Resultados do marcador: Brasil
A travesti busca existências que fogem aos controles tradicionais de gênero e de sexualidade são possíveis e edifica novos imaginários sobre religião e fé
Especialistas apontam as queimadas como fatores de maior influência na qualidade do ar
Médicos especialistas estão no topo da lista
Produtos eram armazenados em um galpão no bairro da Liberdade, em São Paulo. Ninguém foi preso
Antes do confinamento, em março, ele pediu autorização da PM. Entretanto, não conseguiu a licença porque estava há menos de 10 anos de serviço.
A maior parte das solicitações de transplante, no Brasil, pede por rins
Jogo de azar pode se enquadrar em legislação aprovada no Congresso, mas vai depender de alterações
pós dois meses consecutivos de alta, o registro foi de um ganho acumulado de 1,0%
Serviços prestados pelo órgão podem ser afetados com a paralisação
Durante seus discursos, Gayer e Amauri Ribeiro endossaram uma futura candidatura de Nikolas à presidência da República
É curioso perceber que, dentre tantas acusações graves, o que pode levar Bolsonaro à prisão é o escândalo das joias sauditas.
Este é o sexto anúncio de vazamentos de dados do Pix só neste ano.
Deputados realizaram vetos no projeto que veio do Senado; Espanhol deixa de ser disciplina obrigatória
Grupo enviou R$ 1,6 bilhão ao exterior nos últimos cinco anos. Polícia cumpre 118 ordens judiciais em sete estados e no Distrito Federal
Herbert Moraes
Desde 1997, dia 9 de julho é feriado no Estado de São Paulo. Naquele ano, Lei 9.497 foi aprovada pela Assembleia Legislativa e promulgada pelo então governador Mário Covas, que instituiu o 9 de Julho como Data Magna do Estado. A guerra civil que ganhou ares de revolução durou 90 dias e terminou com a rendição dos paulistas em 2 de outubro de 1932. Na capital paulista, duas avenidas que, até hoje, são uma das principais artérias do caótico trânsito da cidade, foram batizadas com as datas que marcam a Revolução Constitucionalista de São Paulo: a 9 de julho e a 23 de maio.
A primeira é considerada a data em que estourou a rebelião armada e quando voluntários começaram a se apresentar para a formação do exército que lutou pela causa paulista. Já a segunda data, lembra o dia considerado o estopim da fase armada do levante, quando 4 estudantes morreram após a invasão de tropas federais ao escritório do Partido Popular Paulista.
Os quatro universitários, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, tornaram-se mártires do movimento, que adotou as iniciais dos seus nomes como a sigla da causa: MMDC. O que pouca gente se lembra, e que foi extirpado dos livros que contam a História do país, é que, há exatos cem anos, em 9 de julho de 1924, os paulistas também foram às armas e provocaram uma outra guerra que, assim como em 1932, terminou em uma derrota sangrenta, após o bombardeio da capital paulista por aviões da Força Aérea Brasileira, por ordem do governo federal, à época sob a tutela do mineiro Arthur Bernardes, considerado o pior e mais cruel Presidente do Brasil.
Em 05 de julho de 1922, eclodiu no Rio de Janeiro, a famosa "Heroica Revolta dos 18 do Forte", uma insurreição militar liderada por tenentes do Forte de Copacabana contra a fraude das urnas, a corrupção (que nessa época passava longe dos quartéis) e contra partidos considerados de centro, que na época estavam nas mãos da bancada ruralista que desde 1897 comandavam o Brasil através da República do café com leite, quando a cada quatro anos era eleito um Presidente que vinha de Minas Gerais ou de São Paulo. o Movimento dos 18 do Forte, marcou os tenentes como militares progressistas, que lutavam por um país menos arcaico, desigual e mais industrializado. Um movimento que acabaria por ser a faísca inicial de uma série de outras revoltas que, ao fim, destituiu a República Velha, em 1930, com a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder, dando início ao Estado Novo.
Em 1924, a data que lembrava o levante dos 18 do Forte, 05 de julho, tornou-se tão simbólica que o dia foi instituído por grupos rebeldes, para marcar o início de várias insurreições militares que eclodiram pelo Brasil, em estados como no Sergipe, Bahia, Amazonas e São Paulo. No norte e nordeste, o Governo Federal retomou o controle do poder rapidamente mas, em São Paulo, os grupos rebeldes conseguiram tomar a capital que foi ocupada durante três semanas. O movimento era comandado por um gaúcho, General Isidoro Dias Lopes, um veterano da Revolução Federalista de 1893, no Rio Grande do Sul. O Major Miguel Costa, comandante do regimento da Cavalaria da Força Pública de São Paulo, também liderou a revolta. Pouco tempo depois, ele viria a ser o líder da Coluna Miguel Costa- Prestes, que no início não era Coluna Prestes como ficou conhecida.
O tenente Joaquim Távora também era um dos líderes da guerra paulista. Joaquim era irmão de Juarez Távora, um outro tenente ligado aos rebeldes, assim como o tenente Eduardo Gomes, que tinha sido um dos líderes dos !8 do Forte e havia retornado do exílio na Argentina para participar da Revolta paulista. Muitos anos depois, os dois concorreram duas vezes à Presidência do Brasil, mas foram derrotados nas urnas. Outro líder do levante de 1924, era o "feroz" tenente João Cabanas, um homem perigoso e assassino que liderava a Coluna da Morte e, por fim, o tenente Filinto Müller, um torturador, considerado, até hoje, o homem mais perigoso do país. O objetivo da Revolução de 1924 era derrubar o Presidente Arthur Bernardes, considerado o inimigo número 1 dos militares.
O Presidente havia fechado o Clube Militar, mandou prender o ex-Presidente do Brasil, Hermes da Fonseca que era irmão do Marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro presidente do Brasil) e colocou no comando do Ministério da Defesa um civil, algo inaceitável pelos militares. No entanto, embora os militares tenham planejado a Revolução Paulista
detalhadamente, sua eclosão foi caótica. Começou com a tomada, em 5 de julho, por 2600 soldados rebelados, dos quartéis do Exército e da Força Pública no bairro da Luz em São Paulo, assim como a Estação da Luz e a Estação Sorocabana que viria a ser a Estação Júlio Prestes. Mas os rebeldes se esqueceram de cortar algo crucial numa Revolução: a comunicação. Nem as linhas telegráficas ou as telefônicas foram cortadas, e isso permitiu que o Presidente Arthur Bernardes fosse prontamente avisado. Assim, o chefe do executivo pôde reagir rapidamente, dando início a um contra-ataque.
Mas antes da chegada das tropas legalistas à São Paulo, as forças rebeldes abriram fogo contra o Palácio dos Campos Elíseos, sede do Governo do Estado, onde ficava o Presidente do Estado, como se chamava o Governador naquela época. |No dia 6 de Julho, o primeiro contingente das tropas federais chegou ao Estado vindo do Rio de Janeiro para lutar contra os rebeldes, mas acabaram desertando e se uniram aos revoltosos. Enquanto isso, no interior do Estado, fazendeiros e comerciantes armaram grupos paramilitares que ficaram conhecidos como "pelotões patriotas" para lutar contra os rebeldes.
No anoitecer do dia 8 de Julho, ficou claro que os militares não conseguiriam tomar toda cidade de São Paulo porque os blindados que eram utilizados não andavam porque eram pesados demais. O plano de tomar a cidade de Santos, sede do principal Porto do país, também não deu certo. Ao perceberem que a Revolução tinha falhado, os rebeldes resolveram mandar um mensageiro ao Palácio que eles tinham bombardeado 2 dias antes, anunciando a sua rendição em troca de anistia. Mas ao chegar ao Palácio Campos Elíseos, o mensageiro o encontrou vazio. O Presidente do Estado, Carlos Campos havia fugido de madrugada. Foi então que os rebeldes resolveram tomar o poder.
No dia 9 de Julho de 1924, Arthur Bernardes ordenou o bombardeio de São Paulo mesmo sabendo que a ação deixaria dezenas de civis mortos. Espertamente, o Presidente mandou atingir apenas os bairros operários como a Móoca, Braz, Belenzinho e o Ipiranga, livrando bairros nobres como o centro, Campos Elíseos e Higienópolis como alvo. A cidade entrou em colapso. A população, desesperada, saqueou depósitos e mercados, impedindo a entrada das tropas legalistas. Onze dias depois do início do levante, 15000 soldados leais ao Governo Federal cercavam a capital paulista. Os rebeldes, então, pediram armistício condicionando a assinatura de um acordo de paz à entrega do poder e à posse de um governo provisório no Brasil com a imediata convocação de uma Constituinte.
Ao ler a proposta, o Presidente Arthur Bernardes chamou os militares revoltosos de "recalcados" e não aceitou o acordo, até porque ele tinha sido eleito em um pleito democrático. Os militares rebeldes propuseram, então, depor as armas em troca de anistia. Arthur Bernardes não quis conversa e decretou a prisão de todos os revoltosos. Mas na madrugada do dia 27 de Julho, os rebeldes abandonaram as cidades paulistas de trem e seguiram para Foz do Iguaçu.
Dois meses depois, em Outubro de 1924, alguns tenentes gaúchos, inconformados com o desfecho da Revolução Liberal de 1923, fugiram em direção à Foz onde se juntaram aos rebeldes paulistas. Em abril de 1925, os dois grupos se juntaram para formar a Coluna Prestes. A guerra paulista 1924 acabou sendo esquecida pelos próprios paulistas que, por coincidência do destino, oito anos depois, iniciaram um outro conflito em 9 de julho de 1932. A Revolução de 1924 acabou virando uma ferida esquecida.

