Antonio Lavareda: polarização entre Lula e Flávio pode ser aparente. Há espaço pra virada… pró-Caiado, por exemplo
21 abril 2026 às 16h25

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O cientista político Antonio Lavareda disse à revista “Veja” que as atuais pesquisas de intenção de voto talvez não reflitam o quadro real da disputa eleitoral. Porque o quadro ainda não está consolidado. Há, por assim dizer, mais uma aparência, dado o caráter volatizado do eleitorado, do que um quadro fixo, definido.
Lavareda enfatiza, de acordo com a “Veja, que “o cenário atual reflete mais a visibilidade dos dois principais nomes [Lula da Silva e Flávio Bolsonaro] do que uma escolha consolidada. ‘Olhar hoje para as pesquisas é, em grande medida, olhar para algo aparente’”.

O expert em pesquisa frisa que “outros candidatos ainda têm baixa lembrança entre os eleitores, o que reforça artificialmente a polarização”.
43% dos eleitores admitem mudar de voto, diz o cientista político Antonio Lavareda
Dado apresentado por Lavareda mostra que “43% dos eleitores admitem que ainda podem mudar de voto”. Tal contingente, sublinha, “é decisivo”. “Dependendo das informações que venham a absorver durante a campanha, poderão mudar.” Os eleitores são impactados, durante a campanha, por “fatos e eventos” novos (ou mesmo requentados).
Segundo o ás das pesquisas, “quem diz ter definido o voto também pode mudar de opinião. Na prática, nem mesmo os eleitores que afirmam ter decisão definitiva estão imunes a mudanças. Eventos inesperados, debates e novas informações podem alterar preferências ao longo da campanha”. Lembrando que a eleição será disputada daqui a cinco meses e, até 4 de outubro, muita coisa pode acontecer.
As viradas eleitorais são possíveis
As simulações de segundo turno, ponta Lavareda, “não devem ser levadas tão ao pé da letra”.

Em 1998, pesquisas mostravam Lula da Silva, do PT, em primeiro lugar, mas Fernando Henrique Cardoso foi eleito no primeiro turno. Em 2022, pesquisas chegaram a apontar que o petista-chefe teria, no segundo turno, 25 pontos a mais do que Jair Bolsonaro. No entanto, apurados os votos, a diferença ficou em menos de dois pontos percentuais.
Por que o quadro pode mudar, ao longo dos próximos cinco meses? “Por causa da dinâmica eleitoral. A campanha é capaz de reorganizar preferências, influenciar percepções e alterar cenários de forma significativa”, postula Lavareda.
O cientista político sugere que “a polarização atual pode diminuir. Como outros candidatos ainda têm baixa visibilidade, há espaço para mudanças conforme a campanha avance e novos nomes ganhem exposição”.
(Veja-se que um dos temas fortes da eleição deste ano é segurança. O único que tem discurso associado a resultados nesta área é o pré-candidato a presidente da República pelo PSD, Ronaldo Caiado. Em Goiás, o ex-governador deu forte combate ao crime organizado e reduziu a violência. Então, se Flávio Bolsonaro citar o caso de El Salvador como modelo, o político goiano poderá contrapor os resultados de seus Estado no combate à criminalidade.)
Para Lavareda, na síntese da “Veja, “o que define a eleição neste momento é a incerteza. Com um eleitorado ainda aberto a mudanças e exemplos históricos de viradas, a disputa permanece indefinida — apesar da aparência de polarização”.
Há possibilidade de uma virada pró-Ronaldo Caiado? A análise de Lavareda indica que sim. (E.F.B.)

