Escolha de Guilherme Isac pra desembargador é uma derrota de Lúcio Flávio

O presidente da OAB articulou outros nomes, mas o advogado ligado à OAB Forte foi eleito pelo Tribunal de Justiça de Goiás

A escolha do advogado Guilherme Gutemberg Isac Pinto para a vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) vai muito além da sucessão interna no colegiado do Poder Judiciário: representa uma derrotada fragorosa e acachapante para o grupo do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO), Lúcio Flávio de Siqueira, que lutou, sem sucesso, para indicar um dos três nomes de sua preferência para a cadeira de Geraldo Gonçalves, que se aposentou.

Guilherme Gutemberg Isac Pinto, advogado competente, é o novo desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás | Foto: Reprodução/Facebook

A derrota de Lúcio Flávio na definição do novo desembargador foi uma espécie de 7 a 0. Nenhum dos três advogados indicados pelo presidente da OAB Goiás passou da lista sêxtupla para a lista tríplice encaminhada pelo Tribunal de Justiça para a escolha, conforme determina a Constituição do Estado, do governador José Eliton. Para piorar, Guilherme Gutemberg é ligadíssimo à chamada OAB Forte, oposição a Lúcio Flávio na advocacia goiana. Claro que, como desembargador, se comportará de maneira isenta.

Os desembargadores rejeitaram os nomes de Augusto Ventura, Alexandre Kafuri e Luiz Inácio Medeiros — todos indicados pelo grupo de Lúcio Flávio (frise-se que são advogados qualificados) — na definição da lista tríplice. A relação encaminhada ao governador era composta por Guilherme Gutemberg Isaac Pinto, Ezequiel Morais Silva e Antônia de Lourdes Batista Chaveiro Martins. O fiasco da articulação política do presidente da OAB é maior ainda tendo em vista que o novo desembargador também foi o mais votado entre os seus agora colegas de colegiado judiciário.

O resultado mostra principalmente o que vem por aí: a criticada gestão de Lúcio Flávio à frente da OAB Goiás terá de enfrentar, na próxima eleição para escolha do presidente e conselheiros da Ordem, uma OAB Forte fortalecida e renovada, pronta para retomar o comando da Advocacia em Goiás, que perdeu seu brilho e sua força no Brasil diante da tibieza da atual direção.

Sobre a escolha do desembargador, talvez se possa dizer que riu melhor quem riu por último.

O principal articulador da Abertura política, Golbery do Couto e Silva, disse que no “bojo” de uma derrota se terá, logo, outra derrota.

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