Por Euler de França Belém
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Arquivo[/caption]
Geneilton de Assis, pré-candidato a prefeito de Jataí, visitou a redação do Jornal Opção na semana passada. Não se trata de um poste. É um jovem articulado e que formula suas ideias com precisão e clareza. Pode surpreender o favorito, Victor Priori, do DEM.
Inteligente e perspicaz, Geneilton de Assis sabe, porém, que não é o prefeito Humberto Machado. Ele tem de convencer o eleitorado de que não será teleguiado, de que terá autonomia.
Um prefeito bem avaliado como Humberto Machado, que é competente e sério, transfere votos? Sim. Mas o candidato tem de fazer a sua parte, tem de provar que será um passo adiante, e não o repeteco da gestão anterior.
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Maguito Vilela e Victor Priori[/caption]
O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), apesar dos desmentidos de alguns aliados, banca mesmo a candidatura de Victor Priori (DEM) para prefeito de Jataí. Motivo: pode ser candidato a governador em 2018, operando uma grande aliança política — ele gostaria de incluir até o PSDB —, e planeja contar com o apoio da estrutura política e, sobretudo, financeira do democrata.
Há quem aposte que, se o PMDB bancar a candidatura do deputado federal Daniel Vilela para governador, em 2018, o senador Ronaldo Caiado, por não considerá-lo experimentado e forte, também será candidato. Porém, se Maguito Vilela se apresentar como candidato, o democrata tende a sair da disputa. Vale lembrar que, em 1994, foi derrotado pelo peemedebista.
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Foto: reprodução / Roda Viva[/caption]
O senador Ronaldo Caiado não parece mais tão entusiasmado com o governo do presidente Michel Temer. O democrata, mais focado na Comissão do Impeachment, também não estaria agradando o governo.
Os temeristas sugerem que Ronaldo Caiado não sabe ser governo, sobretudo não saber defender o governo. Parece que é um “eterno oposicionista”. “Parece mais líder de um UNE da direita do que um líder maduro, compromissado com um projeto de poder”, afirma um peemedebista.
Publicamente, temeristas elogiam Ronaldo Caiado. Nos bastidores, começam a criticá-lo. Mas todos admitem que se trata de um político qualitativo.
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Foto: Gabinete de Imprensa[/caption]
No segundo turno na disputa pela Prefeitura de Goiânia, se Iris Rezende tiver passado para a etapa seguinte, contra qualquer outro candidato, vai enfrentar um frentão político. Pode terçar forças contra o peemedebista os seguintes partidos: o PSDB do governador Marconi Perillo, o PR de Waldir Soares, o PTB de Luiz Bittencourt, o PT de Paulo Garcia e Adriana Accorsi, o PP de Sandes Júnior e Wilder Morais, o PHS de Eduardo Machado, o PSD de Francisco Júnior e Vilmar Rocha, o PSB de Vanderlan Cardoso e Lúcia Vânia, o PPS de Marcos Abrão.
Até o PT vai virar-lhe as costas, sobretudo porque Iris Rezende articula, de seu escritório, petardos nada inocentes contra a gestão de Paulo Garcia, que agora chama de “filhote de Marconi Perillo”.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, foi o articulador do encontro do ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), com o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT. O petista elogiou o tucano-chefe, que apresenta como “republicano”. Iris Rezende, do PMDB, não faria o mesmo.
Na campanha de outubro, sobretudo se Iris Rezende for candidato a prefeito, o petismo vai criar coragem e deve apresentar o dossiê das dívidas do peemedebista. Assim como Iris Rezende está colocando “artilheiros” (Agenor Mariano na linha de frente) para “atirar” no prefeito Paulo Garcia, o PT vai escalar seus “artilheiros” para metralhar a candidatura do peemedebista. Até o asfalto “sonrisal” será apontado e criticado. Petistas garantem que Iris Rezende fez asfalto de baixa qualidade e deixou para Paulo Garcia pagar e, sobretudo, restaurar.
Bancado pelo padre Robson Oliveira, reitor do Santuário do Divino Pai Eterno de Trindade e uma espécie de primeiro-ministro da Igreja Católica em Goiás, o vereador Tayrone di Martino, do PSDB, se prepara para trocar a Câmara por um cargo no secretariado do governador Marconi Perillo.
As relações entre o pré-candidato a prefeito de Goiânia, Vanderlan Cardoso (PSB), e a presidente do PSB, senadora Lúcia Vânia, não são exatamente ruins — chegam a ser cordiais. Mas aliados da senadora continuam dizendo que Vanderlan Cardoso “desaparece” — “está sempre na Bahia” ou “enfurnado em Senador Canedo” — e não atende os candidatos a vereador. Já aliados do pré-candidato afirmam que ele não vai repassar dinheiro para candidatos a vereador. Aliás, alguns deles, que se apresentam como postulantes, ainda não estão nem definidos.
Já há praticamente três grupos contra a gestão do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, Lúcio Flávio. O primeiro, e mais óbvio, é a OAB Forte, que está se reorganizando, de maneira discreta, para começar a criticar as possíveis falhas da gestão de Lúcio Flávio. O grupo pretende fazer críticas consistentes e responsáveis, indicando, se necessário, que não há avanços. O grupo mais perigoso, porque atuante, é o de Leon Deniz. Recentemente, um aliado de Leon Deniz, ao renunciar à presidência de uma comissão importante da OAB, saiu atirando. Novos passos poderão ser dados. O grupo avalia que Lúcio Flávio está se tornando marconista, o que não procede. O presidente não foi eleito para fazer oposição política, e sim para defender os advogados. O leondenizismo é ligado ao PMDB. O terceiro grupo apoiou Lúcio Flávio, mas não se sente contemplado por sua gestão. Sente-se, na verdade, excluído. Portanto, a partir de agora, vai abrir as baterias críticas. Lúcio Flávio, nesta perspectiva, estaria isolado no poder, com um grupo restrito de amigos e aliados.
No segundo volume de seus “Diários”, relatando fatos de dois anos de governo, 1997 e 1998, o ex-presidente afirma: “Iris não pediu, eu não queria que o Perillo fosse sequer candidato”
Nos “Diários”, o ex-presidente da República sugere que José Sarney manipulava Iris Rezende e critica Wolney Siqueira e Pedrinho Abrão
O livro “Diários da Presidência — 1997-1998” (Companhia das Letras, 869 páginas), de Fernando Henrique Cardoso, de 85 anos, menciona vários políticos de Goiás ou radicados no Estado. O ex-senador e ex-governador de Goiás Iris Rezende, de 82 anos, é citado em 40 páginas. FHC o trata com respeito, mas com certo menosprezo, sobretudo na comparação com raposas políticas nacionais, como Antônio Carlos Magalhães e José Sarney.
Em janeiro de 1997, quando se discute a eleição para presidente do Senado, o presidente Fernando Henrique demonstra ser um articulador mais escorregadio do que hesitante. A impressão que se tem é que, para controlar Antônio Carlos Magalhães, o ACM, o tucano gostaria de bancar Iris Rezende. Mas parece não perceber “estatura” suficiente no goiano para enfrentar o baiano. “Embora eu leia nos jornais que estou apoiando o Antônio Carlos, na verdade o Sérgio Motta e o Tasso [Jereissati] é que estão. (...) Mesmo que eu quisesse forçar, imaginemos o contrário, colocando o Iris, isso não seria assim tão fácil.”
Adiante, Fernando Henrique sublinha que tem de apoiar ACM por dois motivos. Primeiro, por causa do PFL (antecessor do DEM). Segundo, devido à relação com seu filho, Luís Eduardo Magalhães, um de seus principais fiadores na Câmara dos Deputados. Mas o presidente ressalva: “Eu não posso permitir que essa questão deixe o Iris irritado, porque o Iris tem sido um fiel cooperador”. José Sarney estava “jogando pelo Iris”. A interpretação de FHC: “Iris presidente [do Senado], Sarney continua sendo uma espécie de ponte do governo federal com o Iris. Mesmo que desnecessária a ponte, ele saberá habilmente fazer com que o Iris crie algumas dificuldades para que ele possa negociá-las”. Sutilmente, o tucano indica que Sarney manipulava ou queria manipular Iris Rezende.
Na questão da aprovação da reeleição, em janeiro de 1997, Fernando Henrique perguntou ao governador de Goiás, Maguito Vilela, “como estava a delegação de Goiás”. O peemedebista “disse que” estava “firme com a reeleição, mas eu o notei um pouco escabreado”. Como liderado de Iris Rezende, que estava sendo preterido para a presidência do Senado, o governante goiano sentia-se incomodado. Ante a pressão de peemedebistas, como José Sarney, FHC falou com vários líderes. “Ao próprio Iris eu disse: ‘Não é possível, senador, assim vai atrapalhar até a sua eleição, porque me condiciona, e à bancada do PSDB, a essa afronta do PMDB. Busque uma solução’.”
O senador Jader Barbalho, do PMDB do Pará, contou a Fernando Henrique que o então deputado Michel Temer é quem estava tentando postergar a emenda da reeleição. Os senadores teriam “copiado” os deputados. O que o PMDB queria era, antes de votar a emenda da reeleição para cargos majoritários, como presidente e governador, “eleger a mesa do Senado”. Era um toma-lá-dá-cá. Iris Rezende admitiu, para o próprio FHC, que trabalhou contra a votação primeiro da reeleição — na Câmara dos Deputados. O senador controlava a bancada.
Na disputa pelo comando do Senado, “Iris me parece que está mais perdido do que o senador Antônio Carlos”. O goiano estava intransigente e não queria votar a reeleição logo. “O mais difícil é o Iris. O [Israel] Vargas, cujos parentes em Goiás são donos das [sic] Organização Jaime Câmara de rádio, televisão, imprensa, pediu que seus primos falem com Iris, para ver se o amolecem. Acho difícil, porque o Iris sabe, a esta altura [janeiro de 1997] que está perdendo [a oportunidade de disputar a presidência do Senado] e talvez tenha que endurecer”, relata Fernando Henrique.
Em fevereiro de 1997, com percepção pouco aguçada do quadro real do Senado, Iris Rezende procura Fernando Henrique para uma conversa. “Ele queria que eu desse os votinhos, achava que tinha ganho, que é confiável, segundo ele próprio, e o Antônio Carlos [Magalhães] não. Eu disse ao Iris que agora a situação era diferente, porque, como ele mesmo reconhecera, cometera um erro, qual seja, ter ido a São Paulo falar com o [Franco] Montoro e com o Mário Covas, quando devia ter vindo falar comigo.” O presidente ressalva que disse a Iris que não haveria “retaliação a ele nem ao seu pessoal, embora todos os goianos tenham se abstido de aparecer no dia da votação da reeleição”.
Ao mencionar a reeleição, Fernando Henrique admite que, a partir de determinado momento, “a coisa” começou “a feder”. Mas, claro, tira o corpo fora, atribuindo possível pagamentos a parlamentares a outras pessoas (ele está limpo). Muita gente queria dinheiro vivo — consta que o mercado persa estava pagando 200 mil reais por voto. “O deputado Pedro Canedo, de quem sempre tive boa impressão, foi abordado por um deputado de Pernambuco, um tal de Severino Cavalcanti, eu creio, que é um agente do Maluf e disse ao Pedro Canedo: ‘Você tem uma dívida pequena e o governo não resolve a sua questão financeira. Isso é uma coisa vergonhosa’. Já não é o primeiro caso”, conta o presidente.
Quase no final de fevereiro, Iris Rezende havia mudado de posição, não estava mais radicalizado. “Disse que a bancada de Goiás está solidária e vai votar toda pela reeleição [no Senado].”
Em maio de 1997, Michel Temer articula os nomes de Eliseu Padilha e Iris Rezende para o ministério. Este deveria ser indicado para a pasta da Justiça. “Fiquei até surpreso, porque ele e o Iris estavam em lados opostos, lembrei que talvez houvesse dificuldade com o Antônio Carlos. O Iris cimenta uma boa parte do PMDB e eu tenho uma boa relação pessoal com ele.” A história de que Michel Temer “convive” mas não tem simpatia política e pessoal por Iris Rezende é antiga.
Fernando Henrique avaliou que ACM não ficaria “satisfeito” com a indicação de Iris Rezende para o Ministério da Justiça. Mas o líder do PFL não se opôs. Parte do PMDB tentou impor o senador goiano no Ministério dos Transportes e Eliseu Padilha na Justiça. Sem explicar seus motivos, o presidente anota: “É arriscado botar o Iris nos Transportes”. O problema seria seus aliados, como Wolney Siqueira, que FHC execrava?
Iris Rezende e Eliseu Padilha foram nomeados por FHC. “Um pacto político é sempre um pacto com o diabo. Mas estou disposto a defender a necessidade da governabilidade”, defende-se o presidente. É, sem tirar nem pôr, o mesmo discurso dos petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff. Curiosamente, ACM espalhou “que ele é que tinha feito o ministro Iris Rezende”. O esclarecimento do tucano-chefe: “Não foi ele quem indicou o Iris e muito menos quem o convidou”.
Pacto feito, a reeleição foi aprovada no Senado por 63 a 6. Não se comprava político apenas com dinheiro, como na Câmara dos Deputados. Cargos no primeiro e segundo escalões eram outra moeda cobiçada.
Maguito e Abrão
Em agosto de 1997, Fernando Henrique recebeu o governador de Goiás, Maguito Vilela, acompanhado de Iris Rezende. “Maguito quer algum apoio, algum recurso para Goiás. Reclamou do ICMS.” Num encontro anterior, Maguito Vilela agradeceu “por termos negociado bem a dívida de Goiás”. Em junho de 1997, o governador ligou para FHC para falar de uma pesquisa indicando que os goianos avaliavam positivamente o governo tucano. Não há referência à privatização da Usina de Cachoeira Dourada, bancada por Maguito Vilela.
O ex-deputado Wolney Siqueira é citado de maneira mais ampla no primeiro volume dos “Diários” e não consta que tenha processado o ex-presidente. No segundo, é citado apenas uma vez, na página 84. “Sarney falou da corrupção no DNER e a atribuiu ao Newton Cardoso”, afirma Fernando Henrique. Quem estava “na chefia da malandragem” seria Wolney Siqueira — “que eu não conheço e, dizem, foi indicado pelo Iris Rezende”.
Na página 578, Fernando Henrique faz referência desabonadora ao ex-deputado Pedrinho Abrão. O presidente esteve em Acreúna e não ficou satisfeito quando o viu. “O [Pedrinho] Abrão estava lá, uma coisa meio constrangedora, eu não sabia que ele iria, nem poderia ter ido na comitiva.”
Na página 764, Fernando Henrique conta que o ministro das Comunicações de seu governo, Luiz Carlos Mendonça, atacou, em novembro de 1998, José Saad, que havia assumido mandato de senador quando Iris se tornara ministro da Justiça. “Pedi que [Luiz Carlos Mendonça] não desse declarações, para não acirrar o clima tenso [devido ao caso dos grampos do BNDES).” Mas o ministro chamou “José Saad de ladrão, coisa que não é comprovável e só complica as coisas”, afirma o presidente.
Leia sobre os goianos citados no livro “Diários da Presidência — 1995-1996” (primeiro volume), de Fernando Henrique:
https://jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/livro-de-fhc-critica-pedro-abrao-sugere-ligacao-de-wolney-siqueira-com-lobby-e-revela-fraqueza-de-iris-51695/
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“A Ditadura Acabada” (Intrínseca, 447 páginas), de Elio Gaspari, é o quinto volume de uma série bem-sucedida. O livro contém revelações, mas só tende a percebê-las de maneira mais ampla quem aprecia o ramo dos estudos históricos (e muitos da área não querem apontá-las e, sobretudo, aceitá-las). O segredo do livro está nos detalhes. Onde se encontra informação sobre desentendimento entre o presidente-general Ernesto Geisel e o general Golbery do Couto e Silva? Não há em nenhum outro lugar, especialmente contado com o molho único de Gaspari. O que se sabia é que os dois eram Abel e Abel (não chegaram, claro, a ser Abel e Caim). Não é bem assim. Golbery tentou derrubar o presidente do BNDE (sem S) e Geisel bancou-o. Isto é tão importante assim? Não muito, mas indica que o projeto de distensão-abertura não era mesmo de exclusividade de Golbery e que, de fato, Geisel decidia.
Na página 102 há uma informação que vai chamar a atenção dos historiadores: “Em 1978 a ‘linha dura’, que se associara à máquina repressiva do regime, estava no SNI, comandado por Figueiredo, e nos DOI-CODI. Ela jamais se acercou de Euler”. O general Euler Bentes foi candidato a presidente da República contra João Figueiredo, e pelo MDB. Era, curiosamente, mais duro do que Figueiredo. Não deixa ser interessante: a linha dura com Geisel e, sobretudo, Figueiredo...
Há outras informações interessantíssimas, que revisam, sem explicitar de maneira exibicionista, partes da história do período. Mas a percepção disto é para quem estuda detidamente a história do país. Senão não perceberá o que é novo, único, na obra. Gaspari vai aos arquivos — a crítica dominante é que se trata de arquivos restritos e militares (de Golbery, Heitor Ferreira e Geisel) — e dialoga com a bibliografia e, inclusive, arquivos e jornais. O que não há é servidão à bibliografia. A pesquisa não se restringe aos arquivos de militares e o autor do livro não é “escravo” do material colhido por Golbery e Heitor Ferreira. Ele consultou a bibliografia, pesquisou em arquivos do Brasil e dos Estados Unidos e entrevistou várias pessoas. Na redação, nota-se o distanciamento preciso dos historiadores — inclusive em relação às fontes ditas basilares, Golbery e Heitor Ferreira. Fiquei com a impressão de que, neste volume, Gaspari distancia-se, um pouco mais, de suas fontes essenciais — usando suas informações com mais parcimônia e de maneira mais comparativa.
O quinto volume é um fecho extraordinário, escrito com simplicidade (no sentido de clareza) e sem estardalhaço, quer dizer, as revelações não são apresentadas de maneira explosiva, chocante. Historiadores vão explorar o livro com mais precisão — ao longo dos anos. Por quê? Porque, ao contrário de alguns historiadores, Elio Gaspari teve acesso a fontes exclusivas, inclusive com documentos, entrevistas. Não é livro para ser lido apenas uma vez e de uma sentada — é para ser estudado, verificado, comparado. Mas claro que pode e deve ser lido por qualquer um. Mas o aproveitamento maior só mesmo se o leitor tiver lido, e cuidadosamente, outros livros do período (como os excelentes livros de Ronaldo Costa Couto, Daniel Aarão Reis e Carlos Fico, para citar apenas três estudiosos). Aí saberá o que é novo e o que não é. Há falhas? Possivelmente, como em vários outros livros.
Por que parte da direita e parte da esquerda universitária não apreciam o livro de Gaspari? A primeira, porque o jornalista-historiador, mesmo usando documentos de Golbery e Geisel, não banca a ditadura. A academia, porque Gaspari — que lida muito bem com a pesquisa universitária, citando-a com precisão — é um ente de fora, não é de casa. A universidade é dona do saber, mesmo que diga que está aberta à sabedoria externa. Como pode alguém escrever um livro tão bem-sucedido não tendo a orientação de um mestre ou doutor da universidade? Os mais ranhetas vão discutir a “falta de método”. O raciocínio é mais ou menos este.
O fato é que “A Ditadura Acabada”, com os outros quatro volumes, é uma história incontornável da ditadura civil-militar. Daí o elogio entusiasmado do brilhante historiador britânico Kenneth Maxwell: “Uma história escrita de dentro para fora, repleta de detalhes inesquecíveis”.
Além da pesquisa exaustiva, e muito bem sintetizada (o leitor fica doido por mais informações), Gaspari escreve muito bem, com bossa. Sua fluência verbal é, mais do que de jornalista, de escritor.
Lula da Silva e Dilma Rousseff montaram uma rede, notadamente na internet, para defender o governo petista e atacar adversários políticos
O advogado Clayton Colavite, de 32 anos, lutou contra o pecuarista João Antônio Padula, de 53 anos, muito mais forte, e conseguiu matá-lo

