A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do pP, tem como escapar das garras vorcarianas do ex-governador Ibaneis Rocha?

Numa entrevista ao “Estadão”, Celina Leão diz que o CPF dela e o CPF de Ibaneis Rocha são diferentes. Noutras palavras, informou que nada tem a ver com os acordos feitos pelo ex-governador com o Banco Master & Daniel Vorcaro.

Analisando a aliança entre o BRB e o Banco Master, Celina Leão não economizou palavras duras. O fato de o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa ter feito um acordo como Daniel Vorcaro para receber 140 milhões de reais (acabou recebendo quase 100 milhões”) é, para a governadora, “um problema de corrupção muito grave”.

O que Celina Leão não explica é o grau de autonomia de Paulo Henrique Costa para fazer o que fez. Como Ibaneis Rocha, sendo governador, permitiu que o presidente do BRB fizesse o acordão de avô para neto com o Banco Master e de padrasto para o Banco de Brasília? Na entrevista, a governadora escorrega. Parece ter receio de confrontar Ibaneis Rocha, suposto língua de aço.

Celina Leão frisou que tinha desconfiança a respeito do trabalho de Paulo Henrique Costa no BRB. A pergunta de 12 bilhões de reais é: porque, sendo uma autoridade — na época, vice-governadora —, Celina Leão não o denunciou? Por que se omitiu?

A governadora sustenta que Ibaneis Rocha não a consultava sobre questões estratégicas. Com isso, tenta tirar o corpo fora. Até agora, não há nada que desabone Celina Leão.

Há outra questão — que Celina Leão não discute, porque não tem sido perguntada a respeito — sobre as relações de Daniel Vorcaro com a cúpula do pP — leia-se o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do partido, e o deputado federal Arthur Lira, um dos políticos mais fortes da Câmara. Há uma minha de ouro aí, por certo. (E.F.B.)