Por Marcello Dantas
O prefeito de Bonfinópolis, José Paulino (PSD), desgastado, dificilmente conseguirá fazer o sucessor. As esburacadas ruas da cidade são chamadas pela população de “queijo suíço” e a prefeitura não recolhe o lixo regularmente. O Professor Kelton (PP), com o apoio do vice-governador José Eliton, da senadora Lúcia Vânia e do deputado federal eleito Marcos Abrão, é, no momento, o favorito. O vice-prefeito, Hermes Lemes (PDT), planeja ser candidato. Mas teme a urucubaca do prefeito, que, reeleito, não pode disputar eleição em 2016. Um dos clamores da população de Bonfinópolis é por uma delegacia de polícia. Mas, segundo a oposição, José Paulino nada faz para conquistá-la.
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Deputada Flávia Morais (PDT), governador Marconi Perillo (PSDB), prefeito de Inhumas, Dioji Ikeda (PDT), e Jânio Darrot (PSDB), durante inauguração do comitê de campanha de Flávia, em agosto | Foto: reprodução / Facebook Cleumar de Oliveira[/caption]
Se Flávia Morais assumir uma secretaria poderosa do governo Marconi, o prefeito de Trindade, Jânio Darrot (PSDB), vai enfrentar uma candidata eleitoralmente consistente na disputa de 2016.
Uma saída é Flávia Morais permanecer na secretaria e disputar mandato de deputada federal — ou até de vice-governadora —, em 2018, com o apoio de Jânio Darrot. Impossível? Em política quase tudo é difícil, mas nada é impossível. O papel do governador Marconi Perillo, no jogo, será fundamental. Será um fator de equilíbrio.
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Peemedebista garante que Eronildo Valadares cruzou os braços na eleição passada e apenas “fingiu que apoiou Iris Rezende” | Foto: Divulgação[/caption]
Na semana passada, um irista disse que, em Porangatu, o PMDB deve lançar um candidato novo e sem desgaste, em 2016. “O prefeito Eronildo Valadares não vai bem e, se disputar a reeleição, vai perder, com extrema facilidade, tanto para Júlio da Retífica quanto para Gláucia Melo. Se brincar, até José Osvaldo será candidato.”
O irista frisa que, se o PMDB quiser eleger o próximo prefeito de Porangatu, não pode bancar a reeleição de Eronildo Valadares. “Ele não ganha nem mesmo de José Osvaldo, o político que, até pouco tempo, era o mais desgastado da cidade.”
O peemedebista garante que Eronildo Valadares cruzou os braços na eleição passada e apenas “fingiu que apoiou Iris Rezende”. O peemedebista avalia que o prefeito pode até não ter apoiado Marconi Perillo, mas não se empenhou na campanha de Iris Rezende, “possivelmente a pedido de Júnior Friboi”.
O jornalista João Bosco Bittencourt será um dos nomes fortes do quarto governo do tucano-chefe Marconi Perillo na área de comunicação. Ele deve comandar o comitê gestor de comunicação. João Bosco mostrou eficiência tanto no governo, nos últimos quatro anos, quanto na campanha majoritária de 2014. Além de diplomático, de fácil trato, lidera com facilidade e é extremamente operacional e produtivo (é um craque na comunicação virtual), na avaliação do marconismo.
O deputado federal Rubens Otoni, do PT, foi reeleito, mas parece que ainda está em campanha. A mil por hora, ele trabalha todos os dias. Todo o interior mantém contato com o petista-chefe. As votações espetaculares de Rubens Otoni têm a ver com o fato de que não faz política apenas no período eleitoral. Ele é, seguramente, o petista que os goianos mais conhece. Em Brasília, é um deputado eficiente e respeitado.
De um deputado federal do PMDB: “O governo da presidente Dilma Rousseff tem tantos ministérios que, se for criado o Ministério da Pesca Esportiva, eu não vou estranhar”. Faz sentido. Até muito sentido.
O PT, eventualmente com o apoio de um suposto rival, o PSOL, vai tentar pôr areia no caminho do senador eleito Ronaldo Caiado. O objetivo é, a médio prazo, transformá-lo numa espécie de Demóstenes Torres 2. Os petistas avaliam que o excesso de críticas e a exposição excessiva na mídia vão criar uma série de adversários para o líder do DEM. A “escola” petista, acostumada a enfrentamentos, assegura que não vai ficar quieta. A cúpula nacional do PT estranha que o PT goiano não o critique. A política petista de destruição de adversários não é democrática; pelo contrário, é autoritária. Ronaldo Caiado, além de íntegro, é um crítico consistente, que não faz pronunciamentos aleatórios e perfunctórios. O PSOL partiu para o ataque e disse que Ronaldo Caiado recebeu dinheiro da OAS. Ora, se o parlamentar declarou o financiamento e se nunca fez lobby para a empreiteira, qual é o problema?
O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, está cotado para assumir a Secretaria Nacional de Irrigação do governo da presidente Dilma Rousseff. Dilema de Eduardo Machado: seu nome chegou a ser citado para comandar a Sudeco, porém, como nenhum dos deputados eleitos do PHS é do Centro-Oeste, e a Superintendência só cuida de assuntos desta região, o líder goiano e nacional não tem como assumi-la. Ele precisa assumir um cargo que envolva todo o país, para contemplar as demandas do partido em outros Estados.
O deputado estadual Francisco Júnior (PSD) diz que sabe que Jayme Rincón, provável candidato do PSDB a prefeito de Goiânia, é forte, até muito forte, mas que concorda com Vilmar Rocha: “Time que não joga não tem torcida”.
Se o PSD lançar candidato a prefeito de Goiânia, o nome não será o de Vilmar Rocha, que representa a velha guarda, e sim os nomes do deputado Francisco Júnior e do vereador Virmondes Cruvinel Filho.
De um pessedista: “O vereador Virmondes Cruvinel Filho (PSD) foi eleito deputado estadual e agora está fugindo dos aliados. Ele não atende nem telefonemas”. O pessedista acrescenta: “Como está fugindo dos correligionários, Virmondes Filho já está sendo chamado de ‘Iris Rezende jovem do PSD’”. Se verdadeiro, uma pena.
O secretário de Articulação Institucional do governo de Goiás, Joaquim de Castro, não abre mão e exige a vaga de Virmondes Cruvinel (pai) no Tribunal de Contas dos Municípios. Na eleição de 5 de outubro, Joaquim de Castro apoiou Virmondes Cruvinel Filho para deputado estadual, na região de Jussara, e agora cobra o cumprimento do suposto “acordo de cavalheiros”.
Para a vaga de Sebastião Caroço (no Tribunal de Contas dos Municípios), que tem idade para se aposentar, ao contrário do que costuma dizer, irá o deputado federal Leonardo Vilela, secretário de Gestão e Planejamento.
O paulo-garcismo percebeu que, se tentar apoiar Iris Rezende para prefeito de Goiânia, vai receber um rotundo “não” da cúpula petista. Por isso, para tentar impedir uma candidatura de Humberto Aidar, que integra o grupo do deputado Rubens Otoni e Antônio Gomide, o paulo-garcismo deve bancar a candidatura de Adriana Accorsi. Percebendo que há certa resistência, não ao seu nome, mas a um candidato da Articulação, tendência do PT à qual pertence, Adriana Accorsi aproximou-se de Rubens Otoni. O PT, que não quer bancar chapa pura em Goiânia, deve buscar aliança com o PTB de Jovair Arantes ou com o PC do B de Isaura Lemos.
A presidente Dilma Rousseff ficou satisfeita ao saber que o governador Marconi Perillo vai enviar mais dois políticos para sua base na Câmara dos Deputados: Sandes Júnior, do PP, e Eurípedes Júnior, do Pros, o primeiro e o segundo suplentes, respectivamente. A presidente torce por mais um, possivelmente José Mário Schreiner, suplente pelo PSD e muito ligado à futura ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu.

