Queimadas já causaram prejuízo milionário ao campo goiano; AEAGO alerta para riscos
19 agosto 2026 às 15h42

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O avanço do período seco exige atenção redobrada de produtores rurais em Goiás, onde as condições de baixa umidade, calor e vegetação ressecada aumentam o potencial de propagação das chamas. O alerta da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO) ocorre diante do histórico de prejuízos provocados pelo fogo: somente nos oito primeiros meses de 2024, as queimadas foram responsáveis por um impacto estimado em R$ 710 milhões na economia goiana, segundo levantamento do Instituto Mauro Borges.
Do total atingido naquele período, cerca de 60% correspondiam a áreas produtivas, o que representa aproximadamente 102 mil hectares. O levantamento também registrou uma alta de 40% nas queimadas em áreas destinadas à produção em relação ao mesmo intervalo de 2023. No acumulado de 2024, Goiás contabilizou 448.956 hectares queimados, conforme dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), sendo 51,7% relacionados a atividades agropecuárias.
Impactos ultrapassam as lavouras
Para o presidente da AEAGO, Fernando Barnabé, engenheiro agrônomo e advogado, o momento exige que os produtores antecipem medidas de segurança e evitem práticas que possam favorecer a propagação do fogo. Segundo ele, eventuais queimadas autorizadas precisam seguir as normas ambientais e contar com orientação profissional. “Estamos em um período em que as condições climáticas favorecem muito a propagação do fogo. Por isso, a principal orientação ao produtor é trabalhar com prevenção e evitar queimadas”, afirma.
Além das lavouras e pastagens, incêndios podem destruir cercas, máquinas, sistemas de irrigação e outras estruturas das propriedades, com reflexos que permanecem mesmo depois de as chamas serem controladas. Entre o fim de julho e setembro de 2024, as perdas estimadas na produção agrícola goiana chegaram a R$ 181,71 milhões, considerando sete culturas afetadas. Barnabé ressalta que a recuperação das áreas representa novos gastos e pode comprometer a retomada da atividade.
Os efeitos também atingem o meio ambiente e as cidades. O fogo pode avançar sobre áreas de vegetação nativa do Cerrado, provocar perda de biodiversidade, degradar o solo e atingir a fauna. Já a fumaça pode comprometer a qualidade do ar e alcançar municípios distantes dos pontos de origem dos incêndios. Por isso, a entidade defende que a prevenção seja tratada como uma medida de proteção não apenas ao patrimônio rural, mas também ao meio ambiente e à população.

Barnabé ressalta que a recuperação das áreas representa novos gastos para os produtores e pode comprometer a retomada das atividades.
Os impactos também atingem o meio ambiente e as cidades. O fogo pode avançar sobre áreas de vegetação nativa do Cerrado, provocar perda de biodiversidade, degradar o solo e atingir a fauna. A fumaça, por sua vez, compromete a qualidade do ar e pode alcançar municípios distantes dos locais onde os incêndios começaram.
Por isso, a entidade defende que a prevenção seja tratada não apenas como uma forma de proteger o patrimônio rural, mas também como uma medida de proteção ambiental e da população.
Fernando Barnabé: “O produtor precisa entender que prevenção é planejamento” | Foto: Acervo pessoal
Planejamento antes do fogo
Entre as medidas recomendadas estão a manutenção de aceiros e áreas de segurança, o acompanhamento das condições meteorológicas, a orientação dos trabalhadores e a busca por assistência técnica antes de qualquer atividade que envolva fogo.
A AEAGO reforça ainda que o uso controlado do fogo depende de autorização ambiental e do cumprimento de regras específicas. “O produtor precisa entender que prevenção é planejamento. Antes de qualquer atividade que envolva fogo, é preciso avaliar as condições da propriedade, o clima e os riscos de propagação”, destaca Barnabé.
A entidade também chama a atenção para o cenário climático previsto para o segundo semestre. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acompanha as condições relacionadas à possível formação do El Niño. Embora o fenômeno, por si só, não determine a ocorrência de incêndios em Goiás, o cenário reforça a necessidade de acompanhamento constante das condições meteorológicas.
Para Barnabé, as medidas devem ser adotadas antes do surgimento dos focos. “Não podemos esperar o incêndio começar para agir. A prevenção precisa acontecer agora, enquanto ainda é possível reduzir os riscos”, conclui.
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