“A agricultura brasileira é zero subsidiada e o agro cresceu pelo empreendedorismo”, diz Ademar Leal secretário da Seapa
11 maio 2026 às 16h59

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O avanço do agronegócio no Vale do Araguaia, região apontada pelo governo estadual como a nova fronteira agrícola de Goiás, tem impulsionado o desenvolvimento econômico, mas também evidenciado gargalos históricos ligados à infraestrutura e energia.
Em entrevista ao Jornal Opção, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ademar Leal, destacou que o governo estadual vem trabalhando para reduzir os impactos enfrentados pelos produtores rurais, especialmente pequenos e médios agricultores, por meio de programas de apoio, linhas de crédito e investimentos estruturais.
Segundo o secretário, o agronegócio brasileiro cresceu sustentado principalmente pelo esforço dos próprios produtores. “A agricultura brasileira é zero subsidiada. O desenvolvimento do agronegócio brasileiro se deu pelo empreendedorismo, pelo trabalho e pela dedicação dos produtores rurais do Brasil e de Goiás”, afirmou.
Ainda assim, ele reconhece que momentos de crise, como perdas provocadas por fatores climáticos, exigem apoio do poder público para evitar prejuízos ainda maiores no campo.
Ademar Leal citou como exemplo o Programa de Aquisição de Alimentos, que, apenas em 2025, destinou mais de R$ 35 milhões para compras feitas de pequenos produtores rurais. Os alimentos adquiridos foram destinados a famílias em situação de vulnerabilidade cadastradas na Organização das Voluntárias de Goiás (OVG).
“O que estamos nos esforçando é tentar minimizar esses impactos para as cadeias dos pequenos e médios produtores”, explicou.
Ele também ressaltou a atuação da Seapa na cessão de máquinas agrícolas e equipamentos para municípios goianos, iniciativa que já disponibilizou mais de 1,2 mil máquinas nos últimos anos. Além do suporte estrutural, o secretário destacou a existência de linhas de crédito subsidiadas voltadas para pequenos e médios produtores, desenvolvidas em parceria com órgãos como a Goiás Fomento.
Para ele, o apoio estadual ao setor deve ocorrer de forma estratégica e sustentável. “Não tem como o governo subsidiar o agronegócio goiano. O que é possível é o governo apoiar ações de pequenos e médios produtores”, pontuou.
Ademar também reforçou a continuidade das políticas iniciadas pelo ex-governador Ronaldo Caiado e que, segundo ele, terão sequência na gestão do governador Daniel Vilela. “O governador Daniel Vilela nos orientou a dizer que o governo de Ronaldo Caiado é o piso do governo dele”, disse.
Entre as principais dificuldades enfrentadas atualmente pelo agronegócio goiano, Ademar Leal aponta três temas centrais: energia, gestão e meio ambiente.
De acordo com ele, a falta de infraestrutura energética ainda é o principal entrave para o crescimento acelerado do setor. O secretário explicou que municípios como Mozarlândia, São Miguel do Araguaia, Nova Crixás, Jussara e Britânia vivem uma transformação econômica impulsionada pela agricultura moderna, mas ainda convivem com uma estrutura elétrica considerada insuficiente.
“Estamos falando de gente muito trabalhadora; o agronegócio é de sol a sol, é aguerrido, trabalhado e lutado. Ele acelera muito rápido, e o governo acaba não acompanhando”, declarou.
Segundo ele, investimentos em subestações e novas redes de transmissão estão sendo articulados para atender tanto o médio quanto o baixo Araguaia. Ademar Leal também destacou os avanços ambientais conduzidos pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), mas reconheceu que ainda há desafios a serem enfrentados.
Para ele, o caminho passa pelo diálogo entre governo e produtores rurais. “São problemas estruturais que estão sendo resolvidos. Isso acontece com muito diálogo e, claro, treinamentos, palestras, reuniões e muito mais.”
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