Brasil precisa descobrir Marconi Perillo, Cláudia Vieira, Marcelo Barra, Heleno Godoy e Edival Lourenço

Os políticos, os escritores e artistas de Goiás precisam ser vistos como brasileiros. O que falta não é talento, mas exposição adequada

Marconi Perillo, Ronaldo Caiado, Cláudia Vieira, Marcello Barra, Marcos Caiado, Augusta Faro, Heleno Godoy, Edival Lourenço, Fernando Perillo e Pádua: são brasileiros, mas são vistos tão-somente como goianos — o que é uma forma de exclusão

A globalização, cujo maior símbolo talvez seja a internet, que conecta os indivíduos de todos os lugares — e com as traduções rápidas, não há mais o problema da barreira das línguas —, praticamente selou o fim do provincianismo. Hoje, mesmo quando não querem, praticamente todos os indivíduos se tornaram cosmopolitas. Os goianos não são diferentes: estão conectados ao mundo e cada vez mais viajam para países da Europa, América e Ásia. Porém, numa questão comportam-se de maneira provinciana, como se vivessem numa colônia e dependentes de duas metrópoles — São Paulo e Rio de Janeiro.

Volta e meia, goianos sugerem que o governador Marconi Perillo não pode disputar a Presidência da República porque Goiás tem apenas 3% do eleitorado do país. Trata-se de uma fala, mas não de um argumento. Ora, por qual motivo um político cujo Estado tem apenas 3% do eleitorado não pode disputar a Presidência? Não há razão alguma. Se houvesse, Fernando Collor, de Alagoas, não teria sido eleito presidente, em 1989, derrotando um ícone, Lula da Silva.

Marconi Perillo é um político goiano — assim como Ronaldo Caiado, do DEM, que tem ambições presidenciais legítimas —, mas é tão brasileiro quanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ministro-senador José Serra e o senador Aécio Neves, os três do PSDB. Se convencer o país de que tem condições de administrá-lo de maneira competente, promovendo uma inovação nos métodos políticos e administrativos, poderá, em 2018 ou adiante, se tornar candidato a presidente e, até, ser eleito.

Veja-se o caso da música produzida na Bahia. Mais apropriado é dizer “músicas”, pois há estilos variados. Frise-se, desde já, que Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia são hors concours. Fala-se aqui das modas que a Bahia produz e exporta, com sucesso, para o país. Isto ocorre porque a música é de alta qualidade? Não. A explicação se deve a um marketing eficiente, um espírito de corpo — “tudo” que se produz lá é apontado como “bom” — e uma autoestima sólida.

A música de Fernando Perillo, Fernando Cupertino (erudita), Marcelo Barra, Cláudia Vieira e Pádua é de primeira linha, mas não repercute no país. Por quê? Em parte, porque os conterrâneos a subestimam e não a propagam. Outro “problema”, quem sabe, é sua qualidade. Há uma sofisticação que vai além do balanço puro simples, do remelexo do corpo, o que, às vezes, não é tão atraente.

Goiás precisa forçar a barra para “entrar” (fazer parte do) no país — tanto em termos políticos quanto artísticos. Se os escritores, como os excelentes Heleno Godoy (um dos maiores poetas vivos do país, de técnica refinada), Valdivino Braz, Delermando Vieira, Gabriel Nascente, Leandro Teixeira, Edival Lourenço, Maria Lúcia Felix, Augusta Faro, Darcy Denófrio (poeta tão fina quanto John Donne) e Marcos Caiado (poeta e compositor finíssimo), e cantores, como os citados, se tornarem, mais do que goianos, brasileiros — é bem possível que os políticos também passem pelo funil.

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Welbi Maia

Geraldo Alckmin, sem dúvida, é um dos políticos mais experientes e de maior destaque do país. Dirige o principal Estado da nação pela quarta vez. Foi reeleito no primeiro turno com uma votação muito expressiva. Perdeu em apenas um município dos 645. Foi também vereador, prefeito, Deputado Estadual e Federal. Sua trajetória o credencia a disputar qualquer cargo. Se Alckmin for candidato, terá meu apoio e meu voto.

Hélio Torres

Defina “principal estado”! Pra não incorrer em etnocentrismo. Marconi tem currículo semelhante ao de Alckmin, que inclusive já foi derrotado na disputa presidencial.