanderlan Cardoso? Porque, se eleito, tende a bancar Wilder Morais para governador, em 2026, contra Daniel Vilela. Wilder Morais passaria a contar com uma estrutura político-eleitoral (Goiânia tem 1 milhão de eleitores e sua arrecadação mensal confere um poder imenso ao gestor municipal) gigante para disputar o governo. Teria um padrinho relevante na capital, a cidade cujas notícias mais reverberam no Estado.

Edward Madureira, ex-reitor da UFG quer disputar a Prefeitura de Goiânia | Foto: Fernando Leite

O nome forte do PT é Adriana Accorsi. Mas a deputada federal avisou ao partido que não será candidata a prefeita em 2024. Porém, como não há outro nome consolidado, a tendência é que o partido peça para que ela continue no processo, com o objetivo de criar expectativa de poder para um postulante petista. Há dois nomes cotados para a disputa: Edward Madureira, ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (é apontado como um gestor consumado), e Mauro Rubem, deputado estadual.

Quem considera o prefeito Rogério Cruz como “galinha morta” pode estar cometendo um grande equívoco. Porque o Rogério Cruz de 2024 pode não ser o mesmo de 2023. Porque, daqui a pelo menos um ano, terá concluído obras deixadas por Iris Rezende e certamente algumas de sua própria gestão. Há quem não tenha gostado da ida do ex-deputado federal Jovair Arantes, do Republicanos, para a Secretaria de Governo. Porém, em termos de operação política, o prefeito acertou em cheio: retirou Michel Magul, um garoto bem-intencionado mas inexperiente, e pôs em seu lugar um político profissional, com ampla experiência. Trata-se de um articulador nato, um operador político com anos de estrada.

Rogério Cruz: o prefeito de Goiânia não é “galinha morta” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A chegada de Jovair Arantes já aproximou o presidente do pP, Alexandre Baldy, o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (pP), e o senador Wilder Morais da prefeitura. A aproximação de Wilder Morais é mais técnica — no sentido de que trará recursos para a capital — do que política, mas, ainda assim, é importante. Porque nenhum dos outros senadores, Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru (PSB), mantém contato com a gestão da capital. Baldy e Naves tendem a apoiar a reeleição de Rogério Cruz.

Então, ao contrário do que se pensa, Rogério Cruz está no jogo. Por fim, não se deve desconsiderar o peso da máquina pública numa campanha eleitoral.(E.F.B.)