Darô Fernandes

Em disputas majoritárias, há um erro clássico de leitura: tratar o vice como figura acessória. A prática política mostra o oposto. O vice é composição, equilíbrio e território. É ele quem amplia a base, reduz resistências e sustenta a governabilidade no dia seguinte à eleição.

É sob essa ótica que a escolha ao lado de Daniel Vilela precisa ser analisada com franqueza política.

E, nesse tabuleiro, o nome de Bruno Peixoto não aparece como conveniência aparece como necessidade estratégica.

Bruno é presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, cumpre seu quarto mandato como deputado estadual, conhece o funcionamento do Parlamento como poucos e já exerceu a função de líder do governo na Casa durante a gestão do então governador Ronaldo Caiado. Isso não é currículo; é vivência direta da articulação legislativa, da construção de maiorias e da condução de pautas sensíveis.

Política é composição. Sempre foi.

Hoje, Bruno trabalha um projeto de pré-candidatura a deputado federal. Contudo, a dimensão política que alcançou ultrapassa naturalmente uma disputa proporcional. Prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, ex-deputados e os próprios parlamentares estaduais gravitam em torno do seu projeto, formando uma base municipal orgânica construída ao longo de anos.

Na leitura de bastidores, projeta-se que, em uma candidatura a federal, ele poderia alcançar votação extremamente expressiva. Ainda assim, a questão central não é essa. A questão é onde essa força produz mais resultado para um projeto de governo.

Daniel Vilela representa experiência administrativa, continuidade institucional e preparo executivo.
Bruno Peixoto representa capilaridade territorial, articulação municipal e trânsito absoluto dentro da ALEGO.

Se Daniel vencer as eleições, precisará de alguém que seja, dentro do governo, o homem da articulação legislativa, alguém que leve as pautas relevantes do Executivo para dentro da Assembleia com autoridade política, respeito dos pares e capacidade concreta de formar maioria.

Bruno já exerce esse papel na prática.

Ele não precisaria aprender a dialogar com os deputados.
Ele já é ponto de convergência entre eles.

O cenário político estadual mostra movimentos distintos entre os principais atores. O senador Wilder Morais já anunciou como pré-candidata a vice Ana Paula Rezende, filha do ex-prefeito Iris Rezende. Marconi Perillo ainda busca definir sua composição.

Já o campo representado pela esquerda, encantar pelo PT, mantém presença histórica no debate político, mas, no contexto eleitoral goiano atual, tem apresentado baixo impacto competitivo nas disputas majoritárias estaduais, não figurando como força determinante no desenho final do jogo político para o governo do Estado.

Nesse contexto, a escolha do vice ao lado de Daniel deixa de ser detalhe protocolar e passa a ser decisão estratégica com impacto direto na campanha e, principalmente, na governabilidade posterior.

A eleição em Goiás não se consolida apenas na capital. Ela se constrói nos municípios. E, depois de eleita a chapa, a estabilidade do governo passa necessariamente pela relação com a Assembleia.

É exatamente nesse ponto que Bruno Peixoto se torna o vice ideal.

Porque ele entrega, ao mesmo tempo, o que a campanha precisa antes da eleição e o que o governo precisará depois dela.

No fim, a pergunta correta não é quem pode ser vice.
A pergunta correta é: quem, ao ficar de fora, faz mais falta dentro?

Hoje, politicamente, essa resposta passa pelo nome de Bruno Peixoto.

Darô Fernandes é advogado e presidente da Comissão Especial de Direito Empresarial de Consumo

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