Goiás projeta alta na bovinocultura com faturamento de R$ 23,7 bilhões em 2026
28 abril 2026 às 16h18

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A bovinocultura deve continuar entre os principais motores da economia goiana em 2026. A estimativa do Ministério da Agricultura e Pecuária aponta que o setor poderá movimentar R$ 23,7 bilhões ao longo do ano, valor 7,5% superior ao registrado em 2025. O desempenho representa pouco mais de 20% do Valor Bruto da Produção (VBP) estadual e cerca de 10% da produção bovina nacional.
O avanço projetado é sustentado pelos resultados registrados em 2025. Dados do quarto trimestre divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Goiás abateu 1 milhão de cabeças de gado no período, alta de 16,5% em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior. Com isso, o estado manteve a terceira posição entre os maiores produtores do país.
No acumulado do ano, o volume chegou a 4,2 milhões de cabeças abatidas, o equivalente a 9,7% da produção nacional. O desempenho reforça a relevância da pecuária de corte na cadeia agropecuária goiana, especialmente em um cenário de expansão da demanda interna e externa.
Os preços também acompanham a valorização do setor. Em março de 2026, a arroba do boi gordo foi negociada, em média, a R$ 350,18, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). O valor representa aumento de 2,3% frente a fevereiro.
A reposição do rebanho também ficou mais cara. O preço médio do boi magro em Goiás passou de R$ 4.051,32 por cabeça, em setembro de 2025, para R$ 4.305,28 em março deste ano, crescimento de 6,3%. Já o bezerro atingiu média de R$ 3.264,50, alta de 3,3% em relação ao mês anterior, movimento influenciado pela menor oferta de animais.
No mercado externo, as exportações seguem em expansão. Entre janeiro e março de 2026, Goiás exportou US$ 511,6 milhões em carne bovina, avanço de 32% frente ao mesmo período de 2025, segundo dados do AgroStat, plataforma do Ministério da Agricultura.
No período, foram embarcadas 92,2 mil toneladas, aumento de 14,2%. O preço médio da tonelada exportada alcançou US$ 5.545,96, acima da média nacional. As carnes congeladas responderam pela maior fatia das vendas externas, representando mais de 80% do valor exportado.
Os principais compradores da carne bovina goiana foram os Estados Unidos e a China, responsáveis por 33,7% e 20,6% das exportações, respectivamente. México e Chile aparecem na sequência entre os mercados mais relevantes.
A expansão das exportações está ligada à consolidação sanitária do rebanho goiano e à busca por novos mercados internacionais. O reconhecimento de Goiás como zona livre de febre aftosa sem vacinação amplia a competitividade da carne produzida no estado e fortalece a presença em países com maior exigência sanitária.
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