Disputa pelo “espólio” do PSDB estadual ainda vai render muito pano para manga

Lideranças sobreviventes ainda não falam a mesma língua, como se esperassem aceno definitivo de Marconi, que pode não acontecer antes das vésperas da convenção

Tucanos precisam se entender para começar a discutir futuro da sigla | Foto: Internet

Amargando a derrota arrasadora nas eleições de 2018, lideranças do PSDB de Goiás transitam nos escombros do partido ainda sem falar a mesma língua. É nítido que aguardam uma manifestação mais assertiva do ex-governador Marconi Perillo sobre quem deve assumir as rédeas, algo que talvez só aconteça às vésperas da eleição do diretório estadual, no início de maio.

A terrível derrota de outubro do ano passado serviu para uma rápida catarse, logo após a divulgação do resultado: alguns dos poucos tucanos que conseguiram se eleger (seis deputados estaduais e um deputado federal) fizeram severas críticas à condução da sigla, só que ainda não foram a campo para articular uma real alternativa para o futuro.

A necessidade de reconstrução e de coesão do partido é citada por todos, mas antigas feridas no relacionamento interno continuam à mostra. Sem o amálgama da liderança de Marconi, a cicatrização demandará que os desafetos se disponham a sentar e conversar. É isso ou o PSDB caminhará para outro resultado ruim nas eleições municipais de 2020.

O atual presidente estadual, Giuseppe Vecci, que continua deputado federal até o final deste mês, já disse que não disputará a reeleição no diretório. O ex-governador José Eliton, que seria o candidato natural, segundo Marconi, ainda não se manifestou objetivamente sobre a presidência do diretório.

Ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-prefeito de Catalão, Jardel Sebba é a liderança que mais tem se movimentado para comandar a sigla a partir de maio. Afirma já estar conversando com deputados, prefeitos e ex-prefeitos em busca de apoio. Seu discurso é centrado na defesa do legado das gestões de Marconi e na reconstrução com base no diálogo.

Mas em reuniões do Diretório Metropolitano, outros nomes foram lembrados para o comando partidário no Estado: a ex-secretária de Educação Raquel Teixeira, o ex-secretário de Segurança Pública Jônathas Silva, o deputado estadual Talles Barreto e o prefeito de Goianira, Carlos Alberto Andrade, o Carlão da Fox.

Como Jardel, esses outros quatro nomes têm laços estreitos com Marconi. Daí a dificuldade que o ex-governador terá para entrar em campo antecipadamente. Além disso, após a derrota para o Senado, Marconi parece estar decidido a cumprir um período sabático em São Paulo, onde é muito próximo do governador João Doria. O que faz com que a bola, pelo menos por enquanto, seja jogada (ou compartilhada) por quem ficou em Goiás para que o processo de renovação seja o menos traumático possível.

É certo que esse processo também depende dos destinos do partido no plano nacional, onde também precisa se reinventar. O PSDB elegeu apenas três governadores (São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul), o pior desempenho desde 1990. O comando nacional deve ser transferido ao governador paulista, João Doria, mas ainda com certa influência de Geraldo Alckmin, presidenciável derrotado em 2018.

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