Disputa acirrada pra prefeito sugere que Anápolis é laboratório político para a disputa de 2018

Grandes partidos tentam plantar estrutura no município para se fortalecerem para a disputa do governo do Estado

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Em termos de número de eleitores, Anápolis é a terceira cidade de Goiás — perdendo tão-somente para Goiânia e Aparecida de Goiânia. Porém, politicamente, é o segundo município mais importante do Estado. Por isso os partidos mais relevantes estão posicionando candidatos a prefeito, com o objetivo de criar estruturas para a disputa de governador em 2018.

Carlos Antônio, do PSDB

O PSDB vai bancar o deputado estadual Carlos Antônio (foto acima, com o governador Marconi Perillo). Antes, o partido iria apenas “disputar”. Agora, com um nome popular, vai participar do pleito com a possibilidade de eleger seu candidato. O jogo é o seguinte: como talvez não consiga eleger os prefeitos de Goiânia e Aparecida de Goiânia, o tucanato quer ganhar pelo menos em Anápolis. Por dois motivos. Primeiro, se seu candidato for eleito, fortalece suas próprias forças, passando a controlar um município cuja influência reverbera no Estado. Segundo, enfraquece parte da oposição, notadamente o PT. O tucanato também está percebendo que o PMDB do deputado Daniel Vilela e o DEM do senador Ronaldo Caiado começa a “jogar” com mais firmeza no município. Todos querem criar “base” e enfraquecer a “base” dos adversários.

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

João Gomes, prefeito de Anápolis | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

João Gomes, do PT

O PT, enfraquecido pelo desgaste nacional, precisa manter sua força em Anápolis—considerando também que será muito difícil eleger o próximo prefeito de Goiânia. Reeleger o prefeito João Gomes, portanto, é uma forma de manter alguma força, em termos políticos e de estrutura, numa cidade decisiva. O deputado federal Rubens Otoni e seu irmão, o ex-prefeito Antônio Gomide, precisam, para se manterem fortes em 2018, da vitória de João Gomes. É possível, até, que a disputa diga mais, em termos estruturais, ao projeto dos irmãos do que ao projeto do próprio prefeito.

Eli Rosa, do PMDB, e Pedro Canedo, do DEM

Eli Rosa 1

O PMDB aposta que vai eleger o prefeito de Goiânia, possivelmente Iris Rezende, e o de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha. Assim, terá estrutura, tanto político-eleitoral quanto financeira, para a disputa de 2018. Em Anápolis, o partido não vai bem há vários anos, tornando-se mais cauda do que cabeça. O presidente do partido, deputado federal Daniel Vilela, e o deputado estadual José Nelto articulam a candidatura do vereador e empresário Eli Rosa (foto acima).

Eleitoralmente, Eli Rosa não é um nome tão consistente quanto João Gomes e Carlos Antônio. Mas tem prestígio e, se lançado, significará que o PMDB não está “morto” na cidade. Noutras palavras, o partido quer manter uma referência no município. Por quê? Porque planeja lançar candidato a governador, Daniel Vilela, em 2018.

Pedro Canedo 3 26_MFP_135_180101fp

O DEM do senador Ronaldo Caiado está apostando no ex-deputado federal Pedro Canedo (foto ao lado). Trata-se de um médico-oftalmologista conceituado, mas “desidratado” eleitoralmente nos últimos anos. É possível que, se não deslanchar, componha com Eli Rosa. Um deles pode ser o vice —talvez Eli Rosa. A ressalva é que, se for eleito, Pedro Canedo fortalecerá uma candidatura de Ronaldo Caiado a governador, o que prejudicaria o projeto eleitoral de Daniel Vilela. Se Eli Rosa for eleito, beneficia Daniel Vilela e não Ronaldo Caiado. Porém, como o adversário comum é o PSDB, qualquer um que for eleito beneficiará a oposição no próximo pleito governamental. É provável que o projeto número um de uma possível aliança entre DEM e PMDB no município é muito mais derrotar o candidato do governo, Carlos Antônio, para tentar impedir a criação de uma estrutura local dos tucanos.

José de Lima, do PV

José de Lima ex deputado 580694

O ex-deputado José de Lima é visto como o “eterno candidato”. Ele é filiado ao PV, assim como poderia ser ao PEN, ao PDT ou ao PTN. Seu projeto, mais pessoal do que partidário, é manter o nome em evidência para “encorpar-se” o máximo possível para a disputa de um mandato de deputado estadual em 2018. Dado o número de candidatos, ou pré-candidatos, não terá condições de criar uma aliança político-eleitoral consistente. Mas é um postulante que não tem receio de disputar eleições e está sempre no jogo, para ganhar ou para perder.

Vander Lúcio e Alexandre Baldy, do PTN

Vander Lúcio é do PTN de Anápolis

O deputado federal Alexandre Baldy não diz que será candidato mas também não diz que não será candidato a prefeito de Anápolis. Costuma dizer que disputar é uma oportunidade e que permanecer em Brasília, como deputado federal atuante, é outra oportunidade. A cidade interessa-lhe porque é uma importante base político-eleitoral. O parlamentar tem projetos maiores do que uma mera reeleição. Quer ser prefeito de Anápolis e também planeja ser governador de Goiás. Se eleito prefeito, sobretudo se fizer uma administração memorável, estará cacifado para uma disputa eleitoral para o governo — por exemplo em 2022.

O PTN, dirigido pelo deputado, apresenta três nomes para a disputa: o próprio Baldy, o jornalista e empresário Vander Lúcio Barbosa (foto acima) e o advogado Arinilson Mariano. São pessoas respeitadas na cidade, mas, eleitoralmente, o mais consistente é mesmo o parlamentar.

Ernani de Paula, do PSDC

Ernani de Paula: quem quer ele?

Ernani de Paula

O ex-prefeito Ernani de Paula, do PSDB, articula bem pelas redes sociais e dialoga com praticamente todos os setores da sociedade anapolina.

Mas teria dificuldade para montar uma estrutura ampla para a disputa. Há quem avalie que deverá ser candidato a vereador (é apontado como um possível campeão de votos).

Mas o político, como José de Lima, não tem receio de disputar pleitos difíceis.

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