“A população de Goiânia vai decidir entre quem tem gestão e quem vem com vara de condão”

Pré-candidato do PSDB diz que ser um nome desconhecido pode favorecê-lo na sucessão da capital e aposta que eleitor não vai mais se iludir com quem diz “resolvo tudo em seis meses”

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Não importa o resultado da eleição de outro: se terá alguma coisa que nem o eleitor nem ninguém poderá reclamar de Giuseppe Vecci (PSDB) é de que ele não gastou sola de sapato para buscar seu objetivo de assumir, em janeiro, a cadeira principal do Paço. Desde fevereiro, quando foi confirmado como pré-candidato de seu partido para as eleições municipais em Goiânia, o tucano está dividindo sua rotina em Brasília com visitas a bairros e entidades na capital. Uma tarefa nada fácil para um deputado federal, ainda mais na conjuntura vivida pelo Brasil nos últimos meses.

Vecci reconhece que ainda é um desconhecido da maioria dos eleitores goianienses, mas até esse aspecto ele tem usado como uma forma de automotivação, ao citar o que lhe replicou uma senhora durante uma visita: “Ela me respondeu: ‘mas isso é muito bom [não ser conhecido], meu filho, porque quem a gente conhece nós não queremos mais’.”
Nesta entrevista ao Jornal Opção, além da perspetiva local, Vecci fala também sobre o momento político brasileiro e a missão de Michel Temer como presidente interino.

Cezar Santos — A presidente Dilma Rousseff (PT) sempre diz que a crise brasileira é política, mas não econômica. Quais são os equívocos nessa visão?

Vi a presidente Dilma falar que a questão (da crise) não é econômica, que a questão é política. Ora, ela é economista, mas arruinou a nossa economia, implantou medidas sem planejamento. O governo dela viveu de improvisação nas áreas monetária e fiscal. Tivemos a oportunidade de fazer uma reforma tributária que pudesse destravar a geração de empregos, mas no Congresso ela não encaminhou nenhuma proposta ousada. E a reforma que está no Congresso — e eu participo da Comissão — é pífia e, se Deus quiser, é melhor que nem seja votada para a gente retomar esse tema em outros termos.

Euler de França Belém — E o que o sr. acha das ideias de Michel Temer, apresentadas no documento denominado “Uma Ponte para o Futuro”?

Ele está muito cuidadoso ainda, dizendo que vai se apoiar na iniciativa privada, vai fazer um ajuste fiscal, vai gastar o que pode…

Elder Dias — Temer falou em reforma da Previdência.

Essas reformas todas trazem um desgaste grande, mas são vitais para o nosso desenvolvimento: a previdenciária, a trabalhista, a tributária, a da administração pública. A administração pública hoje virou um monstro, do ponto de vista de gastos, sem retornar uma boa prestação de serviços à população. E falar em reforma não é falar em acabar com a administração pública, que tem um papel importante, mas melhorar sua produtividade, fazer mais com o mesmo tanto. Para isso tem de mexer em muitas leis e questões que trazem desgastes. Por isso que ninguém quer fazer a reforma da administração pública.

Cezar Santos — São muitas reformas e se Michel Temer quiser fazer tudo vai frustrar a sociedade, mesmo porque não vai dar conta. Ele não teria de focar um ou duas e atacá-las no curto período de seu governo?

Sim, pode frustrar a sociedade. Ele vai ter de criar as bases como um governo de transição, um governo de coalizão. Ele terá de fazer como fez Itamar Franco ao assumir após a renúncia de Fernando Collor (em 1992), para dar serenidade momentânea ao País e sairmos desse atoleiro em que o Brasil se encontra. Se Michel Temer fizer o ajuste fiscal, abrir um pouco a economia, chamar a iniciativa privada e começar a fazer uma ou outra reforma já estará bom, para a retomada de um novo governo a ser eleito em 2018, que, aí sim, teria a legitimidade para mexer em questões mais estruturais do País.

Euler de França Belém — Fale um pouco mais sobre a questão da reforma da Previdência. A aposentadoria deve ser mesmo só aos 65 anos de idade?

É fundamental. Acho que não tem cabimento a pessoa querer se aposentar nova e viver muito. Eu já disse isso aqui nesta mesa: ficar velho é bom, pois significa que você não morreu novo. E a população brasileira está ficando cada vez mais velha, nossa média de vida hoje é 75 anos. Mas as pessoas querem se aposentar com 55 anos, com 50. Aí a conta não fecha. É preciso ter coragem, sim, de fazer a reforma da Previdência, ter idade mínima para aposentar. Não nos interessa quebrar a Previdência, como está ocorrendo. A Previdência tem de ter condições para que, amanhã, as pessoas mais jovens possam usufruí-la também. Do jeito que está não dá.

Cezar Santos — E quanto à Previdência do serviço público, que drena a maior parte da receita, não teria de ser mexida?

O serviço público, desde a Constituinte, não aposenta mais com a integralidade do vencimento, só aposenta com o mesmo valor do INSS. Antigamente não era assim, o servidor público se aposentava ganhando mais do que o salário de efetivo. Agora não, quem quiser se aposentar com salário maior tem de contribuir para a previdência complementar, como é na iniciativa privada. A Constituição de 1988 resgatou muita dívida social, ao colocar na Previdência trabalhadores que não tinham contribuído ao longo de sua vida. Acho que foi justo com essas pessoas que trabalharam, mas não dá para fazer graça exagerada com essa falta de recursos no País.

Euler de França Belém — O que significa Henrique Meirelles na condução da economia

Significa não termos sobressalto na política econômica, termos rumos previamente definidos e mais ancorados no mercado e no próprio capitalismo. Só essa sinalização já serena em parte esse momento conflituoso que vivenciamos no Brasil. Nós ouvimos no Congresso todos os dias uma retórica atrasada, arcaica, de alguns partidos, falando em “imperialismo americano”, falando que o capitalismo é isso ou aquilo. Falam como se existisse algum país no mundo hoje que não estivesse exercitando práticas econômicas mais ou menos idênticas, com variáveis pra lá e pra cá, mas muito próximas. Não que o capitalismo seja maravilhoso, não, mas esse discurso é muito atrasado.

Euler de França Belém — O deputado Waldir Maranhão (PP-MA), substituto de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara, anulou o impeachment e depois desistiu da anulação. Como o sr. viu essa atitude?

Eu fiquei com vergonha do Congresso, com vergonha do Brasil, de ver que temos uma pessoa (no comando da Casa) que se presta a esse tipo de prática política. Por mais problemas que o País tenha, as instituições estão funcionando. O próprio processo de impeachment, com gente contra e a favor, caminha dentro do rito, e o Supremo o fiscaliza. De repente, surge uma coisa que parece de um paisinho, de uma re­pública das bananas — aliás, Waldir Maranhão tem cara de banana, mesmo, sem querer dizer que banana é ruim, pelo contrário (risos), eu gosto da fruta. Mas aquilo foi muito ruim, ele conturbou um país que está tentando virar um página não da melhor forma possível, mas da maneira com que pode. Mara­nhão conturbou ainda mais esse processo.

Cezar Santos — Maranhão corre o risco de ser cassado?

Ouvi essa discussão. Acho que o papel dele não teve nada de democracia. O Brasil inteiro viu que o rito do processo foi definido pelo Supremo e aí, de repente, ele chega, interino, e faz aquilo, ele que nunca deu conta de presidir uma sessão na Câmara. Toma uma decisão monocrática depois de a Casa ter votado e encaminhado o processo para o Senado. Achei aquilo descabido e desproporcional.

Elder Dias — A chapa da mesa diretora da Câmara tem vários problemas. Eduardo Cunha é réu e está citado várias vezes na Lava Jato. Muitos deputados votaram nele para derrubar o candidato do governo, inclusive gente da oposição. O sr. votou em Eduardo Cunha?

Eu votei fechado com o PSDB e o nosso candidato era o Júlio Delgado, do PSB de Minas. E quero dizer que foram os partidos que votaram no Eduardo Cunha para presidir a Casa.

Elder Dias — Júlio Delgado é um veterano do Congresso. Não teria sido um melhor nome para atravessar esse momento?

Eu votei nele (risos), o PSDB inteiro votou nele, mas ele não teve a maioria. Quanto a esse momento, têm muitos nomes no Congresso preparados para dar um caráter institucional nesse momento. Na própria mesa da Câmara, temos a Mara Gabrili (PSDB-SP), Beto Mansur (PRB-SP), Alex Canziani (PTB-PR), várias pessoas que têm credibilidade e envergadura para isso.

Elder Dias — O goiano Jovair Arantes (PTB) tem chances de vir a ser presidente da Câmara?

Pelo que estou sabendo, ele não quer se candidatar ao mandato-tampão, quer ser candidato no ano que vem, para mandato regular. Se depender de mim, ele será o presidente da Câmara, voto nele. Líder do PTB há muito anos, tem uma relação muito boa na Câmara, acho que reúne condições, sim. Se começar a trabalhar desde agora, ter um planejamento, um projeto para apresentar aos deputados, terá todas as chances.

Elder Dias — A relatoria do processo do impeachment o ajudou nesse sentido?

Sem dúvida, tanto ele quanto Rogério Rosso (PSD-DF), que pre­sidiu a comissão do impeachment.

Marco Nunes Carreiro — Esse processo parou o Congresso. Vai funcionar agora?

Não tenho dúvida, até porque o novo governo vai demandar muita coisa do Congresso, que terá de dar respostas.

Cezar Santos — O que esperar do governo Michel Temer?

Acho que o Brasil vai ter de a­proveitar agora. Nós, do PSDB, definimos 15 itens que entendemos ser importantes para participar de um governo Temer. Um desses itens é definir um novo regime político para o Brasil. Esse presidencialismo de coalizão que vivemos é muito difícil.

Elder Dias — Temer já sofreu com isso, ao reduzir o número de ministérios. As pressões são muito fortes.

E o pior nem é isso, pior é o governo dar um ministério para um partido e esse partido votar contra o governo. Isso não existe. Para governar precisa ter coalizão, alianças. Por isso, o PSDB colocou como prioridade retomar a construção do parlamentarismo.

Elder Dias — Essa forma de cooptação de partidos foi uma coisa maléfica que o PT deixou? A criação de siglas foi estimulada para minar outros partidos de oposição e isso acabou dando um efeito reverso agora contra o próprio PT.

Não sou petista, mas não foi o PT que fez isso. Essa forma existe há muito tempo. Quando se fez a reforma política no ano passado, a questão das coligações, do porcentual de votos não foi adiante, aí agudizou o problema. Com as coligações, o eleitor vota em João e elege Paulo. Daqui um tempo, teremos 50 ou 60 partidos.

Cezar Santos — Dilma estimulou a criação de partidos, como o PSD de Gilberto Kassab, para tentar enfraquecer o PMDB.

Dilma fez isso, Eduardo Cunha também fez. Na votação da reforma, Cunha foi um dos maiores incentivadores disso, porque ele tinha na Câmara uma base muito grande de pequenos partidos, do chamado baixo clero.

Cezar Santos — O sr. é favorável que o PSDB ocupe cargos no governo Temer?

Não vejo problema, mas mais importante do que ocupar cargos é apresentar uma agenda propositiva, o que já fizemos, que é continuar o trabalho contra a corrupção. Não interessa se o PSDB tem gente citada em investigações, qual o problema? Tem de continuar investigando, dar apoio à Operação Lava Jato e a todo esse esforço do Brasil. A questão relativa à abertura econômica está contemplada no projeto de Temer, a integração do Brasil ao mundo; o fator relativo às áreas sociais com maior trabalho; o parlamentarismo; a reforma tributária. Essas são propostas que não são apenas do PSDB, mas achei muito positivo o partido reuni-las e entregá-las ao presidente.

Cezar Santos — O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, é contra a ocupação de cargos pelo partido no governo Temer. Por que a cúpula decidiu o contrário?

Mas isso é o PSDB, é a socialdemocracia, o equilíbrio entre o A e o Z. Isso é o que faz termos opiniões diferentes dentro do partido. Não vejo problema nenhum em participar, mas não é uma questão vital.

Cezar Santos — O sr. vê como problema Temer designar pessoas que estão sob investigação na Operação Lavo Jato para ocupar ministérios?

O Brasil tem muita gente envolta com a Justiça, seja do governo, sejam empresários, sejam pessoas físicas. Então, eu vejo essa questão com muito cuidado, porque tem muita gente que tem problemas na Justiça e que cobram isso do governo, da mesma forma que podem ter lá muitos que ainda não foram julgados e podem ser inocentes. Acho que os casos mais graves, que ficaram muito latentes, são nomes difíceis de apresentar. Agora, casos que suscitam dúvida, mas diz o direito que há a presunção da inocência.

Cezar Santos — Temos, por exemplo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que é um excelente articulador, mas que está envolvido na investigação.

Não sei os detalhes sobre ele. Se isso for da forma como você está colocando, fica difícil. Mas apareceram 200 nomes na lista da Odebrecht e eu sei que alguns receberam recursos de maneira honesta, legal. O nome, porém, está lá. Tenho um colega, Carlos Sampaio [deputado federal pelo PSDB de São Paulo], que acredito ser um dos homens mais honestos que existem, mas que tem seu nome envolvido nas questões do Banco Rural. Eu não teria problema em chamar alguém como Carlos Sampaio. Portanto, vejo tudo isso com muito cuidado. Fiquei feliz em saber que Temer reduziu dez ministérios e já parou um pouco com o tal “toma lá dá cá” e definiu uma equipe básica.

Euler de França Belém — Reduzem-se ministérios, mas mantêm-se as estruturas e continua tudo a mesma coisa.

Na verdade, os ministérios são fundamentais do ponto de vista simbólico. Mas não é isso que vai reduzir drasticamente as despesas do Estado.

Elder Dias — Temer não teria condições de chamar alguém equivalente a Romero Jucá e que não esteja envolvido?

Não sei. É ele o amigo de Romero Jucá. Eu sei que o senador é um bom articulador e um bom economista.

Cezar Santos — Na semana passada, foi realizada uma grande reunião em Goiânia. Qual foi o chamado da militância em relação à sua pré-candidatura à Prefeitura?

Sou o pré-candidato do PSDB. Desde janeiro coloquei meu nome e, depois das prévias, me tornei o pré-candidato de um partido que exerce o poder estadual. Tenho procurado, cada vez mais, fazer reuniões, encontros e visitas a segmentos organizados e andar pelos bairros de Goiânia. Já devo ter feito, nos últimos dois ou três meses, cerca de 60 reuniões na cidade, com diversos públicos. Até então, o governo estava longe do processo e, na semana passada, houve essa reunião fora do expediente em que o governador Marconi Perillo (PSDB), o vice-governador José Eliton (PSDB) e os secretários reuniram um conjunto de pessoas e amigos para pedir apoio à minha candidatura e externar o que ela representa para Goiânia e para retomarmos o orgulho do goianiense. Saí de lá e fui para outra grande reunião, a de lançamento de pré-candidatura a vereador, de Gustavo Cruvinel [filho do ex-deputado Honor Cruvinel].

Marcos Nunes Carreiro — O que tem sido discutido com a população nessas reuniões das quais o sr. tem participado?

Tenho ouvido da população muitas coisas, algumas que são básicas. Há um consenso geral de que Goiânia tem uma gestão improvisada, amadora, omissa e que não está presente no dia a dia do cidadão. Tudo isso, certamente, a população sente — quando vê a cidade esburacada, com má iluminação, cheia de lixo e com um transporte coletivo que não funciona. E assim sucessivamente, o que é natural. A população demanda, cotidianamente, serviços de qualidade, porque sofre. É isso que temos discutido, aquilo que é de interesse da população. Eu, logicamente, tenho uma ideia, mas estou ouvindo todos. Nosso plano de go­ver­no já está quase pronto, pelo menos essa primeira etapa, que será colocada para maior apreciação pela população. Teremos um projeto que seja perceptível e que represente os anseios e as necessidades do povo.

Cezar Santos — Sua campanha terá como desafio contrapor um discurso populista com foco em segurança pública, por exemplo, com um debate que chame a atenção das pessoas para a racionalidade administrativa. É uma tarefa complicada.

Acho que essa campanha será positiva. O discurso de planejamento, de gestão compartilhada, de combate ao populismo, à demagogia e ao “resolvo tudo em seis meses”. O prefeito tem de ser “total”, no sentido mais amplo da palavra, não de uma área só. Goiânia demanda saúde, segurança, educação, trânsito e tudo o mais. O prefeito deve ter percepção dessas questões. No meu entender, é preciso mudar a forma de gerir a cidade, substituindo a improvisação pelo planejamento, mudar uma gestão centralizada e travada por outra, descentralizada e regionalizada, com a criação de oito subprefeituras, que vão aproximar a Prefeitura da população. Serão essas subprefeituras que vão dar conta dos serviços básicos para quem reside nos bairros. Dizem que as pessoas não moram na União ou nos Estados, mas nas cidades. Não, as pessoas moram nos bairros, que, somados, compõem a cidade. Cada bairro tem uma característica própria, tem um comércio, uma praça, uma rua principal. Então, a pessoa tem que ver no seu quarteirão, na sua rua, que as coisas estão acontecendo. Por isso é importante descentralizar e regionalizar a Prefeitura, que precisa estar presente nos problemas das pessoas, mesmo que não consiga resolver todos. Não pode ser omissa diante das graves dificuldades que as pessoas têm.

Elder Dias — Como será feita a descentralização?

Com essas oito subprefeituras nas regiões maiores. Um exemplo: a região noroeste tem 90 bairros. Ali tem de ter uma subprefeitura, um Vapt Vupt municipal com os serviços básicos para que as pessoas não tenham ir ao Centro só para pegar uma guia. Uma parte dos órgãos da Prefeitura tem de ser regionalizada para atender às demandas da população e atender o cardápio de serviços de que as pessoas precisam. Para a Grande Goiânia, aí sim, precisamos de um projeto amplo, que envolva trânsito, transporte coletivo, meio ambi­ente e desenvolvimento econômico, entre ou­tros pontos.

Elder Dias — As subprefeituras foram uma proposta de Iris Rezende para seu segundo mandato, mas não desistiu de implantá-la depois de sentir a pressão dos vereadores, que achavam que perderiam seus currais eleitorais para outras pessoas. Como o sr. pretende lidar com essa resistência?

Junto com os vereadores. Simples. É preciso ter vontade política para fazer e nós vamos fazer. Várias cidades já fizeram e isso é algo importante.

Deputado federal Giuseppe Vecci, pré-candidato a prefeito de Goiânia: “Falo com todo mundo, não tenho preguiça” | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Deputado federal Giuseppe Vecci, pré-candidato a prefeito de Goiânia: “Falo com todo mundo, não tenho preguiça” | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

“Vamos implantar a meritocracia na Prefeitura”

Euler de França Belém — Por que não fazer concurso para escolher gerentes, como o Estado fez?

Aí já é outra questão: é falar sobre a profissionalização da Prefeitura de Goiânia, a capacidade de melhorar a produtividade dos servidores. Vamos implantar a meritocracia para que tenhamos as melhores cabeças em cargos de chefia e para ter pessoas mais profissionalizadas, porque isso é importante para a resolução dos problemas da cidade.

Euler de França Belém — Qual foi a sua par­ticipação na criação dos programas Renda Cidadã, Bolsa Universitária e Vapt Vupt?

Ajudei a criar todos esses programas. Também ajudei a desenhar a UEG [Universidade Estadual de Goiás]. Antes, eu havia ajudado a criar a Universidade Estadual de Anápolis (Uniana), ainda na época do governo de Henrique Santillo (1987-1991), e a UEG foi desenhada na época da campanha de 1998.

A Bolsa Universitária foi uma ideia que levamos para o plano de governo, mas foi proposta da campanha de 1998, quando eu coordenei o planejamento. Naquela época, Marconi ia à minha sala na [Faculdade] Cambury para que a gente pudesse discutir o planejamento. A campanha dele foi curta, basicamente em agosto, setembro e um pedaço de outubro. Nesses três meses, houve uma efervescência em vários campos. Foi o caso da UEG, pois tínhamos várias faculdades espalhadas pelo Estado e a ideia foi aglutinar tudo, criando uma universidade que pudesse ter uma administração com condições de implantar mais rapidamente as atividades do ensino superior. A Bolsa Universitária, em um primeiro momento, veio como ideia para ser implantada no ensino médio, mas nós a transformamos para o ensino superior, em uma ideia de Marconi, ainda na época da campanha.

Alguns desses programas nós já fizemos no primeiro ano de governo, em 1999, como o Vapt Vupt. Eu fui à Bahia para ver uma experiência de atendimento, trouxemos a ideia e implantamos o primeiro Vapt Vupt, no Buriti Shopping. Depois, virou essa rede de prestação de serviços. Naquela época, era preciso modernizar a administração pública estadual, profissionalizá-la, qualificá-la, definir novos processos. Com o Renda Cidadã, fui altamente criticado, porque se distribuíam cestas e os políticos da época criticavam o cartão, porque achavam que deixariam de ter contato com o eleitor e perderiam votos sem isso. Mas eu disse que, se fosse para fazer igual às gestões anteriores, não precisava eleger Marconi. Se elegeram, foi porque entendiam que era importante modificar o quadro.

O Banco do Povo veio de uma experiência do governo Henrique Santillo, que tinha uma empresa comunitária. Transformamos isso no Banco do Povo, uma empresa leve, sem burocracia. Desenvolvemos o Cheque Moradia, o Cheque Reforma e outros problemas na área econômica, na área de desenvolvimento regional. Ainda existe desequilíbrio regional no Estado, pois, para criar regiões mais desenvolvidas, criamos desigualdades como a região nordeste, oeste e norte do Estado. Para problemas como essa disparidade social havia um planejamento de modernizar a máquina pública de prestação de serviços e agregar valor nas matérias primas produzidas em Goiás. Aquele discurso de que o “boi sai em pé”, a “soja não é esmagada” e o “milho não é processado” ficou para trás. Quando era secretário da Fazenda, atraímos 21 frigoríficos de uma vez. Era para acabar com o discurso do “boi sai em pé”, além de atrair indústrias. Saímos do Fomentar e o modernizamos para criar o Produzir. Criamos o Fundo Protege para financiar todos os programas sociais. Eram coisas que achávamos importantes naquela época.

Marcos Nunes Carreiro — As subprefeituras podem ajudar a solucionar os problemas de mobilidade de Goiânia?

A proposta não é para isso, mas ajuda um pouco, porque, a partir do momento que uma pessoa deixa de ir ao Centro pegar uma guia, isso já ajuda na mobilidade. Mas a função principal é aproximar a Prefeitura da população e também para desburocratizar. Há uma crítica à demora na liberação de documentos da Prefeitura. Mas aí as pessoas criticam: “Quer criar mais cargos”. Não, é possível fazer com os cargos existentes, apenas remanejando-os.

Marcos Nunes Carreiro — E como o sr. pretende resolver o problema específico de mobilidade?

Isso se resolve com trabalho de engenharia de trânsito, algo que não existe hoje em Goiânia. Há uma indústria de semáforos na cidade, o que trava Goiânia. Há avenidas que vão para o mesmo ponto. Para ter ideia, a Perimetral Norte, a Anhanguera e a Castelo Branco, que são vias de escoamento na saída para Goianira e Trindade, chegam ao mesmo local. É preciso abrir novas avenidas para melhorar esse escoamento. A saída para Bela Vista de Goiás, então, nem se fala, com aquele tanto de condomínios existe apenas uma avenida. Como faz assim? É preciso pegar o viaduto da Unip [Universidade Paulista], na BR-153, e prolongá-la, tornando-a uma paralela à GO-020 para promover esse escoamento. Acho que a última avenida construída em Goiânia foi na época do prefeito Nion Albernaz [prefeito de 1983 a 1985, de 1989 a 1992 e de 1997 a 2000], com a Avenida Cora Coralina e a T-63. Já a Leste-Oeste, por exemplo, poderia criar um novo tipo escoamento pelos trilhos que vão para o Jardim Novo Mundo, assim como as marginais. Tudo isso pode criar condições melhores para o trânsito, somadas a um bom trabalho de engenharia de tráfego. O que fizeram recentemente na confluência das avenidas República do Líbano com a Assis Chateaubriand não é planejamento.

Elder Dias — O sr. falou muito sobre a questão da mobilidade no aspecto dos carros. Mas o maior problema em Goiânia é o péssimo transporte público. As pessoas preferem qualquer alternativa que não seja encarar os ônibus da cidade. Só viaja nos coletivos quem não tem outra forma mesmo. E quem está “condenado” a essa sina se desumanizou, não demonstra empatia com seu companheiro de viagem, o que só alimenta um círculo de individualismo e até de violência. Os candidatos a prefeito vão falar muito em solucionar o problema do transporte, mas nenhum deles anda de ônibus para isso.

O que você está me dizendo é que o transporte em Goiânia, além de ruim, não é humano. Isso tem a ver com omissão na gestão do sistema pela Prefeitura. Omissão.

Elder Dias — Mas isso têm décadas, não é de agora. Eu ando de ônibus desde 1979 e esse sistema sempre foi desumano. Nunca prestou.

Não concordo. Acho que pode ter piorado, mas dizer que não nunca prestou, eu posso respeitar sua opinião, mas, se você fizer uma pesquisa, como jornalista, e observar que o Eixo Anhanguera quando foi implantado tinha avaliação positiva. Entendo sua revolta. Teve gente que falou que resolveria o problema do transporte em seis meses [o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB)], mas passou seis anos e não resolveu.

É preciso que a Prefeitura esteja presente na gestão do transporte público. É preciso que organize as pessoas para entrar nos terminais. Hoje, para entrar em um ônibus feito num chassi de caminhão, ganhar quem dá mais cotoveladas. Os pontos não têm iluminação. Na hora de pico, quem está no início da linha consegue tomar o coletivo, mas no meio da linha fica impossível, porque faltam veículos. Dentro do ônibus, corre-se o risco de ser assaltado, de sofrer assédio sexual. Há um conjunto de fatores sobre os quais a Prefeitura tem de atuar, tem de exercitar sua fiscalização. Do contrário, teremos de acreditar que nunca vai melhorar. Só que no mundo inteiro existe transporte público.

Elder Dias — Por isso, o transporte coletivo tem perdido usuários em Goiânia há muito tempo.

Sim, mas está perdendo é em todo o Brasil, porque, graças a Deus, por um lado, o povo comprou moto, carro ou está andando mais de bicicleta. O que quero dizer é que, para aqueles que hoje não têm condições e ainda são obrigados a andar de ônibus, é possível a Prefeitura fazer uma boa gestão e prestar um serviço de qualidade, transformando o que é “transporte coletivo” em transporte público.

Euler de França Belém — Por que o VLT não deu certo?

Por dificuldades financeiras. Acho que ainda não deu certo, mas ainda vai dar certo. Como o BRT. As pessoas dizem que não, mas são linhas específicas para corredores específicos e isso é o que está sendo implantado mundo afora. Mas, também em todo lugar, como no Entorno do DF, há uma gritaria tremenda contra o transporte coletivo. É o mesmo problema. É preciso haver um esforço continuado do poder público para desfazer essa imagem real, que eu concordo que é ruim.

Cezar Santos — A Prefeitura está tendo dificuldades financeiras para concluir a obra do BRT.

Mas a Prefeitura não exercita o papel de poder público, nem ao menos o de fiscalização. Não é possível admitir que uma pessoa seja assaltada ou assediada dentro de um ônibus, além de ter de esperar por uma condução lotada e ainda chegar atrasada ao destino. É uma questão muito grave e é de se revoltar mesmo.

Euler de França Belém — As mortes violentas na Grande Goiânia são muito associadas à questão das drogas. O governador Marconi Perillo propôs a criação dos Credeqs [centros de recuperação de dependentes químicos], mas até hoje nenhum foi inaugurado. A Prefeitura deve ter um papel central nisso? A droga não é só um fato policial, mas social e cultural.

A droga deixou de ser uma questão só da população de baixa renda e hoje permeia todo mundo. É preciso que a Prefeitura se insira em todos os problemas da cidade. Se não temos os Credeqs como estrutura física, já temos em funcionamento há quatro anos o Grupo Executivo de Enfren­tamento às Drogas, que está fazendo um ótimo trabalho com as unidades terapêuticas e os segmentos da sociedade organizada. Assim, também, os CAPs [Centros de Atenção Psicos­social], montados pelas prefeituras, são poucos, mas podem ser expandidos. Só que a Prefeitura não dá conta de fazer tudo isso sozinha, é preciso fazer alianças, com gestão compartilhada com esses segmentos. É um somatório de esforços. Se deixarmos de ser presunçosos e imaginarmos que podemos fazer parcerias, podemos conseguir.

Euler de França Belém — As escolas de tempo integral podem ajudar a reduzir a violência?

Claro que sim. Recentemente, estive em uma escola de tempo integral no Jardim Novo Mundo. É uma luta, porque são muito poucas unidades nesse formato em Goiânia. Além da educação formal, é preciso dar uma profissão para aquelas pessoas. É muito difícil ver alguém chegar à idade de trabalho sem família consolidada, sem religião, e ganhando 800 reais. Acaba pensando que tudo fica mais fácil pegando um 38 [revólver] na mão. Por quê? Porque não tem profissão. Mas, veja, se ele for um costureiro ou se envolver com artesanato, vai aumentar sua renda e vai pensar duas vezes. São políticas transversais, há um somatório de fatores.

Euler de França Belém — A Prefeitura pode, então, colaborar com a segurança pública?

O próximo prefeito de Goiânia — que espero que seja eu — vai ter de enfrentar o desgaste da segurança, terá de pegar o problema e levá-lo para seu gabinete. Ou então será um prefeito pela metade. Não adianta mais falar que a segurança pública é um problema do Estado. Não, é um problema gravíssimo que afeta todos os cidadãos. É um dos principais problemas que enfrentamos e compete ao prefeito ter coragem para enfrentar isso.

Hoje temos um gabinete de gestão integrada, que é presidido pelo comandante da Guarda Municipal. Só que deveria ser presidido pelo prefeito, para integrar todos os órgãos da gestão e os demais — PM, Polícia Civil etc. — naquilo que for afeito à repressão. Até porque tem um aspecto que é de prevenção: ora, se colocam uma luz perto do ponto de ônibus, isso já ajuda a segurança pública; se o prefeito dá suporte aos conselhos de segurança na capital, também contribui para a prevenção à criminalidade.

Euler de França Belém — Se eleito, o sr. faria concurso público para que os arquitetos de Goiânia construam pontos de ônibus decentes para as pessoas?

É verdade, porque o que temos é uma vergonha. Os pontos de ônibus não parecem contar com o fato de que aqui chove de outubro a março.

Euler de França Belém — Dizem que o sr. é um tanto desagregador e arrogante e, por isso, teria perdido o apoio de partidos como o PTN, o PHS e o PSL. O que o sr. diz sobre essa questão?

Isso não é verdade. Conversei com todos esses partidos e tenho interesse em ter seu apoio. Mas os dirigentes dessas siglas não podem me cobrar algo de forma alguma, porque, se fizeram alguma demanda que ainda não foi resolvida, isso ocorreu porque não pude resolver na velocidade em que gostariam. Pelo contrário, encontrei pessoas dos partidos várias vezes, já conversei, já almoçamos juntos. A deputada estadual Eliane Pinheiro (PMN) e o publicitário Carlos Maranhão estão me ajudando nesses contatos e fazendo o possível. Não podemos confundir essas demandas ainda não atendidas, por mais justas que sejam, com uma distorção dizendo que eu não lhes dei atenção. Isso é totalmente diferente.

Euler de França Belém — Outra questão que costumam dizer é que o sr. tem uma resistência muito grande entre os funcionários públicos. Isso procede?

Isso é coisa para criar factoide. Tive 120 mil votos ao total e 19 mil deles em Goiânia, a maioria vinda de servidores públicos. Muitos pediram licença para trabalhar para mim. Certamente não sou perfeito, mas tenho muito boa relação com os servidores. E nisso não tem nenhuma demagogia nem populismo. Ajudei a que o 13º salário fosse pago no mês do aniversário, ajudei a formular a maioria dos concursos públicos, a criar o cargo de gestor, a formatar a Escola de Governo, o auxílio-creche, o auxílio-funeral, a meritocracia, o plano de cargos e salários.

Tenho diálogo com os servidores públicos. Tanto que alguns, que são até de partidos contrários, me procuraram dias atrás para que eu criasse um contato com a administração. Disseram que, pelo menos, eu tinha diálogo com eles. Essas coisas são apenas imagens negativas que querem colar em mim.

Euler de França Belém — Sua candidatura é para chegar até o dia 2 de outubro?

Não, espero que ela vá até o dia 23 de outubro [data do segundo turno das eleições municipais]. (risos)

Fotos: Renan Accioly/Jornal Opção

Fotos: Renan Accioly/Jornal Opção

Euler de França Belém — A pergunta é porque volta e meia tem alguém dizendo “Giuseppe Vecci pode desistir se não deslanchar”.

Na verdade, estão todos assustados. O mesmo ocorreu quando da candidatura para deputado federal. Diziam que eu não teria a mínima condição de bancar uma postulação dessas e eu tive 120 mil votos, fui o segundo mais votado de meu partido e o quarto no Estado. Agora, estou fazendo reuniões em todos os pontos da cidade. Falo com todo mundo, não tenho preguiça. Pelo contrário, estou com garra e determinação para ser prefeito e isso assusta os adversários.
O próprio Jornal Opção escreveu que eu só fico em Brasília. Mas, como? Estou correndo como um louco. Vou hoje à tarde para lá e amanhã já estou de volta para uma reunião na Assembleia. Estou me desdobrando. Nesta semana, já fui a Brasília, voltei e estou indo novamente para lá.

Cezar Santos — O partido fechou com o sr. Quem mais?

O PSDB, obviamente, e o PP já me declararam apoio. Vocês vão ver em breve outros partidos com a gente.

Elder Dias — Com quantos partidos o sr. já conversou?

Só não conversei com os partidos que são nitidamente oposição a nós. Alguns com que já conversei já foram citados aqui nesta entrevista.

Elder Dias — Mesmo com os partidos que não têm representação na Assembleia ou na Câmara de Goiânia?

Sim. Estamos com aliança encaminhada com uma meia dúzia, além de PSDB e PP. Luto para aglutinar o maior número possível de partidos à minha pré-candidatura. Mas, se não ocorrer, entendo perfeitamente e digo: é para isso que existe segundo turno.

Euler de França Belém — O PP pode indicar seu vice?

Qualquer partido pode indicar alguém para a chapa.

Euler de França Belém — Sandes Júnior (PP) é um dos vices possíveis?

Com certeza, é um nome importante. Mas vamos esperar o fechamento com todos os partidos para discutir essa questão. Não tem nada encaminhado ainda nesse sentido e não vou governar sozinho.

Marcos Nunes Carreiro — O governador Marconi Perillo tem histórico de candidatos que ele apoia, mas não vencem em Goiânia. Outra questão é que o sr. ainda não é conhecido por grande parte da população da capital. Como trabalhar esses dois fatores?

Vou contar um fato que me ocorreu no Bairro Feliz. Fui visitar uma associação de idosos. Lá, encontrei a dona Lúcia, presidente da entidade. Fui muito bem recebido e vi o trabalho bem feito que fazem. Pedi o apoio, falando que precisava me tornar mais conhecido por quase três quartos da população. Ela me respondeu: “Mas isso é muito bom, meu filho, porque quem a gente conhece nós não queremos mais.” Por isso, digo que esse fator pode ser uma oportunidade. E é por isso que estou esse tanto de reuniões, para levar as ideias. Outro ponto é que, apesar de as pessoas não me conhecerem fisicamente, sabem do trabalho que fizemos no governo: o Renda Cidadã, a meritocracia, o Vapt Vupt, a Bolsa Universitária, o Banco do Povo, enfim, os programas sociais. Não fiz nada sozinho, foi uma parceria com o governador e outras pessoas, mas pude contribuir bastante com tudo isso.

Marcos Nunes Carreiro — E sobre esse histórico de o governo não ser bem-sucedido em eleições na capital?

Eu tenho muito respeito pelo trabalho que todos nós fizemos no Tempo Novo. E o povo de Goiás também tem, ao contrário não teria elegido Marconi Perillo quatro vezes. Isso não exclui que tenhamos desgaste no governo, ainda mais neste momento de crise. Aqui no Estado as pessoas podem ficar contrariadas com Marconi, por exemplo, o servidor público. Pode falar que não teve aumento, mas quantas unidades da Federação nem pagam seus servidores há meses? Têm alguns com três meses de atraso.

Isso tudo a população vai ter de avaliar agora, entre candidatos preocupados com planejamento, gestão, história de trabalho etc. e outros que vêm com populismo e vara de condão para resolver tudo em seis meses. A população vai decidir. Espero poder mostrar tudo o que fizemos, sem nenhuma arrogância e com os pés no chão.

Euler de França Belém — Como ficou o contencioso entre empresários e governo na questão dos incentivos fiscais?

Não sei de detalhes. Primei­ramente, acho muito ruim que o Estado tenha de quebrar contratos. Mas sei também que, diante da situação financeira por que passamos, houve um processo de revisão de alguns dos incentivos que foram colocados. Creio que foi uma das políticas implementadas que deu certo para Goiás, embora não tenha sido feita apenas pelo Tempo Novo. Começou com Iris, no programa Fomentar, e seu sucessor, Maguito Vilela (PMDB) , por exemplo, in­centivou a formação do polo farmoquímico em Anápolis. É uma política que pode ser revista? Sim, mas com a acuidade de conciliar ajuste fiscal e respeito ao que foi acertado. Não tem coisa pior do que o Estado não dar conta de pagar funcionários e fornecedores em dia.

Euler de França Belém — Prati­camente todos os pré-candidatos estão reclamando da falta de dinheiro. Como está seu trabalho, também sem dinheiro?

Da mesma forma. Tinha contratado um marqueteiro [Marcus Vinícius Queiroz], mas não pude ficar com seu trabalho no momento pela questão financeira. Em dificuldade de honrar o compromisso, tive a honestidade de expor isso a ele e espero que possamos contar com seu serviço mais à frente. O que não posso é criar despesas sem condições de honrá-las.
Nesta fase, de pré-campanha, as despesas ainda são relativamente pequenas. Estamos com 160 pessoas que estão contribuindo com algo entre R$ 500 e R$ 1 mil conosco. E buscamos mais gente para isso. Estamos fazendo um cadastro para que elas possam contribuir no período eleitoral. O fundo partidário está totalmente comprometido com o custeio do próprio partido; a iniciativa privada está proibida de contribuir; e a pessoa física está receosa de ajudar, com medo de devassa pela Receita. Vamos ter de criar, rapidamente, uma nova cultura de campanha, até porque isso não está ocorrendo apenas conosco. Marcamos reuniões para explicar essa questão e criamos um novo sistema de informática para que, após as convenções, tenhamos mais contribuições.

Euler de França Belém — Essa forma de fazer campanha não terá de mudar? Por que, ao que parece, isso estimula o caixa 2. O que era para ser uma legislação benéfica parece que, na prática, está diferente.

Não tenho dúvidas sobre isso, terá de mudar. O Congresso deverá rever isso.

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