O cientista político Antonio Lavareda disse à revista “Veja” que as atuais pesquisas de intenção de voto talvez não reflitam o quadro real da disputa eleitoral. Porque o quadro ainda não está consolidado. Há, por assim dizer, mais uma aparência, dado o caráter volatizado do eleitorado, do que um quadro fixo, definido.

Lavareda enfatiza, de acordo com a “Veja, que “o cenário atual reflete mais a visibilidade dos dois principais nomes [Lula da Silva e Flávio Bolsonaro] do que uma escolha consolidada. ‘Olhar hoje para as pesquisas é, em grande medida, olhar para algo aparente’”.

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Lula da Silva, esquerda, e Flávio Bolsonaro, direita: polarização pode ser provisória | Foto: Reprodução

O expert em pesquisa frisa que “outros candidatos ainda têm baixa lembrança entre os eleitores, o que reforça artificialmente a polarização”.

43% dos eleitores admitem mudar de voto, diz o cientista político Antonio Lavareda

Dado apresentado por Lavareda mostra que “43% dos eleitores admitem que ainda podem mudar de voto”. Tal contingente, sublinha, “é decisivo”. “Dependendo das informações que venham a absorver durante a campanha, poderão mudar.” Os eleitores são impactados, durante a campanha, por “fatos e eventos” novos (ou mesmo requentados).

Segundo o ás das pesquisas, “quem diz ter definido o voto também pode mudar de opinião. Na prática, nem mesmo os eleitores que afirmam ter decisão definitiva estão imunes a mudanças. Eventos inesperados, debates e novas informações podem alterar preferências ao longo da campanha”. Lembrando que a eleição será disputada daqui a cinco meses e, até 4 de outubro, muita coisa pode acontecer.

As viradas eleitorais são possíveis

As simulações de segundo turno, ponta Lavareda, “não devem ser levadas tão ao pé da letra”.

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Ronaldo Caiado: o único que tem o que mostrar na área de segurança | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Em 1998, pesquisas mostravam Lula da Silva, do PT, em primeiro lugar, mas Fernando Henrique Cardoso foi eleito no primeiro turno. Em 2022, pesquisas chegaram a apontar que o petista-chefe teria, no segundo turno, 25 pontos a mais do que Jair Bolsonaro. No entanto, apurados os votos, a diferença ficou em menos de dois pontos percentuais.

Por que o quadro pode mudar, ao longo dos próximos cinco meses? “Por causa da dinâmica eleitoral. A campanha é capaz de reorganizar preferências, influenciar percepções e alterar cenários de forma significativa”, postula Lavareda.

O cientista político sugere que “a polarização atual pode diminuir. Como outros candidatos ainda têm baixa visibilidade, há espaço para mudanças conforme a campanha avance e novos nomes ganhem exposição”.

(Veja-se que um dos temas fortes da eleição deste ano é segurança. O único que tem discurso associado a resultados nesta área é o pré-candidato a presidente da República pelo PSD, Ronaldo Caiado. Em Goiás, o ex-governador deu forte combate ao crime organizado e reduziu a violência. Então, se Flávio Bolsonaro citar o caso de El Salvador como modelo, o político goiano poderá contrapor os resultados de seus Estado no combate à criminalidade.)

Para Lavareda, na síntese da “Veja, “o que define a eleição neste momento é a incerteza. Com um eleitorado ainda aberto a mudanças e exemplos históricos de viradas, a disputa permanece indefinida — apesar da aparência de polarização”.

Há possibilidade de uma virada pró-Ronaldo Caiado? A análise de Lavareda indica que sim. (E.F.B.)