Goiás reforça as medidas para impedir a entrada do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante, uma das plantas daninhas mais agressivas para a agricultura. O Estado está na fase final de elaboração do Programa Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação da espécie, além de concluir a regulamentação das medidas fitossanitárias para o trânsito de máquinas e implementos agrícolas.

A iniciativa busca evitar que a planta se estabeleça em território goiano e comprometa tanto a produção agrícola quanto as exportações. Atualmente, o Amaranthus palmeri já foi identificado em Mato Grosso, São Paulo e Santa Catarina, mas ainda não há registros da espécie em Goiás.

Segundo o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, as normas foram elaboradas de forma preventiva e em conjunto com representantes do setor produtivo.

“Nós construímos essa normativa em diálogo com as entidades do setor e com base em critérios técnicos. Há pontos definidos pela legislação federal que não podem ser flexibilizados, justamente para garantir uma norma eficiente na prevenção da chegada dessa praga ao Estado”, afirma.

Além dos prejuízos às lavouras, o gestor alerta para os impactos econômicos que a planta pode provocar.

“O Amaranthus palmeri pode causar grandes perdas na produção agrícola e criar barreiras comerciais. Recentemente, cargas brasileiras de soja foram devolvidas pela China após a identificação de sementes dessa espécie. Isso gera prejuízos econômicos e insegurança para o mercado”, destaca.

Em Goiás, todas as suspeitas registradas até o momento foram descartadas após análises laboratoriais realizadas pelo Ministério da Agricultura.

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José Ricardo Caixeta Ramos: “a participação dos produtores é essencial para impedir a entrada da espécie” | Foto: Andre Bianchi

“Até o momento, Goiás não registrou nenhum foco da planta. Tivemos apenas uma suspeita, que foi descartada após análise do laboratório do Ministério da Agricultura. Agora, nosso trabalho é fortalecer as ações de prevenção e concluir um plano de contingência para garantir uma resposta rápida caso a espécie seja identificada”, explica Caixeta.

Segundo o presidente da Agrodefesa, caso a presença do Amaranthus palmeri seja confirmada em uma propriedade rural, a nova regulamentação prevê a adoção de medidas rigorosas para impedir sua disseminação.

“A área será interditada, todas as plantas serão erradicadas e será realizado um monitoramento contínuo até que não haja mais qualquer indício de germinação. Nesse período, também haverá restrições ao trânsito de máquinas, implementos e veículos para evitar que as sementes sejam levadas para outras regiões.”

Caixeta ressalta que a participação dos produtores rurais é fundamental para manter Goiás livre da praga.

“Um dos pilares desse trabalho é a educação sanitária. O produtor precisa monitorar constantemente suas áreas e comunicar imediatamente a Agrodefesa diante de qualquer suspeita.”

Alto potencial de disseminação

O gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, o engenheiro agrônomo e fiscal estadual agropecuário Leonardo Macedo, explica que o Amaranthus palmeri é classificado como uma praga quarentenária, ou seja, ainda não foi identificado em Goiás, mas exige monitoramento permanente devido ao elevado risco de introdução e disseminação.

“Essa planta compete diretamente com as culturas por água, nutrientes, luz e espaço, reduz a produtividade, dificulta a colheita e ainda apresenta resistência a herbicidas amplamente utilizados na agricultura, o que torna seu controle muito mais complexo”, afirma.

Segundo Macedo, um dos principais fatores de preocupação é a elevada capacidade reprodutiva da espécie.

“Uma única planta adulta pode produzir, em média, cerca de 600 mil sementes, podendo chegar a um milhão em condições favoráveis. Isso faz com que a disseminação ocorra de forma extremamente rápida, especialmente se não houver controle imediato.”

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Leonardo Macedo: “hoje, o método indicado é o arranquio manual das plantas identificadas” | Foto: Acervo pessoal

Outro fator que preocupa os técnicos é a facilidade de disseminação da planta por meio de máquinas e implementos agrícolas. Segundo Leonardo Macedo, as sementes do Amaranthus palmeri são muito pequenas e podem permanecer aderidas aos equipamentos mesmo após o uso.

“As sementes são extremamente pequenas e podem ficar presas em colhedoras, tratores e outros implementos. Se essas máquinas forem deslocadas para outras propriedades sem a limpeza adequada, podem acabar levando a planta para novas áreas”, explica.

A resistência da espécie a diversos herbicidas também torna o controle mais complexo. De acordo com o gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, quando há confirmação da presença da planta, a erradicação exige procedimentos específicos.

“Atualmente, o método mais indicado é o arranquio manual das plantas, seguido da destruição por queima ou enterro. Por isso, impedir que a espécie se estabeleça em Goiás é muito mais eficiente do que tentar controlá-la depois”, afirma.

Enquanto finaliza a instrução normativa estadual, a Agrodefesa mantém ações de fiscalização em propriedades rurais, intensifica a coleta de amostras de plantas suspeitas e amplia as campanhas de orientação aos produtores. O objetivo é reforçar a vigilância fitossanitária e evitar que o Amaranthus palmeri seja introduzido em território goiano.

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