Darô Fernandes

A pesquisa mais recente da Genial/Quaest, divulgada na última quinta-feira, trouxe mais do que um retrato momentâneo da disputa em Goiás: evidenciou tendências estruturais que ajudam a compreender o comportamento do eleitorado. Os números apontam Daniel Vilela com 33% das intenções de voto, enquanto Marconi Perillo aparece com 21%, revelando não apenas uma vantagem numérica, mas um possível indicativo de consolidação de cenários distintos.

Marconi Perillo é, sem dúvida, uma das figuras mais relevantes da história política goiana. Seus quatro mandatos à frente do Executivo estadual deixaram marcas importantes, sobretudo na expansão de infraestrutura, programas sociais e políticas de desenvolvimento. Trata-se de um legado que merece reconhecimento. Entretanto, é próprio de trajetórias longas e intensas na vida pública que também se forme, paralelamente, um índice de rejeição mais elevado elemento que, em disputas majoritárias, tende a funcionar como limite de crescimento.

A pesquisa da última quinta-feira (30/04/26) reforça essa percepção ao indicar que, embora mantenha uma base eleitoral consistente, o ex-governador enfrenta dificuldades para expandir seu campo de apoio. Em termos políticos, isso significa que sua candidatura se move dentro de um espaço já bastante conhecido pelo eleitorado, o que reduz a margem de avanço em comparação com nomes que ainda dialogam com setores mais amplos da sociedade.

Em sentido oposto, a liderança de Daniel Vilela se constrói em um ambiente favorável. Atual governador do estado, sua trajetória reúne experiência legislativa e vivência executiva, iniciada ainda como vereador em Goiânia, passando pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, pela vice-governadoria. Hoje, no comando do executivo estadual, consolida uma caminhada que combina formação política e prática administrativa.

Esse percurso se insere, ainda, em um contexto institucional altamente relevante. O governo de Ronaldo Caiado encerrou seu ciclo com índices de aprovação superiores a 80%, resultado de uma gestão marcada pela modernização do serviço público, responsabilidade fiscal e, sobretudo, avanços consistentes na segurança pública. Os indicadores alcançados nessa área colocaram Goiás em posição de destaque nacional, com resultados que passaram a ser observados como referência por outros estados.

Nesse cenário, a ideia de continuidade deixa de ser apenas uma estratégia política e passa a representar uma escolha baseada em resultados concretos. O eleitor, diante de um modelo que demonstra eficiência, tende a privilegiar a manutenção de políticas que já produzem efeitos positivos no cotidiano.

Há, ainda, um elemento simbólico que amplia a compreensão desse momento. Daniel Vilela é herdeiro político do saudoso Maguito Vilela, cuja trajetória o coloca entre os nomes mais completos da política do Brasil. Maguito percorreu praticamente todos os níveis da vida pública que um político poderia fazer: foi vereador, deputado estadual, deputado federal constituinte, vice-governador, governador, senador da República e prefeito de Aparecida de Goiânia e da capital do estado. Trata-se de uma carreira que se consolidou como referência de equilíbrio, experiência e compromisso com a gestão pública.

Essa herança política, somada à experiência própria e ao contexto de um governo amplamente aprovado, projeta Daniel Vilela como um nome que reúne atributos relevantes para a condução do Estado: conhecimento institucional, capacidade de articulação e inserção em um ciclo administrativo bem avaliado.

A eleição que se aproxima, portanto, tende a ser definida por fatores que vão além da simples lembrança do passado. Entre a consolidação de trajetórias já amplamente conhecidas e a continuidade de um modelo que apresenta resultados concretos, o eleitor goiano será chamado a decidir qual caminho melhor responde às demandas do presente e às expectativas do futuro.

Darô Fernandes é advogado, presidente da Comissão de Direito Empresarial do Consumo da OAB/GO, especialista em Direito Empresarial, Direito Sucessório e Direito de Familia.

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