A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou um relatório, nesta quarta-feira, 25, constando o registro de 376 casos de agressões contra jornalistas e veículos de imprensa, em 2022. O número equivale à quantidade de dias do ano, ou seja, é como se todo dia um profissional de comunicação sofresse algum tipo de violência.

Os dados foram coletados pelo Relatório da Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil. Segundo o levantamento, os números, apesar de elevados, são menores que os registrados em 2021. Aquele ano foi o recorde desde o início da série histórica feita pela federação. Ao todo, foram 430 casos denunciados. De um ano para o outro, houve uma queda de 12,53%. Mesmo com o recuo nos casos, o relatório pontua que as agressões diretas a jornalistas cresceram em todas as regiões do país.

A descredibilização e a censura foram os termos mais frequentes no ano passado, embora tenha tido quedas. O recuou foi de 33,59% e 54,96%, respectivamente, em comparação com o ano anterior.

No entanto, a ocorrência de ameaças, hostilização e intimidações aumentaram em 133,33%, ante 2021. Foram 77 casos em 2021, ou seja, 44 a mais que os 33 registrados no ano anterior. Já as agressões verbais diminuíram em 20,69%. Porém, as agressões físicas aumentaram 88,46%, passando de 26 para 49.

O principal agressor aos profissionais da imprensa seguindo sendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Sozinho, ele foi responsável por 104 casos (27,66% do total), sendo 80 episódios de descredibilização da imprensa e 24 agressões diretas a jornalistas (10 agressões verbais e 14 hostilizações)”, cita trecho do documento da Fenaj.

Para a presidenta da federação, Samira de Castro, o resultado pode ser explicado pela tensão política no país. “A sociedade passa nesse momento de tensão política a questionar as instituições estabelecidas. A imprensa é uma dessas instituições. Então a gente precisa de um discurso institucional que valorize o jornalismo profissional a partir de agora, para poder a própria sociedade entender, que quando ela agrede um jornalista, ela está retirando dela mesma o direito de ser informada,” salienta.