Quem observa o pré-candidato do PL a presidente da República, Flávio Bolsonaro, pode pensar que está no ataque.

Na verdade, Flávio Bolsonaro está na defensiva. Porque sua ligação com Daniel Vorcaro — que deu mais de 60 milhões de reais para a produção de um filme, “Dark Horse”, sobre eu pai, Jair Bolsonaro — ainda não foi devida e amplamente esclarecida.

Se confirmado que parte do dinheiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master, não foi exatamente para o filme, e sim para membros da família Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, as coisas se complicação para o postulante do PL.

Mais: novas denúncias devem surgir contra Flávio Bolsonaro, o que pode complicar sua imagem, não com os bolsonaristas, que estão “anestesiados”, e sim com parte substancial dos eleitores de direita e de centro-direita que, neste momento, ainda o percebe como o nome mais decisivo para tentar derrotar o presidente Lula da Silva, do PT.

Se Flávio Bolsonaro passas mais tempo na defensiva, tentando se explicar, sua campanha pode não deslanchar.

Flávio Bolsonaro Foto de Carlos Moura Agência Senado ok56
Flávio Bolsonaro pode derreter até agosto | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Grandes mudanças políticas começam em Minas

Se isto acontecer abre-se espaço para uma aliança encorpada entre os pré-candidatos a presidente pelo PSD, Ronaldo Caiado, e pelo partido Novo, Romeu Zema.

A tendência, no caso de composição, é de Romeu Zema se tornar vice de Ronaldo Caiado. Porque o goiano tem mais presença nacional e discurso político mais afiado e contundente. Zema pode atrair o empresariado.

Ronaldo Caiado e Romeu são gestores e políticos. Durante a campanha, juntos, terão o que apresentar ao país, de maneira propositiva e produtiva. Já Flávio Bolsonaro tem, se tiver, no máximo, uma carta de intenções.

Getúlio Vargas e Tancredo Neves: mudanças nacionais costumam começar por Minas Gerais | Foto: Reprodução

Ademais, como se sabe, tudo, no Brasil, começa em Minas. A Independência começou, de alguma maneira, em Minas, com a Inconfidência Mineira de Tiradentes. A revolução que colocou Getúlio Vargas no poder, em 1930, só foi possível porque começou com o apoio de Minas. Antônio Carlos de Andrade ajudou Getúlio Vargas, gaúcho, a se tornar presidente da República.

Em 1964, o golpe de Estado que derrubou o presidente João Goulart, começou em Minas, com o governador Magalhães Pinto e o general Olímpio Mourão Filho.

Depois, em 1985, a redemocratização, em termos nacionais, também começou em Minas, com a vitória de Tancredo Neves para presidente da República, no Colégio Eleitoral.

Daniel-Vorcaro
Daniel Vorcaro: o fantasma do banqueiro vai assombrar o bolsonarismo até outubro | Foto: Redes sociais

Então, em 2026, Minas (com seu eleitorado gigante), com o apoio de Goiás, poderá voltar ao centro da política nacional. (Dizem que quem ganha em Minas ganha no país.)

Por seu turno, Ronaldo Caiado poderá mostrar o exemplo de sua gestão eficiente, com uma segurança pública que se tornou modelo para o país.

A direita democrática, com a chapa Ronaldo Caiado e Romeu Zema, poderá, adiante, polarizar com Lula da Silva. Parte dos eleitores brasileiros talvez nem queira Flávio Bolsonaro. O que quer, quem sabe, é uma alternativa, civilizada e democrática, para superar o petista. (E.F.B.)