Com mais de 330 mil eleitores (só perde para Goiânia, superando até Anápolis) e um parque industrial cada vez mais amplo, o que gera uma arrecadação fabulosa), Aparecida de Goiânia, cidade conurbada à capital de Goiás, se tornou objeto de desejo de políticos de nível estadual.

A primeira “descoberta” foi feita pelo ex-governador Maguito Vilela, que, eleito e reeleito prefeito, praticamente reinventou o município. Antes, Aparecida era vista como um imenso e malcuidado “bairro” de Goiânia (espécie de Vila Ingá 2). O político de Jataí soube modernizá-lo, dando-se outra configuração — a de verdadeira cidade, com identidade. Acabou a ideia de cidade-dormitório, tanto que já tem muita gente de Goiânia trabalhando em Aparecida.

Vilmar Mariano e Professor Alcides: se o primeiro não deslanchar, o segundo disputa | Foto: Reprodução

A importância de Maguito Vilela foi tanta que ele conseguiu fazer de Gustavo Mendanha (Patriota), um anódino vereador, prefeito de Aparecida. Ele deixou uma cidade pronta, com recursos financeiros, para o seu sucessor, que acabou por se consagrar política e administrativamente, ainda que nem sempre reconhecendo os méritos amplos e reais de seu antecessor.

Pós-Maguito Vilela e pós-Gustavo Mendanha, com a ascensão de um político provinciano, Vilmar Mariano, do Patriota — que talvez não esteja preparado para gerir uma cidade do porte de Aparecida (um secretário revelou a um deputado que ele não consegue entender direito os dados sobre as finanças do município) —, políticos de porte estadual abriram os olhos para o potencial político-eleitoral da cidade.

Delegado Waldir Soares: deputado é bem avaliado em Aparecia l Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ao menos quatro deputados federais — Delegado Waldir Soares, do União Brasil, Glaustin da Fokus, do PSC, João Campos, do Republicanos, e Professor Alcides Ribeiro, do PL — planejam disputar mandato de prefeito em Aparecida, em 2024. A curiosidade é que todos são de direita e só um, Delegado Waldir, não é bolsonarista (já foi).

Delegado Waldir Soares tem domicílio eleitoral na cidade e, recentemente, uma pesquisa mostrou que é bem avaliado pelos eleitores. Se obtiver o apoio do governador Ronaldo Caiado, sobretudo se conquistar um cargo de relevância no governo do Estado — que possa mantê-lo em evidência —, será um candidato relativamente fácil de se trabalhar, porque é popular e tem discurso afiado. Precisa, porém, reforçar suas bases político-eleitorais na cidade.

Glaustin da Fokus: o deputado é cotado para a disputa da prefeitura | Foto: Reprodução

O empresário Glaustin da Fokus não teve coragem de peitar Gustavo Mendanha na disputa eleitoral de 2020. Mas, como percebe Vilmar Mariano como um candidato frágil — o nome a ser batido por qualquer um —, pode colocar seu bloco na rua.

João Campos, delegado da Polícia Civil e pastor evangélico, é apontado como possível candidato bancado pelo ex-prefeito Gustavo Mendanha.

No momento, por necessidade de espaço na máquina pública para seus aliados, Mendanha apresenta-se como próximo de Vilmar Mariano. Porém, nos bastidores, trabalha para arranjar um candidato, possivelmente João Campos, para derrotá-lo.

André Fortaleza: o vereador confronta o prefeito com frequência l Foto: Reprodução

A tese do mendanhismo é correta: dadas a falta de visão política e às limitações pessoais, Vilmar Mariano não está à altura de Aparecida, uma grande cidade, com uma arrecadação extraordinária. “Aparecida é maior do que Vilmarzim”, afirma um mendanhista, e com razão. “Aparecida é grande e Vilmarzim é pequeno”, acrescenta.

Mendanha tem certo apreço por Vilmar Mariano, mas tem razão ao perceber que não será capaz de derrotar as forças poderosas que estão “chegando” ao município, como João Campos, Glaustin da Fokus e Delegado Waldir. Além, é claro, do Professor Alcides.

Professor Alcides é aliado de Vilmar Mariano, porém, se perceber que não tem chance eleitoral alguma — pesquisas o apontam atrás de João Campos, Delegado Waldir, Glaustin da Fokus, Professor Alcides e, até, André Fortaleza —, pode-se apresentar como candidato a prefeito (um aliado do prefeito contrapõe: “A imagem de Vilmarzim está melhorando e ele não é o último nas pesquisas; pelo contrário, é competitivo”). O deputado é forte em Aparecida (onde tem negócios, como faculdade e bazar), tanto que foi o segundo mais votado no município, com 33.596 votos (14,23%), atrás apenas do fenômeno eleitoral Silvye Alves, que conquistou 43.846 votos (18,57%).

A pergunta é: mesmo com desgaste, sobretudo porque passa a imagem de que “ainda” não assumiu a prefeitura, comportando-se até hoje como se fosse vice-prefeito, e não prefeito, Vilmar Mariano pode desistir da disputa? Muito difícil. Vaidoso e poderoso, pelo fato de ser prefeito, ele não renunciará à oportunidade de disputar a reeleição.

A prova de que Vilmar Mariano é “fraco” é que o presidente da Câmara Municipal, André Fortaleza, o desafia abertamente, investiga sua gestão e avisa que será candidato a prefeito. O dirigente do Legislativo nunca fez o mesmo com Mendanha.