IBGE aponta avanço da diversificação da indústria goiana com novos investimentos; veja os setores que puxam o crescimento
26 junho 2026 às 19h11

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Apesar de a indústria alimentícia continuar como principal força da economia goiana, os setores automotivo e farmacêutico vêm ampliando sua participação e consolidando um processo de diversificação da atividade industrial no estado. É o que mostram os dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA Empresa), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2024, Goiás contabilizou 7.230 empresas industriais com cinco ou mais empregados, responsáveis por cerca de 270 mil postos de trabalho e por R$ 214,9 bilhões em receitas líquidas de vendas. No período, o Valor da Transformação Industrial (VTI) alcançou R$ 66 bilhões, impulsionado principalmente pelas indústrias de transformação, que convertem matérias-primas em produtos acabados.
A fabricação de alimentos segue como o principal segmento industrial do estado. Sozinha, a atividade reúne 1.359 empresas, emprega 101,1 mil trabalhadores e responde por 51% de toda a receita líquida de vendas da indústria goiana. Ao mesmo tempo, outros setores vêm ganhando espaço e reforçando uma mudança no perfil produtivo de Goiás.
A indústria de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, por exemplo, reúne apenas 36 empresas, mas movimenta R$ 20,2 bilhões em receitas e emprega quase 23 mil trabalhadores. Também se destacam a fabricação de produtos químicos, que registrou R$ 16,1 bilhões em receitas, e a indústria automotiva, responsável por R$ 13,2 bilhões.
Já o polo farmacêutico, concentrado principalmente em Anápolis, permanece entre os principais vetores de crescimento industrial. O segmento emprega mais de 15 mil trabalhadores e responde por R$ 3,2 bilhões do Valor da Transformação Industrial.
Novos investimentos aceleram diversificação
Ao Jornal Opção, o secretário estadual de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Braga, afirmou que os investimentos anunciados nos últimos anos têm fortalecido a presença de setores estratégicos no estado.
Segundo ele, a ampliação da fábrica da Caoa em parceria com a Changan, os investimentos da Mitsubishi com a GAC, a expansão da John Deere em Catalão e o fortalecimento do polo farmacêutico, com a aquisição da unidade da Fresenius pela EMS, em Anápolis, demonstram que Goiás deixou de depender apenas das cadeias ligadas ao agronegócio.
“A diversificação já aconteceu”
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, o debate sobre diversificação industrial já foi superado.
“Na realidade, essa diversificação já ocorreu”, afirmou ao Jornal Opção.
Segundo ele, embora o agronegócio continue sendo a principal vocação econômica do estado, Goiás construiu uma base industrial bastante diversificada, formada por frigoríficos, laticínios, indústrias de grãos, açúcar, etanol e biodiesel, além dos setores automotivo, farmacêutico, de mineração, confecções e construção civil.
Na avaliação de Rocha, essa variedade torna a economia menos vulnerável às oscilações de mercado.
“Quando um segmento enfrenta dificuldades, outros continuam crescendo ou sofrem impactos menores. Isso torna a economia mais resiliente.”
Ele também cita o avanço da verticalização industrial, exemplificado pela fabricação de colheitadeiras em Goiás, e afirma que o estado reúne condições para receber novos investimentos industriais.
“Nós temos um ambiente propício para a instalação de qualquer indústria, independentemente da atividade.”
Mercado externo é o próximo passo
Rocha defende que a ampliação dos acordos comerciais firmados pelo Brasil é fundamental para aumentar a competitividade da indústria goiana.
“Nós temos que incentivar o governo brasileiro a celebrar o maior número possível de acordos comerciais, seja diretamente ou por meio do Mercosul.”
Segundo ele, o Centro Internacional de Negócios (CIN), em parceria com o Sebrae e a ApexBrasil, tem auxiliado empresas goianas na abertura de mercados internacionais, oferecendo suporte para participação em feiras, missões empresariais e obtenção de certificações exigidas por diferentes países, como os selos halal e kosher.
Na avaliação do presidente da Fieg, exportar deixou de ser uma oportunidade restrita às grandes companhias.
“Hoje, qualquer empresa, independentemente do porte, pode vender para outros países.”
Ele destaca ainda que Goiás já ocupa a sétima posição entre os estados mais industrializados do Brasil, apesar de ser apenas o 11º em população.
Escassez de profissionais preocupa empresários
Se por um lado os investimentos seguem em alta, por outro a falta de mão de obra qualificada continua sendo um dos maiores entraves para a expansão da indústria.
Segundo André Rocha, o problema é nacional e atinge praticamente todos os segmentos da economia.
“Hoje, o Brasil inteiro enfrenta escassez de trabalhadores. Há vagas abertas em todos os setores.”
A dificuldade, segundo ele, vai desde motoristas, operadores de máquinas e profissionais da construção civil até engenheiros e técnicos especializados. Para o presidente da Fieg, mudanças no mercado de trabalho, como a busca por jornadas mais flexíveis e o crescimento das plataformas digitais de transporte e entrega, ajudam a explicar esse cenário.
“Isso não é uma realidade apenas de Goiás, mas de todo o Brasil”, concluiu.
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