Pesquisa da UFG revela que produção de vinhos no Cerrado tem vasto potencial inexplorado
26 julho 2026 às 10h00

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Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) aponta que a combinação de novas técnicas de cultivo e fermentação pode elevar a qualidade dos vinhos produzidos no Cerrado brasileiro.
O estudo mostrou que o uso de uma levedura pouco explorada pela indústria, aliado ao manejo característico da região, intensifica aromas, melhora a estrutura da bebida e amplia seu potencial antioxidante, reforçando o potencial do Centro-Oeste para a vitivinicultura.
O trabalho foi desenvolvido no Instituto de Química (IQ/UFG), em parceria com a vinícola Quartetto Vinhos e Vinhedos, e integrou o mestrado de Luis Felipe Lima Guimarães. A pesquisa avaliou vinhos elaborados com uvas malbec, syrah e sauvignon blanc cultivadas em Águas Lindas de Goiás.

Um dos diferenciais da produção no Cerrado está ainda no vinhedo. Enquanto as principais regiões produtoras do Sul do Brasil realizam a colheita durante o verão, os produtores goianos utilizam a técnica da dupla poda, que desloca a colheita para o inverno. Com clima mais seco nessa época do ano, as uvas amadurecem em condições consideradas mais favoráveis para a produção de vinhos finos.
Na etapa de fermentação, os pesquisadores testaram a levedura Hanseniaspora vineae, originária do Uruguai, em conjunto com a tradicional Saccharomyces cerevisiae, utilizada pela maior parte das vinícolas. A estratégia buscou explorar características aromáticas que normalmente não são alcançadas quando apenas a levedura convencional é empregada.
Os resultados indicaram ganhos tanto na composição química quanto na experiência sensorial dos vinhos. Nos tintos, houve maior extração de compostos fenólicos, especialmente taninos, responsáveis pela estrutura e pela complexidade da bebida. Já no sauvignon blanc, a fermentação proporcionou um perfil aromático mais intenso, com notas florais mais evidentes.
Outro destaque da pesquisa foi o aumento do potencial antioxidante dos vinhos produzidos com a combinação das leveduras, característica associada à presença de compostos bioativos. Segundo os pesquisadores, esse resultado amplia o interesse científico e comercial pela técnica.
Mesmo elaborados em escala experimental e sem a adição dos estabilizantes normalmente utilizados na produção industrial, os vinhos foram submetidos à avaliação de especialistas em análise sensorial. Os testes confirmaram que as mudanças provocadas pela nova levedura foram percebidas pelos avaliadores, principalmente em relação aos aromas.
A pesquisa foi financiada pelo programa de Mestrado Acadêmico para Inovação e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), iniciativa que aproxima universidades e empresas para o desenvolvimento de soluções aplicadas.
Agora, os resultados seguem para publicação em revistas científicas e poderão dar origem a pedidos de patente. A expectativa é que o estudo fortaleça a produção de vinhos no Cerrado e contribua para ampliar o reconhecimento da região como um polo capaz de produzir rótulos de alta qualidade, mostrando que a vitivinicultura brasileira vai muito além das tradicionais regiões do Sul do país.



