Aylton Vechi do MP e Walter Lemes do TJ precisam agir logo em favor das vítimas da Enel

Governador Ronaldo Caiado e a Assembleia já se insurgiram contra as falhas da empresa de energia elétrica

Nilson Gomes

Especial para o Jornal Opção

A italiana Enel é a atual dona de dois dos antigos orgulhos de Goiás, a usina de Cachoeira Dourada e a Celg. Em ambas, o Estado investiu recursos ao longo de décadas. Ambas tiveram o mesmo trágico destino: foram privatizadas a preço abaixo do que valiam e valem. Resultado: travaram o desenvolvimento econômico de um povo. Mas esse povo começa a reagir.

Aylton Vechi: procurador-geral de Justiça de Goiás | Foto: Jornal Opção

Produtores rurais choram o apodrecimento de milhões de galões de leite. Açougueiros veem virar carniça proteína suficiente para alimentar um país. Criadores lamentam mortes de Everestes de aves. Hospitais destroem medicamentos perdidos com a falta de luz. A instabilidade da rede queima os equipamentos que a família comprou em trocentas prestações. Mas essas vítimas começam a reagir.

Já apareceu gente jogando carne podre num escritório da Enel. Já interditaram rodovias. Já pressionam deputados. O governador Ronaldo Caiado intensificou as críticas. Porém, faltam dois atores nesse palco antes que os dramas se transformem em mais tragédias: o procurador-geral de Justiça, Ayrton Flávio Vechi, e o presidente do Tribunal de Justiça, Walter Carlos Lemes.

Walter Carlos Lemes, presidente do Tribunal de Justiça de Goiás | Foto: Reprodução

O povo precisa do PGJ e dos promotores de Justiça. O povo precisa de juízes e desembargadores. No momento, parece que o problema é político, pois alguns oportunistas ajudaram a vender a Celg e agora se arvoram de salvadores. Não se trata de política, mas de polícia. Assim, Vechi e Lemes se tornaram ainda mais insubstituíveis.

Por enquanto, derrama-se apenas cuspe. É preciso substituir a saliva pela algema. Será ultrapedagógica a cena de os diretores da Enel saindo presos dos escritórios aos quais a população não tem acesso, mas a polícia terá. Sobram motivos para enjaular essa turma, pois seus crimes são continuados, permanentes, flagrantes, dia e noite delinquindo. Não adianta prender funcionários de quinto escalão — as grades são para os grandes. Quando estiverem junto com outros marginais, sem luz e refrigeração, terão ideia do sofrimento vivido pelo povo.

Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado: governador de Goiás tem sido firme na defesa do povo e contra os equívocos da Enel | Foto: Divulgação

Atrasou dois dias o pagamento do talão? Cortam sem piedade e ainda cobram para religar, uma desumanidade seguida de uma imoralidade. Eles podem atrasar anos e anos que nada de ruim lhes acontece. A menos que MP e TJ colaborem com a sociedade.

O contrato de venda da Celg obriga a Enel a investir 20 bilhões de reais até 31 de dezembro de 2019. Falta menos de um mês. E nada foi investido. A empresa confunde manutenção com investimento. Nem que queira conseguirá fazer 20 bilhões em obras até o réveillon. Não realizando o avençado, descumpriu o contrato e terá de devolver o que levou quase de graça (Goiás ficou com menos de 1 bilhão em troca da Celg).

O MP e o Poder Judiciário têm o dever de ser parceiros do povo na punição a seus algozes. E os maiores estão na diretoria da pior empresa de energia do Brasil.

Nilson Gomes é jornalista.

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