Banda podre da política, hoje atolada na Lava Jato, usou de fake news para me cassar

Minha atuação no Congresso incomodava a banda podre da política, cujo braço midiático fraudou áudios e os divulgou para minar meu prestígio com a população

Demóstenes Torres

O leitor do Jornal Opção testemunhou o meu silêncio de mais de meia década. Nesse período, publiquei apenas três textos, dois deles no mesmo dia, o outro foi a resenha de um livro sobre o grande terremoto que destruiu Lisboa. Minha produção era superior a dez artigos e resenhas por mês, alguns retirados dos pronunciamentos que fazia no Senado. Desde o fim de fevereiro de 2012, leio, ouço e vejo os maiores absurdos a meu respeito. E não rebati. Até tentei, mas a avalanche venceu a verdade. Preferi apanhar calado enquanto esperava a Justiça confirmar o que eu dizia e ninguém sequer prestava prestação: “Sou inocente”. Sou mesmo. Chegou a hora de desmentir as mensagens em que me atacaram das formas mais sórdidas.

Fui crítico implacável dos erros administrativos e dos crimes cometidos pelo PT et caterva. Atuei incisivamente em todos os momentos, sem dar trégua para a roubalheira, mesmo com o presidente da República à época tendo aprovação semelhante à de Saddam Hussein. Ficaram memoráveis alguns enfrentamentos que tive com figuras do lado sombrio do Parlamento, todas da cozinha do PT. Trabalhei sem parar no Caso Waldomiro, na CPI do Mensalão e no combate ao afrouxamento penal, quando Lula mandou sua bancada acabar com a punição para o uso de drogas – por causa desse erro, deveria haver o nome de Lula numa placa em cada cracolândia e boca-de-fumo do Brasil. Nos primeiros nove meses de Dilma no cargo, minhas denúncias ajudaram a derrubar nove integrantes do governo. A banda podre da política não iria tolerar a continuação daquela faxina e, auxiliada por inocentes-úteis (a ela), armou para me cassar.

Olhem as imagens de alguns dos que mais tripudiaram sobre mim: agora, estão nas listas de Moro, do TRF 4, enfim, atolados até o pescoço com os roubos na Petrobras, Eletrobras, usinas e outros escândalos. Os três principais articuladores da minha queda estão com os dois pés no cadafalso. Um deles, Lula, já cumpre em regime fechado pena superior a 12 anos, além de responder a mais meia de processos… e contando. Os outros dois colecionam duas dezenas de ações, sobretudo na Lava Jato.

Portanto, quem me derrubou foram pessoas, não fatos. Não pessoas comuns, mas os participantes do maior assalto aos cofres públicos na história da humanidade. Nas 250 mil horas de gravações clandestinas não há uma só prova de que eu tenha cometido crime. Existe um motivo para não haver prova: não houve crime. Para os criminosos que tramaram a minha queda, era (e deve continuar sendo) difícil suportar que alguém no Senado apontava os crimes dos outros e não havia cometido crime algum. Para eles, não existe perigo maior que ter um honesto por perto. E eu era (e continuo sendo) honesto e estava (e vou voltar a estar) por perto deles, mais precisamente, na Tribuna e nas comissões, mexendo nas feridas provocadas pela incompetência, a má-fé, o aparelhamento político e a improbidade.

A tática da banda podre foi se aproveitar das gravações clandestinas e divulgar os áudios gota a gota, num vazamento criminoso que durou meses. Com a pressa que a mídia tem para destruir a imagem de quem realiza, sequer checava as informações. A maioria dos diálogos divulgados era disparatada ou inútil para o processo, no pior estilo do que os internautas chamam de “mais nada a ver”. Também outros trechos precisavam ser desmentidos, porque eram isso mesmo: mentiras. Melhor memorizar: eram fraudados. Tudo bem que as operações duraram anos, mas eu não me lembrava de ter travado aquelas conversas. As partes das gravações que se fossem autênticas, mesmo tendo sido obtidas de forma ilegal (ao usurpar a competência do Supremo Tribunal Federal), me comprometeriam foram submetidas a perícia. Repita-se sempre: insisti na necessidade de perícia, mas eles tinham pressa na minha cassação.

Apenas alguns minutos das 250 mil horas de escutas clandestinas foram analisados por especialistas. A tarefa ficou a cargo do maior perito forense do Brasil, Joel Ribeiro, e sua equipe. Resultado: foram encontradas montagens em todos os áudios analisados. Era uma notícia aterradora: um senador estava sendo execrado diuturnamente com base em vazamentos de áudios não apenas ilegais, mas também fraudados. E essas vergonhas estavam fundamentando a perda do mandato de um senador honesto, ficha limpa, autor de projetos importantes. Falei sobre as montagens nos áudios na reunião do Conselho de Ética. Fiz longo discurso sobre o assunto na Tribuna do Senado, apresentando os detalhes da perícia que encontrou as fraudes. Fizeram de conta que eu não disse nada.

Da mesma maneira, estou repetindo e não me dão ouvidos: fui absolvido não apenas porque as gravações eram clandestinas – fui absolvido porque sou inocente. No mérito, rebati uma a uma todas as denúncias em cinco horas de audiência no Conselho de Ética. Após a cassação, o Ministério Público de Goiás encomendou uma perícia sobre meu patrimônio. A imprensa (na verdade, apenas um jornal) publicou a conclusão do perito do MP: sou inocente. Nada encontraram de ilegal em minhas contas. E nada encontraram porque nada havia a ser encontrado.

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal confirmou em colegiado liminar que me dá o direito de ser candidato. E fui à luta. Nos últimos dias, respondi a centenas de mensagens nas redes sociais, algumas ainda de julho de 2012. Existem vários tipos de ofensas e a elas dedico diversos modelos de enfoque. Em geral, o agressor foge do debate, pois lhe falta argumento. As linhas de ataque nas mídias sociais se assemelham às brutalidades que sofri seis anos atrás: não têm qualquer substância.

Resumindo, assim como em 2012, vou insistir:

1)      Sou inocente. Fui cassado porque minha queda interessava a esse pessoal do PT que agora está enrolado até o pescoço na operação Lava Jato.

2)      A banda podre da política que armou a minha cassação não suporta ter honesto por perto. E eu sou ficha limpa.

3)      Em 250 mil horas de gravações clandestinas, não encontraram nem sombra de crime que eu tenha cometido. E não encontraram por um motivo simples: eu não cometi crime algum.

4)      Fui inocentado nos diversos graus da Justiça não apenas pela anulação das gravações clandestinas, mas também no mérito.

5)      O melhor perito forense do Brasil encontrou fraudes em todos os áudios analisados.

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